Editorial

«A solidariedade com Cuba e o povo cubano está na rua»

«CUBA POR TODOS, TODOS POR CUBA»

As campanhas de solidariedade humanitária com Cuba – país atingido recentemente, em pouco mais de uma semana, por dois furacões, um deles de proporções gigantescas – prosseguem por todo o mundo com resultados positivos.
Não surpreende que assim seja, mas é grato registar o facto e sublinhar o seu significado profundo.
O país e o povo alvos do mais prolongado bloqueio económico alguma vez executado; o país e o povo vítimas da mais brutal ofensiva visando a sua domesticação aos ditames do imperialismo norte-americano; o país e o povo atingidos por chantagens, ameaças, tentativas de invasão, invasões e actos terroristas brutais; o país e o povo condenados por decreto a integrar o rebanho de servos subservientes do Império; o país e o povo condenados, pelo mesmo decreto, ao isolamento internacional – este país e este povo provam todos os dias que, afinal, são capazes de resistir com êxito à ofensiva selvagem sobre eles desencadeada e que, afinal, não estão isolados, ao contrário do que, ao longo dos anos, vêm propalando os sucessivos presidentes dos EUA – eles, sim, cada vez mais isolados como o comprova a dimensão e amplitude desta solidariedade com Cuba.

Também em Portugal, como não poderia deixar de ser, a solidariedade com Cuba e o povo cubano está na rua.
«Cuba por todos, todos por Cuba» é o lema da campanha lançada por iniciativa da Associação de Amizade Portugal-Cuba e imediatamente apoiada por organizações do mais diverso tipo - sindicais, associativas, de mulheres, de jovens, etc. – em todo o País.
O lema escolhido é por demais apropriado: por um lado, lembra-nos a permanente disponibilidade solidária internacionalista de Cuba para com todos os países e povos do mundo – solidariedade manifestada não apenas em situações de catástrofes naturais, mas igualmente nas lutas libertadoras dos povos; por outro lado, sublinha a necessidade imperiosa da retribuição solidária neste momento particularmente difícil para o povo cubano – que há dezenas de anos sofre as terríveis consequências desse furacão sinistro e permanente que é o criminoso bloqueio movido pelo imperialismo norte-americano.
Os estragos causados pelos furacões foram, como se sabe, devastadores: 350 mil casas afectadas (30 mil das quais praticamente destruídas); importantes infra-estruturas seriamente danificadas; culturas agrícolas totalmente devastadas, prejuízos totais na ordem dos 150 milhões de dólares. E só a eficiência dos excelentes serviços de prevenção existentes em Cuba para fazer face a tais situações evitou dramas que poderiam atingir proporções inimagináveis.
Assim, angariar géneros alimentares de primeira necessidade para responder às carências existentes; e fundos para apoiar a reconstrução das casas destruídas, constituem os dois grandes objectivos da campanha em curso.
E ela está em marcha. Aliás, já com resultados muito positivos e indicadores das grandes possibilidades de a campanha se saldar por um êxito assinalável – tanto mais que a recolha de alimentos prossegue até final deste mês e a recolha financeira até 15 de Dezembro.
Dezenas de toneladas de alimentos foram já recolhidas, num processo de participação que tem envolvido entidades privadas, autarquias, cooperativas e homens, mulheres e jovens solidários com o povo de Cuba. Naturalmente, desde grandes contributos até outros mais modestos, mas nem por isso menos importantes e significativos: aqueles que provêm de pessoas, elas próprias vivendo dificuldades grandes por efeito da política de direita mas que, mesmo assim, querem expressar a sua solidariedade – e em muitos casos, um pequeno saco com dois ou três pequenos pacotes de arroz ou feijão, confere à solidariedade uma dimensão elevada e comovedora.

Estas campanhas expressam também a solidariedade com exemplo de Cuba, da sua Revolução, da sua heróica, longa e vitoriosa resistência.
Quando do desaparecimento da União Soviética e da comunidade socialista do Leste da Europa, os analistas e comentadores ao serviço do sistema capitalista desdobraram-se em prognósticos sobre o tempo que, segundo eles, restava a Cuba socialista.
Diziam uns, que era uma questão de dias; outros, asseveravam que era uma questão de semanas; enquanto terceiros, garantiam que era uma questão de meses… E no meio de estrelejante foguetório demonstravam, todos embandeirando os mesmos argumentos, a inevitabilidade da concretização das suas profecias.
Só que, uma coisa são os desejos desses porta-vozes do capitalismo dominante – e outra, bem diferente, é a realidade decorrente das convicções firmes, da dignidade, da coragem, da determinação inabalável de lutar e de vencer.
E a realidade aí está: da mesma forma que todas as teses triunfalistas desses fogueteiros que proclamavam o capitalismo como definitivo fim da história, ficaram desfeitas em cacos pela evolução natural da luta dos povos, também os seus argumentos em relação a Cuba mostraram o que valiam: já lá vão quase vinte anos e Cuba luta, resiste e avança – sempre solidária com as lutas de todos os povos do mundo, lutas essas que, mesmo quando não o explicitam, são de solidariedade com o povo e a revolução cubana.
E, num mundo varrido por aquela que é, porventura, a mais grave crise de sempre do sistema capitalista, o exemplo resistente de Cuba constitui uma referência incontornável para todos os que persistem em lutar contra este sistema capitalista explorador e opressor e por uma sociedade justa, livre, fraterna, solidária, pacífica, socialista, comunista.


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