Centenas de escolas permanecem ocupadas em todo o país
Segunda semana de protestos na Grécia
Revolta popular
Manifestações, confrontos com a política de choque e distúrbios em várias cidades do país continuam a marcar a actualidade na Grécia, onde estão previstas para hoje e amanhã novas acções convocadas pelos sindicatos e associações de estudantes.
O bárbaro assassinato do jovem de 15 anos Alexandros Grigoropoulos, dia 6, às mãos de um polícia, foi a causa próxima da vaga de agitação e protestos populares que abala a Grécia há quase duas semanas e teve como ponto alto, a greve geral de dia 10.
No quinto dia de manifestações e confrontos com a polícia, a Grécia parou. Bancos, escolas, hospitais, transportes urbanos e ligações fluviais entre ilhas, empresas públicas, fábricas e comércio estiveram encerrados na sua maioria.
Enfrentando a ameaçadora presença das forças de intervenção, centenas de milhares de trabalhadores e estudantes participaram, por todo o país, em massivas manifestações promovidas separadamente pelas duas centrais sindicais, a GSEE, de orientação reformista, e a PAME, central sindical de classe.
Saudando os trabalhadores e todas as camadas da população que participaram na greve e nas manifestações de protesto contra a política do governo de direita de Costas Caramanlis, o Partido Comunista da Grécia (PCG) apelou à continuação e intensificação da luta.
Em comunicado divulgado dia 11, os comunistas gregos apoiam todas as formas de luta, salientando em primeiro lugar a organização e acção nos locais de trabalho, nos bairros, escolas e faculdades. «Apenas um movimento de massas organizado dirigido contra a política da plutocracia poderá responder ao patronato e ao Estado da intimidação e do terrorismo, abrindo caminho ao futuro».

Maioria descontente

No domingo, 14, uma sondagem publicada pelo diário grego Kathimerini revelou que 68 por cento dos inquiridos afirmam-se descontentes com o governo e 60 por cento consideram que os tumultos constituem «um levantamento popular», são expressão de uma profunda crise social e não um mero resultado de actos isolados provocados por grupos de desordeiros.
O estudo indica ainda que 69 por cento consideram que o governo conservador «geriu mal» a crise e que 76 por cento estão «insatisfeitos» com a atitude da polícia durante os acontecimentos.
Uma outra sondagem, realizada pela Focus, conclui que o governo de Caramanlis continua a perder popularidade, com apenas 20,6 por cento de opiniões favoráveis, ultrapassado pelos socialistas que já levam 5,6 pontos percentuais de vantagem.
O mesmo inquérito constata que 55 por cento dos inquiridos não confia em nenhum dos dois grandes partidos para resolver a situação actual.
Apesar de contestado nas ruas, o primeiro-ministro afastou, no domingo, a possibilidade de demitir-se. Recusando-se a entender a natureza dos protestos, Caramanlis qualificou os autores dos distúrbios de «inimigos da democracia».
Em oito dias de violência, os estragos provocados só no comércio de Atenas ascendem a 200 milhões de euros, tendo sido contabilizadas destruições em 435 lojas da capital grega.
Para tentar acalmar a ira dos comerciantes, o governo anunciou ajudas de 10 mil euros para cada pequena e média empresa bem como subsídios entre 10 mil e 200 mil euros para a reparação dos estragos.
Contudo, são cada vez mais as vozes que nos vários sectores da sociedade exigem a demissão de Caramanlis. Dezenas de faculdades e mais de uma centena de escolas secundárias em Atenas e Salónica continuavam ocupadas pelos estudantes no princípio da semana. A violência poderá ter abrandado, mas os protestos persistem, ganham organização e consolidam-se em torno reivindicações concretas.


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