Breves
Madagáscar
Milhares de pessoas manifestaram-se contra o governo, segunda-feira, em Antananarivo, Madagáscar, e exigiram a demissão do presidente, Marc Ravalomanana. O protesto foi convocado pelo presidente da câmara da capital, Andry Rajoelina, que acusa o executivo de esbanjar fundos públicos e atentar contra a democracia no país, isto depois do executivo ter interrompido as emissões da rádio afecta à oposição. Em retaliação, os manifestantes incendiaram o edifício da estação pública de televisão.

Somália
A Etiópia retirou, no final da semana passada, o último contingente que mantinha na vizinha Somália, pondo fim a dois anos de presença militar no país, mas vai continuar a apoiar as forças políticas afectas ao denominado governo de transição, informou o ministro da Comunicação Social etíope, Bereket Simon. No terreno ficam apenas as tropas enviadas pela União Africana.
A retirada das forças etíopes antecedeu o aumento do número de deputados do parlamento somáli, órgão que até ao final dete mês deve eleger um novo presidente. Dos 275 novos deputados, 200 pertencem à Aliança para a Reliberação da Somália, e prestaram juramento no vizinho Djibouti, onde decorrem as negociações para a formação de um governo de unidade, informou a agência Prensa Latina.
Nas conversações participam os chamados «grupos islâmicos moderados» que antes apoiavam a União das Cortes Islâmicas, desalojada do poder depois da intervenção militar da Etiópia.

Cáucaso
A Rússia vai construir uma base naval na Abkhazia, informou segunda-feira fonte do Estado-Maior da Marinha Russa.
O complexo situado em Otchamtchira, no Sul da República da Abkahzia, território que autoproclamou a sua independência face à Geórgia na sequência do conflito de Agosto de 2008, funcionará em coordenação com o porto de Sebastopol, na Crimeia.
O Porto de Sebastopol está concedido pela Ucrânia a Moscovo até 2017, mas Kiev pretende recuperá-lo desalojando os navios de guerra russos estacionados no Mar Negro.

Iraque
Milhares de soldados e polícias acompanharam o primeiro-ministro iraquiano, Nuri Al-Maliki, na visita que este efectuou a Kerbala. O périplo e as conversações que Maliki tem mantido nos últimos dias com diversos líderes políticos e religiosos iraquianos tem como objectivo apresentar a consulta popular em 14 regiões do Iraque, agendada para 31 de Janeiro, como parte da normalização da vida no país ocupado, mas no terreno surgem notícias de confrontos entre partidos e grupos armados afectos a interesses divergentes e de atentados contra as autoridades centrais.
No Norte, por exemplo, formações políticas curdas são acusadas de utilizarem todos os meios para controlarem o processo e, assim, manterem o domínio daquela parcela, rica em recursos naturais. Acresce que o governo de Bagdad tem sido acusado de transigir com a corrupção e a compra de votos durante a campanha, prática que, dizem, se encontra generalizada.

Deslocados
A ausência de serviços públicos e de recursos para reconstruirem as suas vidas são os principais problemas que enfrentam as centena de milhares de deslocados iraquianos no momento em que regressam às respectivas localidades de origem.
Segundo informações divulgadas por um grupo que representa centenas de Organizações Não-Governamentais iraquianas, citado pelo Rebelion, «o governo e os ministérios não estão a responder às necessidades dos deslocados, que no regresso encontram os serviços públicos desmantelados e as casas em escombros». Algumas dessas famílias esgotaram todos os recursos de que dispunham e não têm outra alternativa senão pedir ajuda ao governo. O problema é que Bagdad não dá resposta aos pedidos mais básicos da população, e quando o faz demora demasiado tempo.
A Organização Internacional das Migrações estima em quase três milhões os deslocados internos, metade dos quais se encontram nessa situação depois de 2006. Nos países vizinhos, a OIM estima que vivam outros dois milhões e meio de refugiados de guerra.

Afeganistão
Tropas dos EUA mataram 16 civis no distrito de Mehtar Lam. O Pentágono alega que os mortos eram combatentes taliban, mas a população local assegura que as vítimas não pertencem a nenhum grupo armado. O próprio governador da província de Laghman garante que os alvos dos EUA eram civis e lamenta que entre os mortos estejam mulheres e crianças.
Reagindo ao sucedido, milhares de pessoas manifestaram-se em Mehtar Lam contra o ataque terrestre e aéreo norte-americano. Nas últimas três semanas, pelo menos 40 civis morreram em ataques dos EUA no Afeganistão.
Por outro lado, na província de Badghis, sábado, pelo menos 18 pessoas morreram em confrontos armados. Segundo relato da polícia, um grupo assassinou um importante chefe tribal. Os habitantes saíram em defesa do líder local, mas só a intervenção das autoridades colocou fim à troca de tiros envolvendo as facções afegãs.
A província de Badghis tem sido uma das menos convulsas desde que o país foi invadido pelos EUA, em 2001. Este incidente confirma que a violência no Afeganistão está em crescimento, não apenas contra os contingentes ocupantes, mas entre as diversas facções, as quais, é admitido, controlam a esmagadora maioria do território.

Paquistão
Pelo menos 22 pessoas morreram num ataque da força aérea dos EUA na região tribal de Waziristan Norte. O bombardeamento efectuado por um avião não tripulado contra a aldeia de Zharki era dirigido à casa de um alegado chefe da resistência, mas os três mísseis atingiram as residências circundantes matando vários habitantes, disseram testemunhos locais.

EUA
O recém eleito presidente norte-americano, Barack Obama, está a negociar com chefes tribais afegãos a constituição de um governo de unidade para substituir o formado por Hamid Karzai, afirma o The Independent.
De acordo com o diário britânico, a substituição de Karzai é parte do plano de Obama para o Afeganistão e Paquistão, cujo representante do presidente é Richard Holbrooke, diplomata com serviços prestados nos Balcãs durante os anos 90.