Não poderia a GNR garantir o funcionamento normal do aterro
Contra punições no SMAS de Loures
Plena solidariedade
Um plenário sindical, frente à Câmara de Loures, exigiu sexta-feira o fim dos processos disciplinares a dois motoristas que não despejaram o lixo no aterro durante a greve na Valorsul, em Novembro.
No plenário participaram trabalhadores da Câmara Municipal e dos Serviços Municipalizados de Loures, convocados pelo STAL/CGTP-IN, bem como representantes dos trabalhadores da Valorsul e dirigentes sindicais de outros sectores, da União dos Sindicatos de Lisboa e da central - ali reunidos porque «a solidariedade existe e resiste», como assinalava uma faixa colocada no local.
Com esta iniciativa, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local pretendeu chamar a atenção, publicamente, para o facto de trabalhadores estarem a ser alvo de inquéritos e processos disciplinares, por, no dia 19 de Novembro, terem cumprido o seu dever de zelo e não terem entrado com os camiões no aterro de Mato da Cruz, considerando que não estavam reunidas condições para ali depositarem os resíduos. Já na noite anterior, lembra uma nota do STAL, não tinha sido possível depositar lixo no aterro, nem por Loures, nem por qualquer dos municípios que o utilizam normalmente.
Os trabalhadores da Valorsul tinham entrado em greve no dia 13 e a administração tinha recorrido à força policial para romper os piquetes, dar cobertura à substituição de grevistas e, contrariando os alertas quanto aos perigos de tal atitude para a saúde pública, permitir que fosse depositado lixo no aterro sem as indispensáveis condições.
Entre muitos outros, dois motoristas dos SMAS de Loures que faziam o transporte do lixo para o aterro sanitário consideraram que não estavam reunidas as condições para o desenvolvimento da sua função. «Além disso, face àquilo que se estava a passar, quiseram ser solidários com os camaradas da Valorsul que estavam em greve», explicou um dirigente do STAL. Manuel Lopes, citado pela agência Lusa, considerou que os processos disciplinares constituem uma tentativa de reprimir os trabalhadores que quiseram defender os seus camaradas de trabalho.
O STAL acusou António Pereira, o vereador da Câmara de Loures responsável pelo pelouro de Recursos Humanos, de ter emitido um despacho a proibir a realização do plenário de 28 de Março. «Existe no Município de Loures um clima de medo, querem a toda a força calar os trabalhadores», acusou aquele dirigente. À Lusa, o vereador foi dizendo que «nunca houve intenção de proibir o plenário, apenas não podia ser realizado na via pública», e pretendeu mesmo definir os contornos de uma reunião sindical. «Um plenário deve ser feito numa instalação municipal, e não na via pública», o que, se dependesse do vereador, «apenas poderia ser feito na via pública com pré-aviso de greve». Só que tal decisão não cabe senão ao sindicato e aos trabalhadores...
Já o administrador dos SMAS de Loures, Jorge Baptista, confirmando que existem dois processos disciplinares em curso, defende que os funcionários tinham «todas as condições de segurança para efectuar o seu trabalho», pois «a própria GNR estava lá para isso». Quanto à autoria das medidas disciplinares, remeteu-as para o chefe da divisão de Resíduos Sólidos, que «instaurou estes processos logo nesse dia», porque «sentiu-se profundamente desautorizado».
O sindicato reafirmou que vai continuar a fazer tudo o que que estiver ao seu alcance para que os trabalhadores não sejam castigados.


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