Operários romenos revoltam-se contra salários de miséria
Greve na Dacia-Renault
Operários lutam pelo pão
Com mais de uma semana de greve, os operários da fábrica de automóveis Dacia-Renault mostram-se determinados a prosseguir a sua luta por aumentos salariais que lhes permitam fazer face à carestia de vida.
As linhas de produção da fábrica da Dácia, em Petesti-Mioveni, continuavam paradas na segunda-feira, 31, no oitavo dia consecutivo de greve. Mais de 7600 operários, num total de cerca de 13 mil, paralisaram o trabalho no dia 24, ocupando desde então as instalações de onde não voltou a sair um único automóvel.
Num dia normal, são ali montadas 1300 viaturas do modelo Logan, que conhece uma crescente procura nos mercados mundiais devido ao seu baixo preço. Desde que a greve começou, os prejuízos cifram-se já em milhões de euros. Apesar disso, a administração mostra-se irredutível e em vez de dialogar decidiu processar judicialmente os operários em greve.
Só à primeira vista as reivindicações dos operários poderão parecer exageradas. Exigem um aumento único para todos os trabalhadores de 550 lei, cerca de 148 euros, a actualização dos prémios de Natal e Páscoa para o valor de metade do salário bruto e uma participação nos lucros anuais da empresa. O sindicato exige igualmente que os contratados a prazo não ultrapassem 15 por cento do total de efectivos.
Os baixos salários da Roménia, que constituem o principal chamariz para as multinacionais, significam para amplas massas de trabalhadores uma vida de miséria. Com uma inflação galopante, os preços dos produtos alimentares básicos equiparam-se hoje aos da França ou da Alemanha, e alguns deles, como o pão ou o leite, são mesmo mais caros.
Sob a pressão das lutas sociais, o salário médio registou um forte aumento nos últimos anos (31% em 2007). Contudo, o seu valor não ultrapassa os 350 euros.
Na fábrica da Dácia, comprada em 1999 pelo construtor francês Renault, o salário médio bruto é de 1064 lei (288 euros), mas mais de 2500 trabalhadores auferem um vencimento bruto de apenas 780 lei (208 euros), montante mal dá para sobreviver.
Se a luta dos operários obrigar a administração a ceder, o salário médio subirá para 436 euros mensais. Mesmo na Roménia não é fortuna nenhuma.

Solidariedade

Quinta-feira, 27, no quarto dia de greve, os operários da Dácia organizaram uma manifestação nas ruas da pequena cidade de Mioveni, com perto de 30 mil habitantes, muitos dos quais decidiram juntar-se ao protesto.
Em sinal de solidariedade, vieram de vários pontos do país delegações sindicais de diferentes sectores de actividade. Pela primeira vez na história recente da Roménia, representantes da CGT francesa da fábrica da Renault de Cléon (Seine-Maritime) vieram manifestar o seu apoio aos grevistas, incentivando-os a lutar pelos menos direitos que os operários franceses beneficiam em França.
No mesmo dia, a administração da fábrica subiu a sua oferta inicial de 39 euros para 67 euros de aumento para cada trabalhador. A proposta foi recusada.
Face à firmeza dos operários, o grupo francês recorreu aos tribunais questionando a legalidade da greve. O sindicato é acusado de ter iniciado a greve «antes de esgotar todas as etapas da negociação» e prosseguir a paralisação contra a vontade da maioria dos trabalhadores. O tribunal aceitou a queixa mas adiou a sua decisão por uma semana.



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