Contra o aumento dos combustíveis e o custo de vida, buzinar
Acção Nacional de Protesto
Buzinão contra o Governo
O descontentamento é geral. Anteontem, terça-feira, milhares de buzinas soaram, em mais de 70 localidades do País, contra o aumento dos combustíveis, que, só este ano subiu 25 por cento.
Esta acção, que teve início em Almada, junto das portagens da Ponte 25 de Abril, foi promovido pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP).
«Este é, simultaneamente, um protesto e uma reivindicação» afirmou, logo pela manhã, Luísa Ramos, do MUSP, criticando a política do Executivo PS, «no sentido de não intervir junto das gasolineiras para acabar com a especulação dos preços dos combustíveis, que se repercute em tudo o que são bens essenciais».
«Num País com tanto desemprego, com baixos salários e pensões, não podemos estar de acordo com o facto de serem sempre os mesmos a pagar as facturas das políticas de direita, de um Governo que permite e apoia os lucros especulativos do grande capital», acrescentou.
O facto de o «buzinão» se ter ali iniciado, em Almada, tem um particular significado, até porque os residentes da Margem Sul são «duplamente penalizados». «Para atravessar o Rio Tejo, em direcção a Lisboa, a única alternativa que as pessoas têm é pagar as portagens», acentuou Luísa Ramos, lembrando ainda que «os preços dos transportes públicos, na Margem Sul, são mais caros do que no resto da Área Metropolitana de Lisboa».
Entretanto, no tabuleiro da Ponte do Pragal estava colocado um pano onde se podia ler: «Contra o aumento dos combustíveis e o custo de vida, buzinar». Este apelo, do MUSP, foi bem acolhido pelos automobilistas que, ininterruptamente, buzinaram contra a política injusta deste Governo.
Mais tarde, entre as 17h45 e as 18h00, foi a vez do resto do País protestar. Em Lisboa, a acção dos utentes realizou-se entre o Marquês de Pombal e o Saldanha, em Alcântara e entre o Campo Grande e o Parque das Nações. Na área metropolitana do Porto, as buzinas soaram, bem alto, entre outros, na Maia, na Trofa, na Póvoa do Varzim, em Felgueiras, em Penafiel e em Paredes.
Alcobaça, Setúbal, Oeiras, Sintra, Vila Franca de Xira, Loures, Azambuja/Alenquer, Vila Real de Santo António, Olhão, Silves, Lagos, Castelo Branco, Covilhã e Viseu
foram outras das cidades onde se ouvíramos os ruidosos protestos.

PCP solidário com utentes

A Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP manifestou, entretanto, «solidariedade» com a luta dos utentes.
«Esta situação é da única responsabilidade do Governo PS, patenteando uma total inércia perante um problema em crescente e acelerada deterioração desde o primeiro mês do ano, se bem que plenamente decorrente de uma política de favorfecimento do grande capital de que são exemplo a Galp, que obteve, em 2004, 650 milhões de euros, em 2005, 863 milhões de euros, em 2006, 968 milhões de euros e, em 2007, numa progressão imparável, 1011 milhões de euros de lucro», denunciam os comunistas.
Esta progressão continuou no primeiro trimestre deste ano, com um crescimento de 32,8 por cento face a igual período do ano passado. Por seu turno a Repsol e a BP obtiveram, em termos de resultados líquidos, aumentos de 36,5 por cento, e a BP, só por si, de 63,4 por cento face ao mesmo trimestre de 2007.


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