É sobre os trabalhadores que recae a crise capitalista
Protestos antecedem Cimeira do G8
Só criam pobreza
Enquanto os responsáveis do G8 e UE se preparavam para reunir no Japão, trabalhadores e outros sectores sociais mobilizaram-se para lutar por questões concretas e protestarem contra o facto de serem sempre os mesmos a pagar a crise capitalista.
As manifestações começaram dias antes do início da Cimeira que reúne os líderes das oito maiores potências capitalistas, a União Europeia, e outros 14 governantes, convidados a participar no encontro face à grave crise do sistema.
No sábado, na cidade Sapporo, milhares de pessoas acusaram os líderes do G8 de promoverem políticas que só criam pobreza.
A corroborarem a denúncia estão os dados da FAO, segundo os quais o número de famintos cresceu ao nível mundial mais de 50 milhões no ano de 2007. A escalada dos preços dos alimentos e o custo do barril de petróleo são os principais responsáveis, diz o organismo das Nações Unidas

Contestação alastra

Entretanto, enquanto os chamados líderes mundiais procuram paliativos para um sistema predador, desigual e injusto para a imensa maioria da população, cresce entre os trabalhadores e os povos o nível de contestação e multiplicam-se as lutas.
Depois do elevado repúdio ao Tratado de Livre Comércio com os EUA, na Coreia do Sul a crise social e política expressa-se, desde Maio, nas manifestações contra o governo conservador e o levantamento do embargo à carne bovina norte-americana. Sábado, em Seul, milhares de sul-coreanos protestaram contra a medida do moribundo executivo de Han Seung-soo.
No mesmo dia, na província de Gujarat, na Índia, os trabalhadores da indústria de pedras preciosas iniciaram uma greve por tempo indeterminado exigindo aumentos salariais de pelo menos 50 por cento.
Durante o fim-de-semana, nas principais cidades da região que acolhe 25 mil unidades de transformação de diamantes e outras pedras preciosas, as quais empregam directamente cerca de 700 mil pessoas, centenas de milhares saíram à rua para rejeitarem crescimentos salariais inferiores ao reivindicado.
Os trabalhadores responsáveis pelo corte e polimento de cerca de 90 por cento das pedras transaccionadas via Antuérpia, na Holanda, não aceitam que uma indústria que gerou, em 2007, proveitos na ordem dos 4,2 mil milhões de dólares, lhes pague entre 2,3 e 4,6 dólares por jornada diária.

Transportadores soam alarme

Igualmente na Índia, o governo foi obrigado a recuar no aumento das portagens, isto depois de uma paralisação de dois dias decretada pela maior associação de transportadores do país. Cerca de 70 por cento dos produtos na Índia são distribuídos por via rodoviária. A manutenção do braço-de-ferro por parte de Nova Deli podia gerar o caos.
Pelo mesmo motivo, o aumento das taxas de circulação rodoviária, pararam, sexta-feira, os camionistas neozelandeses. Estas somam crise à crise gerada pelo aumento dos combustíveis, dizem.
Ainda a semana passada, mas em Londres, os homólogos ingleses encetaram um protesto contra o preço do gasóleo. Há um ano e meio o barril de petróleo custava um terço do que custa hoje, argumentam, por isso o governo britânico tem de rever o valor de venda para os profissionais do sector, já que, sustentam, o diesel é mais caro em inglaterra que em outros 24 países do espaço europeu. Mais de 50 por cento do seu custo são impostos.
Estamos fartos de pagar a factura da crise, disseram junto ao parlamento.


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: