Queda do Império começou em Ajudá

Completam-se amanhã 48 anos sobre a data em que o Benim, então Daomé, se declarou independente. Nesse dia, os primeiros dirigentes do novo país pediram ao governador português do enclave de Ajudá que arreasse a Bandeira das Quinas e abandonasse o território. Em Lisboa, Salazar recusou e deu ordens para ficar. O que se passou a seguir tornou-se um dos tabus mais densos do Fascismo, e é o tema do livro de Jorge Ribeiro, «S. João Batista D'Ajudá», recentemente editado pela «Arca das Letras».
A dramática expulsão dos portugueses desta colónia constituiu a queda da primeira pedra do nosso dominó imperial. A efeméride vai ser evocada naquele ponto remoto do Golgo da Guiné, com leitura traduzida de excertos do livros de Jorge Ribeiro. A Fortaleza de Ajudá é hoje um Museu da Escravatura.


Sisa Vieira em Amesterdão

Conferências do português Álvaro Siza e do holandês Rem Koolhaas, dois dos mais importantes e consagrados arquitectos contemporâneos, em paralelo com um conjunto de exposições e instalações dedicadas ao tema «Espaço e Lugar», integram a programação da edição da ExperimentaDesign Amesterdão 2008, que decorrerá nesta cidade entre 18 de Setembro e 2 de Novembro.
O anúncio foi feito na passada semana pela directora deste certame dedicado à arquitectura e ao design, Guta Moura Guedes, que em conferência de imprensa não escondeu ter sido «muito difícil» conseguir o que chamou de «dupla de luxo», numa alusão à presença em Amesterdão daqueles dois arquitectos.
O tema da edição deste ano da ExperimentaDesign, segundo os seus organizadores, «remete para o contexto urbano», uma vez que, foi dito, o evento «tem sempre uma relação muito próxima com a cidade onde se realiza». Daí que nas conferências estejam temas em debate como a qualidade do espaço urbano e o seu uso pela sociedade.


Proteger o litoral de Gaia

A Associação Amigos do Mar de Gaia veio na passada semana chamar a atenção para alguns «pontos negros» da requalificação do litoral de Gaia, apelando a uma intervenção no sentido da correcção desses erros. Esta posição foi assumida em carta dirigida à Comissão Europeia na qual se afirma a necessidade de «acabar com este problema» e de «aumentar a sensibilização» dos responsáveis políticos para que haja uma maior «consciência da fragilidade das zonas costeiras». Identificados, entre outros, estão problemas como a destruição de recifes, a erosão costeira e a colocação dos bares de apoio às praias.
No documento enviado à Comissão Europeia, a associação ambientalista avança com algumas propostas para inverter a actual situação, como a interdição do acesso de automóveis «a menos de 100 metros da praia» ou o aumento da «protecção das dunas».


Utentes em defesa da água pública

A Comissão de Utentes para a Defesa da Água Pública (CUDAP) apelou aos consumidores de Carregal do Sal, Mortágua, Santa Comba Dão, Tábua e Tondela que reclamem o fim da taxa de disponibilidade que lhes aparece nas facturas. A empresa Águas do Planalto S.A é a concessionária do Sistema Intermunicipal de Abastecimento de Água aos cinco municípios, que têm aproximadamente 80 mil habitantes.
Em comunicado divulgado no dia 24 de Julho, a CUDAP critica que após o fim da taxa do aluguer dos contadores, e «mesmo depois de o secretário de Estado da Defesa do Consumidor ter afirmado que a taxa (de disponibilidade) que os municípios se preparavam para criar era ilegal», ela apareça agora nas facturas dos utentes da Águas do Planalto.
«Não só a aplicaram como é mais cara que os próprios alugueres dos contadores», sublinha a Comissão, que lamenta que os consumidores dos concelhos abrangidos vejam «as suas facturas cada vez mais sobrecarregadas com taxas e mais taxas».
A CUDAP faz ainda notar que esta taxa vem juntar-se a outras cobradas pela Águas do Planalto, em sua opinião ilegais, como a «sobretaxa do artigo 21» ou a «taxa de controlo da qualidade da água».


Em defesa do «Diário do Alentejo»

Encontra-se a circular um abaixo-assinado em defesa do «Diário do Alentejo», como jornal «público e democrático, ao serviço da região, dos alentejanos e do País».
Entre os primeiros subscritores estão figuras públicas de diferentes quadrantes como os escritores Urbano Tavares Rodrigues e Mário de Carvalho, o autarca João Rocha, presidente da Câmara de Serpa e da Ambaal (proprietária do jornal), os ex-presidentes de Câmara Carlos Góis (Vidigueira), Abílio Fernandes (Évora) e Lopes Guerreiro (Alvito), o arqueólogo Cláudio Torres, o empresário Luís Serrano, o professor universitário Santiago Macias, o médico João Covas Lima, o publicista João Honrado e o ex-director do «DA» Francisco do Ó Pacheco.
Depois de lembrar que o «Diário do Alentejo», fundado em 1932, pertence há mais de um quarto de século aos municípios do Baixo Alentejo e Litoral Alentejano, o abaixo-assinado contesta a intenção anunciada pelo Governo de aprovar legislação que «forçaria a privatização do jornal», facto que, sublinha-se, «nas actuais condições demográficas e económicas do Alentejo colocaria em sério risco o “Diário do Alentejo” enquanto publicação regionalista independente».


Resumo da Semana