Saúde mais cara

As taxas moderadoras, as consultas, urgências e actos médicos prestados nos centros de saúde e nos hospitais estão mais caras desde o dia 1 de Fevereiro. Da decisão do Governo de agravar ainda mais os custos em Saúde, publicada em Portaria, resulta que as consultas nos hospitais centrais passaram a custar 4,50 euros (mais 20 cêntimos), nos distritais o valor sobe para três euros (mais 15 cêntimos) e nos centros de saúde o utente passa a desembolsar 2,20 euros (mais 10 cêntimos).
A taxa moderadora das urgências, variando consoante a tipologia do hospital, custa agora entre os 8,40 euros e os 9,40 euros, cifrando-se em 3,70 euros nos centros de saúde. Agravamentos sofreram também os custos de internamento (subiu para 5,20 euros/dia) e o serviço de domicílio que passou a custar 4,70 euros. Cirurgia de ambulatório é o único acto que viu a taxa reduzida.
Reagindo a estes aumentos, o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) considera que «contrariam frontalmente» a Constituição, representando, a somar aos já verificados no início do ano em bens e serviços de primeira necessidade, um considerável agravamento das «dificuldades económicas em que vivem muitos milhares de famílias portuguesas».


Estrangulamento do Superior

O reitor da Universidade de Coimbra, Seabra Santos, afirma haver «vontade política de estrangular» o Ensino Superior quando as Universidades são sujeitas a tentativas de reforma num «enquadramento financeiro incompreensivelmente difícil».
Intervindo numa sessão de balanço do primeiro ano da reforma de Bolonha na Universidade de Coimbra, no dia 29 de Janeiro, o reitor afirmou que as instituições do Ensino Superior têm vindo a ser «afogadas em catadupa com tentativas de reformas, algumas delas já concretizadas», sem o correspondente apoio financeiro.
«Não há outra explicação que a vontade política de estrangular o sistema. Não há outra razão plausível», afirmou o também presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), recordando que o Ensino Superior perdeu nos últimos quatro anos cerca de 30 por cento do financiamento do Orçamento de Estado.
As reformas deveriam ser acompanhadas por «envelopes financeiros, que as tornassem mais eficazes, como acontece noutros países», considerou Seabra Santos, fazendo notar que só em Itália é que se verifica idêntico estrangulamento no investimento do Ensino Superior.


Tempos difíceis na cerâmica

Nos últimos cinco anos desapareceram 153 empresas do subsector da cerâmica decorativa e utilitária, com a consequente perda de três mil postos de trabalho, segundo dados da Associação Portuguesa da Indústria Cerâmica (APICER).
«São problemas que tenderão a agravar-se se não forem atalhados a tempo», alertou o vice-presidente executivo daquela associação, José Luís Sequeira, presente na passada semana num encontro em Alcobaça que juntou autarcas, empresários e sindicalistas.
Sensibilizar as entidades governamentais para as dificuldades que o sector atravessa foi o principal objectivo desta iniciativa onde se ouviram queixas sobre os custos do gás natural ou sobre as dificuldades de tesouraria das empresas.


Pobreza agrava-se

Mais de 245 mil pessoas em Portugal (2,5 por cento da população) recebem apoio do Banco Alimentar Contra a Fome, instituição que tem já uma lista de espera e que admite que esta venha a crescer bastante mais.
O «aumento de desempregados» e as «dificuldades em assegurar até ao final do mês todas as necessidades do agregado familiar» são uma realidade há muito sentida naquela instituição, segundo a sua responsável, Isabel Jonet, em declarações à lusa divulgadas na passada semana.
«Tem havido um aumento crescente da procura. Há muitas famílias em dificuldade. Cada dia que passa há mais famílias a pedir apoio alimentar e diariamente recebemos currículos de pessoas a pedir emprego», sublinhou, reconhecendo que os 14 bancos alimentares existentes no País «não conseguem responder a todos os pedidos» e que «há muitas inscrições em lista de espera».


Despedimentos no têxtil

O desemprego no sector têxtil no ano de 2008 terá atingido mais 12 mil trabalhadores. O cálculo é do presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, João Costa, que o divulgou no dia 27 de Janeiro quando falava à margem de uma audição solicitada pelo grupo de trabalho que acompanha este sector na Assembleia da República.
Empregando directamente 160 mil pessoas, o sector registou entre Janeiro e Outubro do ano passado uma redução de 6,5 por cento nas exportações, enquanto a quebra na produção se situou à volta dos 20 por cento.
A conjuntura actual apresenta-se menos favorável mas o certo é que, em 2007, as exportações do sector têxtil totalizaram 4 304 milhões de euros e as importações 3 333 milhões de euros, ascendendo a facturação das empresas no mesmo período a 6 925 milhões de euros.


Resumo da Semana