Cresce a vaga de protestos em Itália contra o governo
Protesto junta 2,5 milhões em Roma
Circo Máximo vaia Berlusconi
Mais de 2,5 milhões de pessoas afluíram, dia 25, ao Circo Máximo, antiga arena romana no coração da capital italiana, para expressar o seu veemente protesto contra as políticas de direita do Governo de Silvio Berlusconi.
Convocada pelo Partido Democrático (PD), principal formação da oposição parlamentar, a manifestação do passado sábado atingiu proporções que não eram vistas há vários anos em Itália. Centenas de comboios e autocarros foram fretados para trazer manifestantes de todo o país.
Com naturalidade, todos os protestos confluíram para o Circo Máximo e alguns encontram eco no discurso de uma hora do líder do PD, Walter Veltroni.
Notando que «a Itália é um país melhor do que a direita que o governa», o político considerou a equipa governante «incompetente para defrontar a grave crise económica e social» e lançou o slogan de «uma outra Itália é possível, fá-la-emos juntos».
Veltroni exigiu a retirado do projecto de reforma educativa e atacou a política de imigração que «alimenta o ódio e cavalga o medo, que é a mãe do racismo».
Entre o mar humano que se estendeu sobre a vasta área, em cartazes e depoimentos recolhidos pela imprensa, as razões do protesto eram mais concretas e a ameaça de desmantelamento da escola pública sobressaía entre as demais.

Revolta no ensino

Agitado nas últimas semanas por greves e manifestações promovidas por sindicatos de base e pelos partidos da esquerda extra-parlamentar, o clima social agravou-se recentemente na sequência do anúncio de uma radical reforma da educação, que levou dezenas de milhares de estudantes e professores a ocupar colégios e universidades.
Estabelecimentos de ensino foram ocupados nas cidades de Turim, Milão, Roma, Florença, Cosenza, Catanzaro, Calabria, entre outros centros urbanos. Na cidade de Bari realizou-se um cortejo fúnebre pela morte da universidade pública.
Aos manifestantes, Berlusconi respondeu com ameaças de repressão, acusando-os de pertencerem à extrema-esquerda e de tentarem deslocar a oposição do parlamento para a rua. «Não toleraremos mais ocupações, estas não são uma expressão democrática mas uma forma de violência», determinou il cavaliere, em conferência de imprensa, no dia 22.
Mas os protestos continuaram. No dia 24, desde as primeiras horas da manhã, a Praça do Duomo de Milão serviu de sala de aula a professores e estudantes universitários sentados no chão.
Este tipo de acção foi seguida noutros estabelecimento de ensino. Na terça-feira, 28, os estudantes da universidade romana La Sapienza decidiram realizar as suas aulas na praça junto ao Coliseu, condenando os cortes orçamentais para o ensino de oito mil milhões de euros e a extinção de mais de 100 mil postos de trabalho.
O primeiro sinal de cedência por parte do governo veio no dia 23, quando a ministra da Educação, Mariastella Gelmini, se mostrou disposta a receber as associações de estudantes.
Gelmini afirmou que está em marcha «uma campanha terrorista que divulga informações falsas» sobre a reforma. Os sindicatos têm anunciadas greves para amanhã, sexta-feira, no ensino primário, e para 14 de Novembro no superior.


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