Protestos estudantis exigem educação para todos
Lutas dos estudantes atravessam Europa
A Escola é pública
Centenas de milhares de estudantes e professores manifestaram-se na semana passada em Itália, Alemanha e Espanha contra os cortes orçamentais e por uma escola para todos.
A jornada de dia 14 em Itália anunciava-se como mais um poderoso protesto de estudantes e professores do ensino superior contra os cortes orçamentais decretados pelo governo de Berlusconi para as universidades e estabelecimentos de investigação do país.
Três confederações sindicais (CGIL, CISL e UIL) tinham convocado uma greve nacional. Apesar de a CISL, de inspiração católica, ter quebrado a unidade desistindo da acção no último momento, a paralisação foi amplamente seguida e acompanhada de grandiosas manifestações nas maiores cidades do país.
Na capital, Roma, aos estudantes do superior juntaram-se os do secundário num impressionante desfile. Por seu lado, professores e investigadores formaram a sua própria manifestação juntando mais de 100 mil pessoas segundo cálculos dos sindicatos.
Vários outros protestos realizaram-se no mesmo dia em Milão, Bolzano e Trente (Norte) Génova (Nordeste), Palermo (Sicília) ou Cagaliari (Sardenha), entre várias outras.
Reconhecendo a amplitude dos protestos, a ministra da Educação, sobre quem tem recaído o ónus do corte de 1,4 mil milhões de euros nos orçamentos da universidade e investigação, veio a público dar razão aos manifestantes. «Digo a todos os jovens que compreendo o seu descontentamento e que partilho as suas preocupações. Estou do seu lado», declarou Mariastella Gelmini ao diário La Repubblica, sem no entanto anunciar qualquer cedência por parte do governo.

Alemães contra desigualdades

Para surpresa geral, também na Alemanha uma jornada contra a degradação do ensino, realizada no dia 12, adquiriu uma assinalável dimensão, com mais de 125 mil estudantes em protesto nas ruas.
Num país onde a contestação estudantil tem sido pouco frequente, uma greve convocada pelas associações levou ao encerramento da maioria das escolas em cerca de 40 cidades. Em Berlim, perto de dez mil jovens concentraram-se junto à câmara municipal, onde a chanceler Angela Merkel estava reunida com os ministros presidentes dos estados da Alemanha de Leste.
Manifestações semelhantes foram registadas em Brunswick, Bremen, Hamburgo e Kiel (Norte), bem como em Munique e Estugarda (Sul).
Turmas sobrelotadas e uma escola a duas velocidades que perpetua as desigualdades sociais são as principais razões do protesto dos estudantes que apresentaram como palavras de ordem «Educação para todos» ou «Sim à educação, não aos bancos», lembrando as ajudas milionárias concedidas pelo governo às instituições financeiras.
Os alunos exigem mais recursos para a educação, um limite máximo de 20 jovens por turma e criticam o actual sistema que os obriga a optar aos dez anos de idade por um curso profissional ou geral.
Merkel anunciou recentemente a decisão de consagrar à Educação sete por cento do PIB até 2015 contra os actuais 6,2 por cento.

Bolonha, não!

Igualmente em Espanha centenas de milhares de estudantes manifestaram-se, dia 13, nas principais cidades. Em Madrid, mais de 50 mil estudantes saíram à rua com palavras de ordem como «Em defesa da educação pública» e «Os capitalistas que paguem a crise». Em Barcelona, cerca de 80 mil estudantes e professores desfilaram sob o lema «Escola pública não está à venda». Importantes mobilizações registaram-se ainda em Sevilha, onde mais de 60 por cento dos estudantes do secundários fizeram greve.
Os protestos fizeram-se ouvir igualmente em Navarra, Málaga, Valência, Burgos, Granada, Lagronho, Vigo, Valladolid entre vários outros centros urbanos.
O chamado «processo de Bolonha» é o principal alvo dos estudantes, sobretudo devido ao aumento de propinas e às discriminações sociais daí decorrentes. Como declarou Javier Galán Blanco, representante da Associação de Estudantes das Universidades Públicas de Madrid, os novos cursos que estão a ser criados podem custar «entre os 1500 e os 13 mil euros, enquanto os actuais se situavam entre os 600 e os 1500».
Desta forma, acrescentou este líder estudantil citado pela Lusa, «nem todos os estudantes vão poder ter acesso a uma formação de qualidade e completa. Muitos terão de conformar-se com um nível de quatro anos que não lhes permitirá entrar na investigação».


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