«Que força é esta?»
Batiam as seis da tarde quando a chuva começou. Primeiro moída fininho antes de aterrar sobre os relvados e ensopar os últimos trabalhos e os seus construtores e os primeiros visitantes que se iam dispersando pelo terreno ou rumando aos serviços destinados. A Festa abrira já as portas. Depois, quando uma compacta multidão se aglomerava na Praça da Paz, junto ao lago de onde irradiam as avenidas, a chuva mostrou que ia ser a sério e que viera para ficar. Todos, divididos entre a esperança de que fosse um aguaceiro e o temor de que viesse aí uma verdadeira tempestade, se juntavam ali para assistir à abertura oficial da 32.ª edição da Festa do Avante!. Calavam-se os tambores dos TocàRufar e tomaram lugar no estrado os camaradas da JCP, da Direcção da Festa, do Secretariado do Partido, o Director do Avante! e o Secretário-geral do PCP.
Durante todo o discurso, ninguém arredou pé. E, subindo as escadas a ladear as cascatas que desembocam no largo, tomando altura e distância, constatámos que a multidão era em número semelhante ao que em anos anteriores víramos a saudar o início dos três dias da Festa.
«Que força é esta, amigos?», perguntava Jerónimo de Sousa, aludindo ao esforço sempre despendido para erguer ali aquela cidade fraterna e solidária, para organizar e promover tantas e tão variadas iniciativas e para manter o seu funcionamento, para a povoar de milhares de camaradas e de visitantes? E logo desvendaria o «segredo» - a Festa só é possível porque construída pelo Partido que somos e que queremos continuar a ser.
Findos os hinos, dispersa a multidão, eram já incontáveis os povoadores. Apesar da chuva, que dificultava os serviços, os restaurantes e bares encheram-se. Nas alamedas, mais e mais gente chegava. Muito numerosos os jovens, e mesmo as crianças que os pais corriam a tentar abrigar das águas em torrente.
Todos lamentávamos o mais que provável cancelamento do grande espectáculo – a Gala da Ópera – que o nosso jornal vinha divulgando ao longo das semanas. Muitas outras iniciativas de grande qualidade foram prejudicadas. Mas, por todo o lado onde a nossa primeira ronda nos levou, desde o Espaço Central aos grandes restaurantes, ao Espaço Internacional, onde se cantava, dançava e convivia, ou aos enormes pavilhões da Festa do Livro, onde muitas crianças, a salvo da chuva, folheavam, com os adultos, as publicações da predilecção de umas e de outros, a mágoa do que se ia perdendo foi sendo substituída pela alegria geral da Festa. Comentários e «ditos», davam o tom. Num restaurante, onde, encostados às mesas, se abrigavam muitos que ainda não se haviam servido, ouvimos um visitante comentar, sorvendo a colher de um prato cheio de molho, «temperado» com a chuva que caía: «Esta sopa nunca mais acaba!»...
Quando a chuva acabou, entre as 10 e as 11, muitos milhares se chegavam ainda às portas da Atalaia. E, no largo espaço frente ao Palco 25 de Abril, então deserto e mudo, uma entusiástica celebração de juventude começava, estendendo-se pelos variados espaços do terreno que nos dias seguintes, ao sol do Verão que termina, se encheram de debates e de desporto, de arte e de cultura, ou do simples e fraterno convívio que culminaria no gigantesco comício de domingo. Foram, como se esperava que fossem, três dias dessa jornada inesquecível que o Avante! de hoje se esforça por contar. Mais páginas houvesse...


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