XVIII Congresso do PCP
Unidade e determinação
A aprovação da Resolução Política do XVIII Congresso do PCP, reunido nos dias 29 e 30 de Novembro e 1 de Dezembro no Campo Pequeno, em Lisboa, culminou um processo de construção colectiva da opinião do Partido que se iniciou em Fevereiro e envolveu largos milhares de militantes comunistas.
«A Resolução Política foi aprovada por unanimidade», anunciou, ao final da manhã de segunda-feira, Margarida Botelho, da Comissão Política, que presidia à última sessão dos trabalhos. Os mais de 1400 delegados e os milhares de convidados que enchiam por completo o magnífico espaço do Campo Pequeno ergueram-se como um só, numa celebração de unidade. «Assim se vê a força do PC!», afirmaram com entusiasmo.
A unidade ali celebrada não foi imposta, mas construída. Desde Fevereiro que mais de 26 mil militantes do Partido, em mais de um milhar de reuniões, assembleias e debates contribuíram com a sua opinião e empenho para a construção do documento aprovado no Congresso. Como afirmaria, na intervenção de encerramento, Jerónimo de Sousa, «os que vivem da coisa mediática, da divergência, da zanga, ficam desiludidos» com a unidade manifestada no Congresso. A estes, desafiou: «percam preconceitos, comparem a profundidade das análises, o conhecimento da realidade, as propostas, o projecto que nos anima.»
Em seguida, apresentou-se o Comité Central eleito na véspera, na sessão reservada aos delegados. Luísa Araújo, do Secretariado, revelou os resultados: o Comité Central foi eleito por 98 por cento dos delegados (com 8 votos contra e 17 abstenções). Os dirigentes eleitos foram, em seguida, chamados um a um para junto da mesa da presidência, sob um interminável aplauso de delegados e convidados. Foi também tornada pública a composição dos organismos executivos e da Comissão Central de Controlo, eleitos pelo Comité Central na noite de domingo, bem como o Secretário-geral, Jerónimo de Sousa.
Após a intervenção de encerramento, cantou-se a milhares de vozes o Avante, camarada, A Internacional e A Portuguesa. As bandeiras vermelhas agitaram-se e os punhos cerraram-se – agora é tempo de levar à prática as conclusões do Congresso.

«Avante! por um PCP mais forte»

Se o XVII Congresso do Partido, realizado em 2004, manifestou a confiança de que era possível um PCP mais forte, o XVIII Congresso confirmou-a. Na tribuna, vários oradores testemunharam diversos aspectos do reforço do Partido em empresas e locais de trabalho, freguesias e concelhos: a criação e dinamização de células, o recrutamento e integração dos militantes em organismos, a maior difusão do Avante! ou a intervenção das organizações sobre os problemas concretos dos trabalhadores e das populações. Os membros da JCP que tomaram a palavra valorizaram os avanços alcançados nas escolas e universidades, mas também em várias empresas.
Mas o tempo não era só de balanço e satisfação pelo trabalho feito. Ao aprovarem por unanimidade a Resolução Política, os delegados estavam conscientes das orientações aí definidas quanto ao prosseguimento e intensificação do reforço do Partido, nos planos político, ideológico e orgânico, sob o lema «Avante! por um PCP mais forte».
Mais uma vez, o Partido não fechou para Congresso e isso foi visível nos três dias de trabalhos – como tinha sido já nos últimos meses. Foi um Partido profundamente ligado à vida e à luta dos trabalhadores e das populações que esteve no Campo Pequeno no fim-de-semana. A centralidade concedida ao Partido e ao seu reforço não anula – antes exige – um profundo conhecimento dos problemas e aspirações das massas. Ou não fosse o Partido um instrumento para a transformação da sociedade...
Momento particularmente emotivo foi a exibição de um filme, no primeiro dia, sobre três históricos dirigentes comunistas, falecidos desde o XVII Congresso – Álvaro Cunhal, Sérgio Vilarigues e José Vitoriano. Homenageando estes construtores do Partido, o Congresso aplaudiu de pé durante cinco minutos. As intervenções dos representantes do Partido Comunista de Cuba e da FRETILIN foram efusivamente saudadas pelos delegados e convidados.

Números do Congresso

No Congresso estiveram presentes 1461 delegados, informou, em nome da Comissão de Verificação de Mandatos, Marco Varela, da Direcção da Organização Regional de Lisboa e do Comité Central. Destes, 55 corresponderam a substituições de efectivos por suplentes.
No total, 1223 delegados efectivos e 1163 suplentes foram eleitos em 590 assembleias electivas, e 253 assumiram a sua função de delegados por inerência – sendo 174 membros do Comité Central, 62 membros da Direcção Nacional da JCP, 7 da Comissão Central de Controlo e 13 a quem o Comité Central entendeu atribuir a qualidade de delegados tendo em conta a natureza das suas tarefas.
Dos delegados, 970 foram propostos pelos organismos de direcção, 203 foram propostos pelas assembleias e 50 resultaram da fusão de propostas. Quanto à composição etária, 28 tinham menos de 20 anos; 215 entre 21 e 30 anos; 232 entre 31 e 40 anos; 234 entre 41 e 50 anos; 600 entre 51 e 64 anos; e com mais de 64 anos estavam presentes 148 delegados. A média de idades situava-se nos 47,8 anos (tendo o delegado mais novo 16 anos e o mais velho 93).
Dos delegados presentes, prosseguiu Marco Varela, 26,7 por cento eram mulheres. Funcionários do Partido eram 197, enquanto que 84 eram simultaneamente membros da JCP e do Partido. Comprovando a forte ligação do Partido aos trabalhadores e às populações, 60,4 por cento dos delegados eram dirigentes de movimentos e organizações de massas e 36,3 desempenhavam cargos públicos.


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