BP, Exxon-Mobil, Shell, Total e Chevron exploram petróleo no Iraque
Nova ordem mundial imperialista
Guerra ao serviço do grande capital
No Médio Oriente e no Afeganistão, a par da resistência dos povos contra a ingerência e a guerra, o imperialismo norte-americano e europeu procura impor a nova ordem mundial pela força militar, pela chantagem diplomática e pela divisão das forças que se lhe podem opor.
No Iraque, o recrudescimento da violência contra os exércitos ocupantes e o governo colaboracionista de Bagdad provocou, segunda-feira, na província de Baquba,10 mortos e 14 feridos na sequência de um ataque com morteiros contra um posto militar do Conselho de Salvação.
Esta força miliciana, financiada e treinada pelos norte-americanos para combater localmente os grupos da resistência, funciona como tropa de choque do executivo de Nuri al Maliki, distante das aspirações populares de paz, liberdade e soberania.
Não é por isso de estranhar que várias dependências governamentais sejam os alvos preferenciais de atentados semelhantes ao que causou 16 mortos e mais de 30 feridos entre funcionários e polícias, também na segunda-feira, em Diyala.
O governo de Bagdad é cada vez mais identificado pelo povo iraquiano como um pau mandado dos EUA e da Grã-Bretanha, e uma comissão de gestão ao serviço do grande capital. E muito justamente.
A semana passada, o ministro do petróleo iraquiano, Hussein al-Shahristani, intensificou as conversações com as gigantes BP, Exxon-Mobil, Shell, Total e Chevron para a concessão, sem concurso público, assinale-se, de contratos de exploração de campos petrolíferos, dando mais uma machadada na política de soberania sobre os recursos levada a cabo, desde a década de 60, pelo Partido Baath, líder do derrubamento da monarquia até então vigente ao serviço da Grã-Bretanha.
De fora da partilha imperialista ficam a Rússia e as potências económicas emergentes, China e Índia. Recorde-se que no contexto da polémica ratificação da Lei do Petróleo, o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, deslocou-se ao Iraque, em Março, com o objectivo de pressionar o executivo de al Maliki a aplicá-la com celeridade.

Planos e mistificações

É igualmente evidente que a nova ordem imperialista se pretende enternizar no Iraque, no Afeganistão, e aposta na escalada militarista no Médio Oriente com o intuito de quebrar em toda a região a resistência dos países e povos que se lhe oponham, casos do Líbano, da Palestina ou do Irão (ver peças à parte).
Quinta-feira da semana passada, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou um novo pacote de 162 mil milhões de dólares detinado a financiar até ao Verão de 2009 as operações militares no Iraque e Afeganistão. O projecto-lei mereceu os votos de 188 deputados Republicanos e 80 eleitos Democratas.
Agregadas ao financiamento do militarismo e da guerra, nos textos ratificado pelos parlamentares, surgem somas destinadas aos veteranos e ao auxílio das regiões assoladas pelas intempéries nos EUA.
Os Democratas, que na campanha eleitoral se esforçam por garantir os votos da imensa massa descontente com a administração Bush, prometendo que, caso vençam a corrida à Casa Branca, iniciam imediatamente a retirada, têm dificuldade em justificar a razão pela qual, na prática, votam ao lado dos planos da nova ordem mundial, recorrendo, por isso, à mistificação e a uma alternância pouco nutrida de alternativa à ditadura do grande capital.


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