O ataque aos direitos só pode ser rechaçado com determinação
Trabalhadores persistem em resistir à ofensiva
Firmes na luta
A maior greve de sempre dos professores, greves duras e prolongadas nos Correios, na Soflusa e na Câmara de Lisboa, e uma nova greve na STCP destacam-se das várias lutas desenvolvidas pelos trabalhadores, nos últimos dias, em defesa de direitos conquistados e cuja liquidação agravaria as perdas salariais.
Contra dificuldades e pressões, a opção mais segura dos trabalhadores continua a ser o combate, em unidade e organizados nas suas estruturas de classe.
«Exige-se ao Governo que assuma as suas responsabilidades, altere as posições erradas que vem defendendo, e assegure as condições necessárias para um diálogo e negociação sérios, que tenham em conta as justas reivindicações dos trabalhadores, indissociáveis da Escola Pública de qualidade e da melhoria dos serviços públicos», salientou a CGTP-IN, que divulgou na semana passada uma saudação aos professores e aos trabalhadores dos CTT, da Soflusa e da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto.
Na STCP, os trabalhadores decidiram avançar para uma nova greve, que abarcará todo o dia 22 de Dezembro. No plenário, realizado dia 3, durante a manhã, e que levou à quase total paralisação dos autocarros, ficou ainda aprovada a realização de outras formas de luta, em Janeiro, caso não haja uma resposta positiva da administração. Depois de ter firmado um «acordo de empresa» com outros três sindicatos, esta tenta impor redução de direitos e pratica discriminação salarial, negando a subida nas carreiras profissionais aos associados do Strun/CGTP-IN, do Sindicato Nacional dos Motoristas e do Sitra.
Manuel Alves, dirigente do Strun, citado pela agência Lusa, revelou que a empresa tentou dificultar a realização do plenário, pretendendo que ele se realizasse à chuva.
A defesa do AE e o protesto contra a discriminação na STCP estiveram na origem de uma greve, no dia 10 de Outubro, que teve uma adesão de 95 por cento.
Igualmente em defesa do Acordo de Empresa, celebrado e publicado em 2006, mas que a administração pretende substituir por um «novo AE», subscrito este ano por estruturas minoritárias, os trabalhadores dos CTT estiveram em greve, entre terça e sexta-feira, com uma adesão que o Sindicato Nacional dos Correios e Telecomunicações situou num nível médio de 54,7 por cento, considerado «muito bom» por Vítor Narciso. O dirigente do SNTCT contrariou os números da administração, explicando à Lusa que não pode ser ignorado que quase mil trabalhadores estavam em situação de férias, folgas ou dispensas, e que cerca de 1500 foram convocados para os «serviços mínimos».
Prosseguindo na tentativa de afirmar a caducidade do AE 2006 (pedida em Setembro mas ainda não publicada pelo Ministério do Trabalho), a administração dos CTT mandatou o Administrador de Pessoal para pressionar as chefias a telefonarem aos trabalhadores em greve, comunicando-lhes que a providência cautelar (interposta pelo SNTCT contra a declaração unilateral de caducidade) e a arbitragem obrigatória (pedida também pelo sindicato) tinham sido recusadas. A denúncia foi feita num comunicado sindical, logo no primeiro dia de greve, com um firme desmentido de tais «informações».
Um dos efeitos da declaração de caducidade traduziu-se na drástica redução, pela empresa, do número de dirigentes sindicais a tempo inteiro, determinando o regresso de muitos deles aos locais de trabalho a partir de dia 1. Reunida no dia 5, a direcção do SNTCT decidiu que todos os dirigentes ocupassem os seus postos de trabalho a partir de ontem, «em luta e numa clara posição de força» e ao abrigo do AE 2006. O sindicato decidiu ainda que iriam apresentar-se, na véspera, na administração, em Lisboa. Salientando que «o que está em causa são os direitos, os aumentos e o direito à negociação colectiva», e não as dispensas sindicais, o SNTCT declarou, em comunicado aos trabalhadores, que «nada vai mudar», já que, «apenas com algumas alterações na estrutura e com a militância sindical de actuais e ex-dirigentes, a actividade sindical, os plenários e as lutas vão continuar».
De terça a quinta-feira da semana passada, as ligações fluviais entre Barreiro e Lisboa estiveram interrompidas, de manhã e de tarde, devido a mais uma série de greves, de duas horas por turno, dos trabalhadores da Soflusa. A luta, que completou já 15 dias, no total, e tinha abrangido o sector comercial (por 48 horas, a 27 e 28 de Novembro), tem por objectivo levar a administração a um acordo justo de revisão salarial. Para ontem estava marcada uma reunião de negociação, requerida pela empresa, no Ministério do Trabalho, cujos resultados iriam ser de seguida analisados em plenário de trabalhadores.
Contra a alienação da TEX, cuja venda à Chronopost foi anunciada pela CP, estiveram anteontem em greve os trabalhadores daquela unidade de negócios de transporte de encomendas expresso. O SNTSF/CGTP-IN, que situou a «boa» adesão em níveis entre 60 e 70 por cento, convocou a paralisação, de 24 horas, como protesto contra o silêncio do Governo e do conselho de gerência da CP, face às preocupações quanto ao futuro dos funcionários. O sindicato promoveu plenários em Coimbra, Bobadela e Maia, no final da semana passada, e uma reunião geral, em Lisboa, durante o dia da greve. Em Janeiro poderão ser definidas novas formas de luta.
Para a próxima quarta-feira, dia 17, está marcada uma iniciativa nacional, com dirigentes, delegados e activistas sindicais e membros da CT da CP e sub-CTs, reclamando a anulação dos processos disciplinares levantados contra nove representantes dos ferroviários, que participaram em piquetes de greve, a 1 de Outubro. No mesmo dia, manifestam-se também representantes do pessoal da EMEF, frente à administração, em defesa de direitos conquistados e melhores condições de trabalho e contra a crescente precariedade.

Mineiros atentos

«Vale a pena lutar», salienta o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, congratulando-se porque «na sequência da intensa luta desenvolvida, o Governo viu-se forçado a encontrar uma solução» para as minas de Aljustrel. O STIM/CGTP-IN refere, numa nota divulgada anteontem, que o ministro Manuel Pinho confirmou, dia 5, a venda das Pirites Alentejanas ao grupo MTO e a manutenção dos 195 trabalhadores que, à data do anúncio da paragem da extracção (13 de Novembro), tinham contrato com a empresa, bem como, em Janeiro, a retoma da actividade e o início dos trabalhos na mina do Gavião, prevendo a criação de postos de trabalho.
O sindicato ressalva que falta ainda esclarecer os termos em que foi concretizado o negócio e as condições da concessão da extracção à MTO, e salienta que vai continuar atento ao evoluir da situação, reclamando a reintegração dos cerca de 700 trabalhadores que ficaram sem emprego, e esclarecendo e mobilizando para a luta pelo emprego com direitos, para o desenvolvimento da região e do País.


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