É preciso lutar, resistir e afirmar caminhos de mudança
Por melhores salários, emprego
sem precariedade e direitos garantidos
Dias de lutar para mudar
Promovido pela CGTP-IN, decorreu ontem, com iniciativas e acções em todo o País, um «dia nacional de luta», que mobilizou milhares e milhares de trabalhadores e trabalhadoras, num combate que vai prosseguir e intensificar-se.
Às primeiras horas, destacavam-se os elevados níveis de adesão às greves dos CTT e dos enfermeiros (ambas iniciadas terça-feira e com concentrações nacionais em Lisboa, anteontem, nos Correios, e ontem, junto ao Ministério da Saúde), da administração local e da Função Pública.
De acordo com o SNTCT, a greve nos Correios teve a adesão de 56 por cento dos trabalhadores, que defendem o Acordo de Empresa e os direitos nele consagrados. Segunda-feira à tarde, com centenas de participantes, teve lugar uma manifestação em Lisboa, que ligou a sede dos CTT ao Ministério da tutela.
Foi praticamente total a adesão dos enfermeiros, nos centros de saúde, e os dados do SEP relativos ao primeiro dia, 30 de Setembro, apontavam ainda para mais de 75 por cento de adesão nos hospitais. Para a concentração de ontem, o SEP revelou que estavam já confirmados mais de dois mil participantes. A adesão na Madeira foi de 85 por cento e nos Açores situou-se, em média, nos 79 por cento.
Igualmente a cem por cento, aderiram os trabalhadores da limpeza e recolha de lixo, nos concelhos de Amadora, Almada, Barreiro, Braga, Coimbra, Évora, Funchal, Matosinhos, Moita, Porto, Ponta Delgada e Seixal, bem como dos Transportes Urbanos de Braga, informou o STAL. Na CM de Lisboa, o STML estimou em 70 por cento a adesão no sector da limpeza urbana.
Escolas, hospitais e centros de saúde, serviços da Segurança Social, Finanças, museus e outros encerraram ou sofreram perturbações, sob o efeito conjugado da adesão de enfermeiros e do pessoal auxiliar e administrativo. A FNSFP destacava, nos primeiros dados disponíveis, a adesão total no INEM/CODU e nos hospitais de São José, Curry Cabral, Capuchos e Dona Estefânia (em Lisboa, indicando ainda 90 por cento no Miguel Bombarda e 69 por cento no São Francisco Xavier), e níveis elevados nos hospitais de Faro (70 por cento), Gaia (80), Aveiro (90), Cova da Beira (50), nos Hospitais Universitários de Coimbra (70). Houve adesão total também no Centro Educativo dos Olivais (Coimbra).
Foram visíveis também os efeitos da forte adesão dos trabalhadores ferroviários, com a supressão de dezenas de composições, especialmente no Norte, e perturbações na circulação e no funcionamento das estações e de áreas de apoio, da Refer. Não terá sido tão visível a falta de segurança, devido à substituição de pessoal em greve e outras ilegalidades, denunciadas pelo SNTSF/CGTP-IN. Este informou ainda que a adesão dos trabalhadores, à greve de 24 horas, foi superior a 95 por cento, na EMEF, a nível nacional. Na Soflusa, a circulação parou ontem de manhã, com adesão total, repetindo-se paralisações hoje e amanhã.
Em várias empresas, foram convocadas greves totais (como na Lisnave, na Rodoviária do Tejo, na Transportadora Lusitânia, na Escola de Hotelaria do Estoril, em várias empresas corticeiras de Santa Maria da Feira) ou parciais (Rodoviária d'Entre Douro e Minho), e plenários de trabalhadores, quase todos com concentrações no exterior das empresas e frequentemente inseridos em lutas em curso.
Apenas no sector da energia e no âmbito do SIESI, estavam convocadas acções em 38 locais de trabalho da EDP, REN e prestadoras de serviços. Nesta série podemos referir ainda o Parque da Autoeuropa, a TAP e a Groundforce (Lisboa), o Complexo Grundig (Braga), a Transtejo, a Scotturb, o Metropolitano de Lisboa, a Carris, a Transportes Sul do Tejo, os restaurante e bares do Aeroporto de Lisboa, a Portugália (Belém), o Bingo da Académica da Amadora, os supermercados Intermarché de Mafra, Vila Franca de Xira e Cacém, Pingo Doce de vários locais em Lisboa, a Conforama de Cascais, a Mecânica Piedense, a OGMA e outros estabelecimentos fabris das Forças Armadas.
Os sindicatos da Fenprof promoveram plenários em várias capitais de distrito e outras localidades, com deslocação aos governos civis.
A CGTP-IN divulgou, no início da semana, um vasto rol das acções que estavam em preparação, no qual constam ainda greves em empresas do sector alimentar e de bebidas, e nos sectores da cerâmica, construção civil e indústria vidreira; do comércio do Porto e de Évora; da metalurgia, das indústrias eléctricas, da química e farmacêutica; nos têxteis e calçado.
Foram convocadas várias concentrações, no Porto, Aveiro, Braga, Coimbra, Viseu, Castelo Branco, Almada, Barreiro, Sines, Sintra, Loures, Portimão, Faro, Vila Real de Santo António, Abrantes, Alpiarça, Benavente, Portalegre, Ponte de Sôr, Guarda.
O «dia nacional de luta» coincidiu com o 38.º aniversário da fundação da Intersindical e, numa moção divulgada ontem, a central anunciou novas iniciativas para a próxima semana.


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