Os governos nacionalizam dívidas da banca para salvar o capital privado
Crise financeira
Prejuízos por revelar
As contas dos grandes bancos europeus continuam fortemente contaminadas por activos «tóxicos» norte-americanos, ligados designadamente aos empréstimos imobiliários de alto risco.
Segundo a edição de dia 17, da revista Der Spiegel, o Ministério das Finanças germânico calcula que o sector bancário nacional, no seu conjunto, terá cerca de um bilião de euros (milhão de milhões), em activos que entretanto perderam valor.
A mesma fonte revela que, de acordo com um inquérito promovido pelo governo, pelo banco central, Bundesbank, e pelo regulador dos mercados financeiros, BaFin, as 20 maiores instituições financeiras do país apenas actualizaram o valor real de um quarto dos cerca de 300 mil milhões de euros investidos em activos de alto risco norte-americanos.
O sistema bancário alemão, à semelhança do de muitos outros países, deverá em breve anunciar novas perdas gigantescas que resultarão do inevitável ajuste contabilístico relativo àqueles activos.
A Der Spiegel cita ainda um porta-voz do Ministério das Finanças que, embora recusando confirmar um número concreto, reconheceu haver ainda «montantes significativos» de investimentos de risco desvalorizados nas contas dos bancos.
Depois de ter nacionalizado o Commerzbank, o segundo maior banco alemão, o governo de Berlim admite entrar directamente no capital do Hypo Real Estate, instituição que apesar de já ter beneficiado de avultados fundos públicos continua à beira da falência.

Londres paga activos desvalorizados

Depois de já ter recapitalizado o sistema bancário no mês de Outubro, com 41 mil milhões de euros, passando igualmente a avalizar empréstimos entre bancos, o governo britânico anunciou, na segunda-feira, 19, que irá agora garantir os créditos concedidos pela banca, incluindo todos os activos «tóxicos» desvalorizados.
«Face ao abrandamento económico mundial que se intensificou nos últimos dois meses», o governo propõe «um plano de protecção do capital e dos activos aos bancos», afirma um comunicado do Ministério das Finanças.
Assim, o Estado irá compensar os bancos até 90 por cento da depreciação registada nos seus activos. Em troca, o governo trabalhista pede uma pequena comissão e o compromisso das instituições de concederem mais crédito às empresas e famílias.
O custo da medida dependerá do número de instituições que desejem aderir ao plano, mas admite-se que possa rapidamente atingir os 200 mil milhões de libras (220 milhões de euros).
Mesmo o Barclays e o HSBC que recusaram em Outubro a ajuda do Estado, poderão agora estar entre os primeiros requerentes devido à queda a pique da sua cotação em bolsa. Na passada semana, o Barclays perdeu um quarto do seu valor.
Descida ainda mais espectacular verificou-se, dia 19, com as acções do banco britânico, Royal Bank of Scotland (RBS), que perderam 71,18 por cento do seu valor, depois de na semana anterior, o título ter baixado 36 por cento. As suas acções valem agora 10 pence a unidade. O Estado, que tem já uma participação de 57,9 por cento no capital do RBS, é o accionista mais afectado.
Neste contexto, o novo plano de Londres foi considerado «essencial» pelo ministro das Finanças, Alistair Darling, notando que «se o sistema bancário rui, todos nós teremos graves problemas. Isso poderia destruir a economia».

França intervenciona sector automóvel

Em França, face à crise que atingiu o sector automóvel, o secretário de Estado da Indústria, Luc Chatel, considerou que o aumento da participação do Estado no capital dos construtores franceses poderá ser «uma moeda de troca» como «contrapartida pelo nosso apoio financeiro».
Em entrevista ao jornal Le Figaro, na segunda-feira, 19, o governante declarou ainda que os construtores deverão assumir compromissos em matéria de distribuição de dividendos e manter as unidades industriais no território nacional.
O governo francês prepara um plano de salvamento deste sector crucial, que deverá ser oficialmente anunciado no final de Janeiro juntamente com um pacote financeiro de 300 mil milhões de euros.


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: