Reforma da PAC
Só os grandes agrários ficam a ganhar
No final de um dia de contactos com instituições do distrito de Aveiro, Ilda Figueiredo e Pedro Guerreiro, deputados do PCP no Parlamento Europeu, participaram em Ovar num debate sobre a nova reforma da Política Agrícola Comum. Com eles estavam Agostinho Lopes e João Frazão, da Comissão Política.
Perante um auditório cheio, Ilda Figueiredo sublinhou os traços mais negativos da reforma que a presidência francesa pretende ver aprovada até ao final do ano. Uma reforma que, em sua opinião, acentua as injustiças, ao servir fundamentalmente os interesses dos grandes agrários e da agro-indústria do Norte da Europa. O desligamento das ajudas face à produção tem tido consequências negativas para os agricultores portugueses, lembrou. Em seguida, apresentou as propostas do PCP.
Pedro Guerreiro centrou a sua intervenção no sector leiteiro, vital na região. Registando a diminuição drástica do número de produtores leiteiros nos últimos anos, o deputado comunista relevou os principais constrangimentos à produção.
No debate que se seguiu, foram muitos e variados os assuntos abordados. Os apoios aos jovens agricultores e as burocracias que estes enfrentam, a privatização da floresta, a falta de vontade política para se concluir o emparcelamento do Baixo Vouga e respectivas infra-estruturas ou a questão da soberania alimentar foram apenas algumas.
Encerrando o debate, Agostinho Lopes criticou a «total inacção» do Governo perante as dificuldades deste sector fundamental. Por outro lado, acrescentou, o Governo português abdicou também de intervir no mercado, cada vez mais dominado pela grande distribuição e ao sabor dos seus interesses.


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