Espaço Central
Razões para resistir e lutar
•Domingos Mealha

Coração da mensagem política da Festa e sua bonita e agradável sala de visitas, o Espaço Central juntou, este ano, a actualidade mais recente (ou seja, a actividade e as lutas do último ano), as três décadas de política de direita, em Portugal e na UE, a história das grandes batalhas pela democracia no nosso país (evocando, numa exposição do jornal Avante!, os 50 anos das eleições presidenciais que abalaram o regime fascista de Salazar) e as origens do movimento comunista - os 160 anos da publicação do Manifesto do Partido Comunista e os 190 anos do nascimento de Karl Marx, foram assinalado num painel de O Militante e num muito participado debate, no Fórum, ao final da tarde de sábado, com José Barata Moura, Domingos Abrantes e Ana Sofia Correia, prolongando na Festa os trabalhos que a revista tem vindo a publicar desde Maio.
No Espaço Central, o cruzamento de épocas diferentes, perpassadas pelo ideal revolucionário e emancipador de sempre, era feito até na facilidade com que os visitantes travavam conhecimento, por exemplo, com o prelo de uma tipografia clandestina, explicado por quem o usou antes de Abril, e, uns metros ao lado, com a forma como o Partido encara a nova ferramenta que é a Internet, seja de um ponto de vista ideológico (pugnando pela liberdade e democracia no acesso à tecnologia e pelo seu uso ao serviço dos povos), seja na prática do site central do PCP e nas emissões da rádio Comunic.
Nos três diferentes espaços de debate, decorreram no sábado e no domingo (já que a noite de sexta-feira foi «roubada» pela chuva) uma dúzia de iniciativas, com intervenções de dezenas de dirigentes e eleitos comunistas e de especialistas, tratando matérias actuais e diversificadas, como a situação económica e laboral, o «tratado de Lisboa», a imprensa do Partido e as condicionantes da democracia na comunicação social, as lutas das mulheres, as colectividades e o desporto de alto rendimento.
Ao longo da visita, vários écrans mostravam, em movimento e som, o que surgia, em fotos e palavras escritas, nas duas exposições políticas, dedicadas, uma, ao PCP, ao próximo congresso e ao Programa do Partido (ver páginas seguintes) e, outra, aos conteúdos da campanha «Basta de injustiças! Mudar de política para uma vida melhor», lançada na Festa do Avante! de 2007. Aqui se tratava, nas consequências da política de direita para o País, o ataque prosseguido actualmente pelo Governo do PS, e a necessidade de uma ruptura com tal rumo - recordando em fotografias a intervenção própria do PCP, junto dos trabalhadores e da população em geral, e as vigorosas manifestações de centenas de milhares de pessoas, ocorridas no consulado de José Sócrates.
A necessidade de dar mais força ao Partido que se opõe à política de direita e se bate pelos interesses dos trabalhadores, explanada em vários locais e momentos ao longo do Pavilhão Central, culminava na praça, junto ao Café da Amizade e próximo da entrada para a exposição-homenagem a Rogério Ribeiro, no espaço «Adere ao PCP», onde dirigentes e eleitos se disponibilizavam para alguns minutos de esclarecimento ou troca de opiniões e, claro, para receber as fichas de quem, informado e consciente, decidiu juntar-se de corpo e alma ao grande colectivo de homens e mulheres que resistem e lutam, com a força da razão e a convicção de que é possível construir um mundo melhor do que aquele que o capitalismo nos quer impingir como inevitável.


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