Editorial

«Os média deram um grave passo em frente na sua cega e sectária prática anticomunista»

E CONTUDO ELE MOVE-SE...

A Festa da Alegria, organizada pela Direcção da Organização Regional de Braga do PCP, constituiu a mais importante realização político-partidária do último fim-de-semana. Incontestavelmente.
A Festa foi, também, uma notável realização dos comunistas do distrito de Braga, na sequência de várias outras realizadas nos últimos trinta anos, e uma das maiores, senão a maior, de sempre – confirmando os significativos avanços no reforço da influência do Partido verificados desde o XVII Congresso.
Pelo Parque das Exposições de Braga desfilou durante dois dias uma multidão de homens, mulheres, jovens e crianças num ambiente de Festa e de Alegria, à maneira solidária e fraterna que caracteriza todas as iniciativas dos comunistas. Nos stands das diversas organizações regionais do PCP e dos concelhos do distrito de Braga, o convívio nascia, naturalmente, à volta do petisco tradicional ou da compra de uma peça de artesanato, de um livro, de um disco… Numa tenda montada para o efeito, os visitantes da Festa assistiam a espectáculos de teatro ou a debates sobre o estado da comunicação social no nosso País, a figura de Lino Lima e a resistência ao fascismo…
Nos palcos, grupos musicais - uns conhecidos, outros a começarem a sê-lo – eram ouvidos e acompanhados por um público entusiástico e em Festa.
No domingo, ao fim da tarde, milhares de visitantes ouviram atentos o discurso do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa –e pontuando o seu acordo com o que ouviam com fortes aplausos.
Enfim, foi uma grande e bela Festa, construída com o trabalho voluntário de centenas de camaradas e amigos, na base de uma militância consciente e dedicada, revolucionária, como só no PCP existe – e como só no PCP pode existir, sabendo-se que tal militância tem as suas raizes no mais humano, no mais progressista, no mais belo de todos os ideais: o ideal de justiça social, de liberdade, de paz, de fraternidade, de solidariedade: o ideal comunista.

O que acima se diz sobre o que foi a Festa da Alegria fica muito aquém do que ela foi, de facto – podendo cada um ficar com uma ideia mais aproximada da realidade lendo a reportagem que nesta edição do Avante! publicamos.
Repita-se, entretanto, que se tratou da mais importante realização politico-partidária do último fim-de-semana, pois é quanto basta para justificar as perguntas que se seguem: por que é que a generalidade da comunicação social dominante ignorou, silenciando, a Festa da Alegria? Que critérios informativos estão na origem da decisão de jornais como o Público, o Correio da Manhã e o Jornal de Notícias não terem dedicado uma linha a esta realização e o Diário de Notícias lhe ter dedicado uma linha? E as televisões?: que fizeram às imagens captadas pelos profissionais que ali se deslocaram para o efeito e das quais, depois – numa espécie de serviço combinado algures - nem uma passaram nos seus serviços noticiosos de domingo? Por que razão ignoraram a intervenção proferida por Jerónimo de Sousa no comício de encerramento da Festa? Não lhes interessa – e decidiram que aos telespectadores não interessa – saber o que pensa o PCP sobre a situação em que se encontra o País? Não querem que se saiba quais as propostas dos comunistas visando a urgente resposta aos graves problemas que flagelam a imensa maioria dos portugueses? Não lhes agrada noticiar o incontestável êxito que foi esta Festa da Alegria confirmando o reforço do PCP no Norte do País?
São muitas as interrogações suscitadas por esta atitude dos média dominantes. Já se sabe que as actividades e as posições do PCP são, regra geral, silenciadas e, muitas vezes, pior do que isso: deturpadas. Neste caso, no entanto – ressalvando a comunicação social local e regional que, com dignidade profissional, tratou a Festa como o importante acontecimento que foi - estamos perante o silenciamento total e geral de uma iniciativa com dimensão nacional. E tal atitude, sabe-se lá se concertada, indicia iniludivelmente um acentuar da ofensiva que, no plano partidário, tem o PCP como alvo prioritário – e, pode dizer-se, exclusivo.

M andando ostensivamente às urtigas o tão apregoado pluralismo e as tão amplamente difundidas isenção e imparcialidade informativas com que usam mascarar-se, os média dominantes deram um grave passo em frente na sua cega e sectária prática anticomunista.
Nem por isso conseguirão, no entanto, alcançar os objectivos essenciais que presidem a tal prática: sabem-no eles e sabemo-lo nós, todos ensinados pela experiência.
A história do PCP – no passado como no presente – não deixa margem para dúvidas: condenado regularmente ao definhamento inexorável; anunciado múltiplas vezes morto e outras tantas enterrado; aconselhado a deixar de ser o que é e a transformar-se no que os conselheiros querem que seja – e rejeitando inequivocamente tais conselhos e afirmando-se sempre com a sua identidade e as suas características; sistematicamente condenado a não existir, mostra a realidade de forma inequívoca que, contudo, ele move-se... – isto é, e como sublinhou Jerónimo de Sousa no discurso da Festa da Alegria: cresce no número de militantes e na militância; intensifica a sua actividade ali onde ela é indispensável para a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País – e, por isso, aumenta a sua influência junto dos trabalhadores e das populações; afirma-se, através da luta, como a verdadeira oposição ao Governo e à sua política de direita; reforça-se -consciente de que esse reforço se torna cada vez mais necessário.

Editorial

Festa da música e dos sentidos

Sábado à tarde, apesar do intenso calor que se fazia sentir levando a maioria dos visitantes da Festa a abrigarem-se nos stands das organizações espalhados pelo recinto, o grupo Cantares da Terra abriu o Palco Alegria com a música tradicional e popular da região minhota.
Mais habituados às tórridas tardes de Verão, Os Alentejanos deram sequência à boa disposição evidenciada pelos bracarenses seguindo-lhes as pisadas e interpretando temas enraizados no cancioneiro do povo e do trabalho do Sul do país. Mas não só. A «Grândola Vila Morena» foi cantada por jovens e menos jovens de diferentes sotaques e proveniências, os quais, logo depois, responderam aos vivas dados ao PCP a partir do Palco.

Até de madrugada

Cai a noite em Braga e com ela retoma-se a animação, desta vez com os Uxu Kalhus, um grupo de fusão que incorpora influências diversas. Um som ritmado, com a vocalista, uma força da natureza, a puxar pelo público, que correspondeu de imediato.
No palco da Festa da Alegria, seguiram-se os Let the Jam Roll. Naturais de Guimarães, esta banda, que começou a sua carreira ali, em Braga, no concurso de bandas da JCP, tem uma filosofia de criação sem barreiras, com uma vasta influência de um pouco de jazz, clássico, blues, funk, rock até aos ritmos afro-cubanos.
Depois desta actuação chegou o momento mais esperado da noite, a actuação dos Blasted Mechanism, um grupo com uma imagem extravagante e uma sonoridade caracterizada pela fusão de músicas do mundo.
Aos poucos, enquanto se preparava o palco, com os instrumentos e adereços da banda, os espaços foram preenchidos. Das potentes colunas do palco saia uma música que não deixava ninguém ficar parado. Para os mais ressequidos era também tempo de ir buscar mais uma bebida, bem fresca, porque o dia e a noite haviam sido dos mais quentes do ano.
«Quando o destino é certo só nos resta aproveitar a viagem», disse, no inicio do espectáculo, o novo vocalista da banda, agrupamento que se define como um projecto de música tocada por seres do outro mundo.
De pés bem assentes no chão, algumas músicas mais tarde, sublinhou ainda que «a crise não é económica», mas sim «ideológica».
Só não valia

Dois dias sem parar

Domingo, a Festa já vai alta quando vindos do espaço do Alentejo caminham em passo lento, entrelaçados, vestidos com a farda de trabalho e os capacetes, os Mineiros de Aljustrel. Até ao Palco, entoam modas que puxam a assistência e arrancam aplausos pelo exemplo de resistência, por sempre terem sabido tomar Partido, mesmo nos tempos mais difíceis e assim continuarem nestes que também não estão para facilidades.
Igualmente vinculados com ao ideal da liberdade, da justiça e do progresso, os Qaudrilha fizeram transpirar de alegria o recinto dos espectáculos que se ia enchendo para o comício. T-shirts no ar, copos na mão, e uma vontade irreprimível de dançar acompanhando o entusiasmo dos ritmos tradicionais portugueses misturados com as influências celtas da banda.

Até breve

A vontade de desfrutar até ao último pedacinho da Festa da Alegria já não engana o cansaço, mas se o quinteto que aparece no palco é da casa, e ainda por cima refresca o início da noite, então apuram-se os sentidos e ficasse mais um pouco para ouvir os peixe:avião. Já agora, e antes de dizer «adeus, até breve» à Festa da Alegria, espreita-se o concerto dos portugueses Kumpania Algazarra, qua sobrevoam a Europa ao ritmo de uma fanfarra e dança-se, salta-se e pula-se que amanhã é outro dia. E de luta, certamente!


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