Espaço da JCP
Onde os jovens são os protagonistas
Isabel Araújo Branco

Cinema, música, debates e muita animação: foi assim o espaço da JCP na Festa do Avante!, onde a política e as reivindicações dos jovens foram os protagonistas.
Filmes como Tempos Modernos e O Grande Ditador, de Charlie Chaplin, fizeram parte do diversificado programa apresentado aos visitantes do espaço da JCP na Atalaia. De um lado via-se quem optava por descansar à sombra a beber uma reconfortante cerveja, de outro espectadores interessados nos filmes e vídeos transmitidos, mais à frente observadores atentos da exposição, já envergando uma t-shirt acabada de comprar na banca, logo ali ao lado.
Os temas da exposição do Espaço da JCP «foram escolhidos de acordo com a actualidade política e social», como explica Nuno Amaral. Por isso, seria inevitável abordar questões como as lutas nos ensinos secundário e superior e no mundo do trabalho, nomeadamente as várias grandes manifestações realizadas durante o último ano.
Mas outros temas estavam presentes, como a habitação, o Processo de Bolonha, o Código do Trabalho, a despenalização da interrupção voluntária da gravidez ou a Campanha da Federação Mundial da Juventude Democrática contra a ilegalização da União da Juventude Comunista da República Checa.
E foram ainda recolhidas assinaturas em postais no âmbito da campanha que está a decorrer pelo acesso à cultura, que serão entregues em breve ao Governo.

Esclarecer

O tema deste ano das Brigadas de Contacto foi «JCP, organização revolucionária da juventude». Cerca de 120 militantes, divididos em grupos, abordaram centenas de jovens visitantes da Festa do Avante para falar sobre o que é a JCP, o seu ideal, o seu funcionamento, as propostas e a análise sobre os problemas concretos dos jovens. «É um trabalho profundamente ideológico», comenta Cristina Cardoso, responsável por esta tarefa.
A forte chuva de sexta-feira não ajudou, mas mesmo nesse dia foram feitos turnos. Ainda assim, com a tarefa quase reduzida a três dias, foram recebidas 150 fichas de recrutamentos e de contacto.
«Os visitantes mostram muitas dúvidas sobre o comunismo, a sua aplicação e a nossa perspectiva sobre a sociedade. Isso coloca-se numa altura em que a ofensiva ideológica é muito grande e que o anticomunismo está muito presente no dia-a-dia nos meios de comunicação social. Isso traz-nos mais dificuldade em aproximar-nos, mas também uma necessidade maior em fazê-lo. Mesmo os visitantes da Festa têm muitos preconceitos», afirma Cristina Cardoso.

Qualidade musical

O Palco Novos Valores apresentou 11 bandas, vencedoras dos concursos regionais realizados um pouco por todo o País. «Há muito público e muita qualidade musical», considera João Alves, responsável pelo espaço. «O público reage muito bem, a malta sabe apreciar. Há diversos estilos de música e dá para agradar a gregos e a troianos. Tem-se vivido aqui momentos de grande alegria e grande amizade», assegura.
Muitas pessoas assistem aos espectáculos sem saber o que vão ouvir, embora também haja quem vá procurar antes informações sobre as bandas no MySpace e no Youtube. «Ouvem a primeira, a segunda música, ficam no concerto como se fosse uma banda que conhecessem há anos e acabam por ficar para ouvir a banda seguinte, a noite toda», diz João Alves.
O público vem aumentando todos os anos, porque «é uma opção de qualidade. Esta é a fase final do concurso de bandas e estão aqui as melhores bandas que concorreram ao concurso. Apesar de todas as dificuldades com que se deparam (o preço dos instrumentos ou a dificuldade em arranjar espaço para ensaiar e gravar), estes grupos têm conseguido evoluir e têm qualidade musical.»


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: