Pelo 90º aniversário
Saudação a Mandela
A Assembleia da República aprovou um voto do PCP de júbilo e congratulação pelo 90º aniversário de Nelson Mandela, no qual é sublinhada a estatura política ímpar do revolucionário e histórico dirigente do ANC e da luta contra o apartheid, que passou 28 anos nas prisões da África do Sul.
No texto é recordado o massacre de Shaperville, de 21 de Março de 1960, em que a polícia sul-africana assassinou 69 manifestantes anti-apartheid e feriu 180, acontecimento a partir do qual Nelson Mandela assume a liderança da luta armada conduzida pelo ANC.
«Em Agosto de 1962, numa operação conjugada entre a CIA e a polícia sul-africana, Nelson Mandela foi preso e viria a ser condenado a prisão perpétua, sob a acusação da prática de actos terroristas», salienta-se no voto, onde são lembradas outras etapas da sua vida, como a obtenção do Prémio Nobel da Paz ou a eleição para presidente da África do Sul.
«Apesar de permanecer até aos dias de hoje integrado na lista de personalidades consideradas terroristas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, Nelson Mandela, aos 90 anos de idade, é uma das personalidades mais respeitadas em todo o mundo, pela sua integridade política e moral, pelo seu exemplo universal de coragem em defesa da Liberdade, da Justiça e da Igualdade entre os seres humanos, pelo seu abnegado empenhamento nas causas mais nobres da Humanidade», sublinha o voto apresentado pelo PCP e aprovado com os votos favoráveis, além do proponente, do PS, BE e «Os Verdes», optando PSD e CDS/PP pela abstenção.
Foi aliás para não terem de votar favoravelmente um texto onde se refere, entre outras verdades para si incómodas, que Nelson Mandela integra o index das personalidades tidas como «terroristas» pelos EUA que aqueles dois partidos apresentaram à última hora votos próprios. Isto depois de terem requerido o adiamento da votação do texto comunista, que chegou a estar prevista para dia 11 de Julho. Perceberam-se agora as razões. PSD e CDS congratulam-se com os 90 anos de Nelson Mandela, mas com limites e acham prudente omitir uma parte da história, a que lhes gera desconforto e embaraço, como é por exemplo o facto, lembrado por António Filipe, de ter sido num dos governos de Cavaco Silva que ocorreu um dos episódios mais indignos da nossa diplomacia: num voto de condenação do apartheid, nas Nações Unidas, Portugal foi um de três países – os únicos - que estiveram contra essa condenação; os outros foram os EUA e o Reino Unido.



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