Foram dados passos muito importantes para o reforço do Partido em Aveiro
7.ª Assembleia da Organização Regional de Aveiro do PCP
Organizar para intervir
Os comunistas do distrito de Aveiro aprovaram, sábado, em Rio Meão, no concelho de Santa Maria da Feira, as linhas de acção para continuar a reforçar a organização e acção do Partido no distrito.
Realizada apenas dois anos depois da última, a 7.ª Assembleia da Organização Regional de Aveiro do PCP voltou a revelar significativos avanços na organização do Partido e na sua capacidade de intervir e organizar a luta dos trabalhadores e das populações. Na primeira intervenção do dia, João Frazão, da Comissão Política e responsável pela organização regional, realçou que aquilo que se espera de um Partido revolucionário como o PCP é, perante o actual quadro social do distrito, «responder, responder à letra com todas as forças – e por vezes até um pouco acima das nossas forças».
E os últimos dois anos foram, de facto, anos de «forte e dura resistência», sublinhou o responsável. A começar pelas «grandiosas» acções de luta promovidas pela CGTP-IN, entre as quais se destacam a Greve Geral de 30 de Maio de 2007 ou o recente 1.º de Maio. Mas também a luta em defesa do Serviço Nacional de Saúde mereceu a referência do dirigente do PCP, que relevou a acção realizada a 5 de Abril em Aveiro, promovida por todas as comissões de utentes do distrito. Também os agricultores se manifestaram por diversas vezes, exigindo novas políticas agrícolas e mais apoios e melhor distribuídos para a agricultura nacional, realçou.
Para João Frazão, «será justo dizer que nas pequenas e grandes lutas, nestas e nas dos trabalhadores da Lusolindo contra o encerramento da empresa; da Moveaveiro, por direito ao salário e à negociação; dos trabalhadores corticeiros, por aumentos de salários e contra a discriminação salarial; dos trabalhadores da Rohde e da Yazaki em defesa dos postos de trabalho; da Facol contra as arbitrariedades, o PCP e os militantes comunistas souberam cumprir o seu papel». E fizeram-no estando «sempre presentes», sendo militantes do PCP alguns dos dirigentes destas lutas.
Mas foi feito muito mais nestes dois anos, destacou o membro da Comissão Política. Denunciou-se a situação da Ria ou dos trabalhadores dos Transportes Figueiredo, da Grohe, da Vulcano, da Vista Alegre, entre outras. A campanha em defesa da linha do Vale do Vouga, com a entrega de uma petição com 4 mil assinaturas, foi também dinamizada pelos comunistas.
No decorrer dos trabalhos, os 160 delegados aprovaram duas moções ligadas com a luta dos trabalhadores e das populações do distrito: uma rejeitando o Código do Trabalho e as alterações para pior que o PS pretende aprovar; e outra em defesa do Serviço Nacional de Saúde.

Mais organização

No que respeita aos objectivos orgânicos traçados pela 6.ª assembleia, também muito foi feito. Como salientou João Frazão, «responsabilizámos quadros, estabilizámos o funcionamento de organismos de base, regularizámos o funcionamento do Partido em diversas empresas, tivemos um movimento de assembleias de organização como nunca, fizemos diversas acções de formação ideológica.» Numa das grandes empresas do distrito, a Renault, revelou , «passámos de ir lá vender o Avante! para serem os camaradas da célula a vender o Avante! no interior da empresa».
Óscar Almeida, da direcção regional, aprofundou este balanço. Foram realizadas 23 assembleias de organizações concelhias, de freguesia ou empresa. Os quadros responsabilizados foram 75. Para os próximos dois anos, há que responsabilizar mais 70.
Outro dirigente regional do Partido, João Pires, realçou a entrada de cerca de 110 novos militantes para o Partido. Ligeiramente aquém dos 120 que se traçou como objectivo na assembleia anterior, representa um amplo movimento de adesão ao Partido no distrito de Aveiro.
Filipe Vintém, igualmente membro da Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP, valorizou a criação de organismos de empresas em Aveiro e Ovar e o reforço do organismos de empresas da Zona Industrial n.º 1 em São João da Madeira. No que respeita às células de empresa, reforçou-se na Yazaki, na Renault, no sector corticeiro e dos professores.
Este dirigente salientou ainda a edição de vários boletins de empresa sobre os problemas concretos sentidos pelos trabalhadores. São exemplos os boletins das células da Vista Alegre, Grohe, Renault, Yazaki, corticeiros, Moveaveiro, Vulcano, entre outros.

A crescer

Este reforço do Partido no distrito de Aveiro fez-se - e faz-se - dos avanços verificados nas várias organizações partidárias. Em Ovar, como salientou Miguel Viegas, o balanço feito do trabalho realizado «anima-nos, não porque está tudo bem, mas porque estamos na direcção certa»: mais militantes, mais organismos, mais militantes com tarefas e uma maior difusão do Avante!. Na véspera da assembleia, reuniu a célula do Partido numa empresa onde tal não se conseguia há mais de vinte anos.
Neste concelho, nos últimos anos, realizaram-se cinco assembleias das suas organizações, fizeram-se 26 recrutamentos, responsabilizaram-se 27 militantes, passou-se de três para oito organismos com funcionamento regular, o Avante! passou de 55 para 80 exemplares semanais. Foram emitidas 86 notas de imprensa sobre os mais variados assuntos.
Em Santa Maria da Feira, a preparação da 7.ª Assembleia da Organização Regional deu o mote para a consolidação do trabalho partidário, tendo sido reactivadas algumas células locais ou de empresa, de que o caso do sector corticeiro é uma delas. Os 30 recrutamentos efectuados desde a 6.ª assembleia testemunham também o crescimento do Partido neste concelho.
De Aveiro, Espinho, Ílhavo ou Oliveira de Azeméis vieram também exemplos concretos de reforço da organização e intervenção partidárias.

Um distrito pobre, desempregado e precário

Nos últimos anos, acentuou-se a destruição do aparelho produtivo do distrito de Aveiro. «Numa espécie de epidemia larvar, empresas do sector têxtil, das ferragens, do calçado, das indústrias eléctricas, das cortiças, das indústrias alimentares, do pequeno comércio, vão encerrando umas atrás das outras», salientou João Frazão.
Em 2007, o Instituto Nacional de Estatística detectou o encerramento, no distrito de Aveiro, por falência, de 193 empresas. Ou seja, um aumento de 14 por cento comparativamente com 2006. Neste indicador, Aveiro só é ultrapassado por Lisboa, Porto e Braga.
Na resolução política aprovada por unanimidade salienta-se o brutal aumento do desemprego. Segundo dados oficiais, atinge mais de 25 mil trabalhadores. Juntando a estes os milhares de trabalhadores em programas ocupacionais e estágios profissionais, «facilmente se chega a uma taxa de desemprego que ultrapassa já os 10 por cento, ou seja, mais de 40 mil trabalhadores desempregados».
Como salientou João Frazão, 90 por cento dos salários estão abaixo da média nacional. Nos têxteis e calçado impera o salário mínimo. No comércio, às vezes menos do que isso, com o trabalho a tempo parcial. Na metalurgia, «cada vez mais salário mínimo».
Também a precariedade aumenta. Nas instalações da Grohe, contou João Frazão, a Sinergie (empresa de aluguer de mão-de-obra) montou um escritório e agora «faz a gestão da precariedade naquela empresa». Com contratos mensais, «cada mês sai uma leva, para dar lugar a outros, fresquinhos, ansiosos pelo posto de trabalho». Na Rohde, Yazaki ou Califa instabilidade é a palavra para definir a vida dos trabalhadores.
Um militante do Partido do sector corticeiro denunciou a consagração, no contrato colectivo daquele sector, da discriminação salarial das operárias em relação aos homens. Discriminação que chega a atingir os 100 euros. Com a luta dos trabalhadores, poderá estar para breve um novo acordo que acabe com esta situação. Sintomaticamente, o grande patrão da cortiça, Américo Amorim, foi recentemente considerado o homem mais rico do País.
Na agricultura, encerram explorações, particularmente no sector leiteiro. Entre 1999 e 2005, desapareceram no distrito 16 550 explorações. Destas, 33 por cento tinham menos de 1 hectare e 22 por cento, entre 1 e 5 hectares. As explorações com mais de 50 hectares aumentaram.

Aveiro em números

# 90 por cento dos salários dos trabalhadores do sector privado estão abaixo da média nacional

# Em Aveiro, o desemprego ultrapassa já os 10 por cento, ou seja, 40 mil trabalhadores

# O índice de poder de compra no distrito de Aveiro está 16 pontos abaixo da média nacional

# O patrão da cortiça, Américo Amorim, tem uma fortuna avaliada em 4,575 mil milhões de euros

# No sector da cortiça, as mulheres ganham menos 100 euros do que os homens

# Só em 2007, faliram 193 empresas no distrito


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