Sobre as declarações do Cardeal Patriarca

A Frente Anti-Racista reagiu com repúdio às recentes declarações do Cardeal Patriarca sobre o relacionamento amoroso entre católicos e muçulmanos, considerando que «são discriminatórias» e «contrariam e dificultam o diálogo inter-cultural».
«Levam naturalmente a que se pergunte por que não se levantam questões de teor semelhante a outras confissões religiosas e, numa altura em que na Faixa de Gaza se trava uma guerra genocida, poderão dar azo a especulações ainda mais comprometedoras», lê-se no comunicado emitido pela direcção da Frente Anti-Racista.
As reacções indignadas quer da comunidade islâmica quer de casais islâmicos e católicos vêm de resto provar «o desacerto de tais considerações», na opinião daquela estrutura, que apela ao Patriarcado Português para que dê às reflexões de D. José Policarpo «um sentido mais aberto e consentâneo com o pensar e o sentir dos habitantes do território nacional».


Morreu João Aguardela

João Aguardela, músico e compositor, morreu no dia 18, no Hospital da Luz, em Lisboa, aos 39 anos de idade. Fazia parte do grupo A Naifa, que ajudou a fundar, em 2004, com Luís Varatojo, Maria Antónia Mendes e Paulo Martins.
O músico, que teve na luta contra um cancro a sua última batalha, integrou no passado colectivos como Sitiados, Linha da Frente ou Megafone.
«Uma Inocente Inclinação Para o Mal», assim se chama o seu último trabalho, editado com A Naifa no ano passado. A sua primeira banda foram Os Sitiados, com um álbum de estreia editado em 1992, seguindo-se, anos mais tarde, o projecto Megafone, que editou quatro discos, e, posteriormente, a banda Linha da Frente, que musicou textos de Ary dos Santos, Alexandre O' Neill, Manuel Alegre, entre outros.
João Aguardela integrava, desde 2007, a presidência do Conselho Português para a Paz e Cooperação.


Jornalistas despedidos no Porto

Somam já pelo menos 181 os jornalistas das redacções do Porto de vários órgãos de comunicação social que nos últimos cinco anos viram o seu futuro comprometido com a perda do emprego, mais de 50 dos quais no despedimento colectivo anunciado faz hoje oito dias pelo grupo Controlinveste. A «quebra de receitas» e a «evolução acentuadamente negativa do mercado» foram as razões alegadas neste último caso para o despedimento de 122 trabalhadores do grupo de Joaquim Oliveira, abrangendo os títulos Jornal de Notícias, Diário de Notícias, O Jogo e 24 Horasa. Segundo um levantamento da Lusa, ocorreram processos de despedimento na Rádio Regional de Lisboa (Rádio Clube Português), do grupo Media Capital, em O Comércio do Porto (lançando no desemprego 50 jornalistas), na estação televisiva NTV (que dispensou 25 dos 37 jornalistas contratados a termo certo), na revista Notícias Magazine, no Público, no semanário Expresso e em O Primeiro de Janeiro.


Catarina Eufémia na tela

A realizadora portuguesa Anna da Palma, a residir em França desde a adolescência, está a preparar uma longa-metragem sobre Catarina Eufémia, com produção luso-francesa, que deverá rodar em 2010, revelou a cineasta em declarações anteontem divulgadas pela Lusa.

Com produção de Pandora Cunha Telles, «Catarina» será rodado no Alentejo, preparando-se Anna de Palma, que assina também o argumento, para escolher a actriz que protagonizará a figura da heróica ceifeira, militante comunista assassinada brutalmente em 1954, em Baleizão, pelo aparelho repressivo do regime fascista quando participava numa jornada de luta pelo pão.
A admiração por Catarina Eufémia e a sua forte ligação ao Alentejo, onde os seus pais nasceram, são as razões invocadas por Anna da Palma para este regresso em trabalho a Portugal, quatro anos depois de se ter estreado com a longa-metragem «Sem ela».


Ajustes directos alvo de crítica

O presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, Vítor Proença, criticou o novo limite de cinco milhões de euros para ajustes directos anunciado pelo Governo, advertindo que «fere de morte» o princípio da transparência nos negócios públicos. «Discordo totalmente do novo limite para os ajustes directos», declarou, anunciando a intenção de submeter ao executivo camarário uma proposta para não adoptar no município essa eventual medida.
«Discordamos totalmente do novo limite, mesmo que seja a título excepcional como tem sido dito para 2009/2010, porque não encontramos qualquer explicação para promover um aumento tão significativo, que é na ordem de 33 vezes um valor que foi recentemente aumentado», sublinhou o autarca eleito pela CDU, fazendo notar que a medida assume um carácter «ainda mais grave» por se tratar de um ano com três actos eleitorais.


Resumo da Semana