Editorial

«É com legítimo orgulho que os comunistas portugueses recordam esse dia 15 de Fevereiro de 1931»

SETENTA E OITO ANOS

Comemorar setenta e oito anos de vida é, para qualquer jornal, um grande acontecimento. Mais ainda se, como é o caso do Avante!, quarenta e três deles foram vividos enfrentando a perseguição e a repressão da ditadura fascista, com todas as implicações daí decorrentes.
É, pois, com legítimo orgulho que os comunistas portugueses recordam esse longínquo dia 15 de Fevereiro de 1931, data do nascimento do órgão central do PCP e ponto de partida para uma longa e heróica caminhada, durante a qual o nosso jornal sempre assumiu, sem subterfúgios nem hipocrisias, um inequívoco posicionamento: do lado dos explorados e contra os exploradores; do lado da trabalho e contra o capital; do lado da democracia e da liberdade e contra a tirania e a opressão nas suas múltiplas expressões.
Assinalamos esta data memorável assumindo-nos, hoje, como honrosos continuadores dos heróicos construtores do Avante! clandestino. E fazemo-lo sem qualquer deriva passadista ou saudosista, ao contrário do que amiúde nos acusam aqueles que, porque não têm passado – ou porque, tendo-o, preferem esquecê-lo... – o que pretendem é que silenciemos a história desses mais de quarenta anos de vida do Avante!, que constituem um capítulo relevante e incontornável da história da luta antifascista; o que pretendem é que silenciemos o papel do jornal do PCP na luta pela liberdade e pela democracia, contra a opressão e a exploração; o que pretendem é que silenciemos uma história ímpar na imprensa portuguesa e, em muitos aspectos, na imprensa mundial.
Ora, não só não silenciamos essas verdades, como as gritamos bem alto, sublinhando que nessas mais de quatro décadas de existência clandestina, o Avante! – sempre escrito, composto e impresso no interior do País – foi o único jornal que não se submeteu à censura fascista, foi o único porta-voz dos interesses e direitos dos trabalhadores e do povo, dos explorados e dos oprimidos – foi a voz dos que não tinham voz.
E não só não silenciamos essas verdades, como insistimos em sublinhar que a história do nosso jornal nesses sombrios tempos, é toda ela feita de militância revolucionária, de dedicação e de entrega, de coragem e de abnegação, e que, por isso mesmo, é uma história que só poderia ter tido os protagonistas que teve: militantes comunistas, homens e mulheres que à luta pela liberdade dedicaram as suas vidas e que permanecem como referências marcantes para todos os militantes comunistas que, hoje, dão continuidade a essa luta.

Mas a história do aAvante! é também – e de que maneira! – a história do tempo que se seguiu ao 25 de Abril, esse tempo novo e luminoso durante o qual o nosso jornal soube honrar a memória e o exemplo dos seus construtores.
E, da mesma forma que em relação ao tempo do fascismo podemos dizer, dizendo a verdade, que não é possível escrever a história de Portugal sem consultar o órgão central do PCP, também a história do tempo posterior à ditadura está gravada, impressiva e singularmente, no nosso jornal.
Nele encontramos – e em nenhum outro órgão de informação encontramos - todo o exaltante processo que conduziria à conquista da democracia avançada de Abril – com as suas componentes política, económica, social e cultural, sustentadas na defesa da independência nacional, e às quais se aliava a vertente participativa, sem a qual não há democracia plena - e à sua consagração na Constituição da República Portuguesa.
Nele encontramos, igualmente – e em nenhum outro órgão de informação encontramos - a história dos 32 anos de luta em defesa de Abril - face à ofensiva contra-revolucionária e reaccionária levada a cabo pelos sucessivos governos dos partidos da política de direita - e por uma alternativa de esquerda.

E cá estamos, hoje, neste tempo cada vez mais distante, na data e no conteúdo, da democracia avançada de Abril; neste tempo em que a política de direita – que há mais de 32 anos flagela Portugal e os portugueses e serve fielmente os interesses do grande capital – desencadeia brutais ataques ao Portugal de Abril; neste tempo em que o Governo PS/José Sócrates agrava as condições de vida e de trabalho da imensa maioria dos portugueses; em que, a pretexto da crise, o Governo e o grande capital fazem do aumento do desemprego uma nova fonte de lucros; em que as desigualdades se aprofundam e cavam um fosso cada vez mais profundo entre ricos e pobres; em que as liberdades, direitos e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos são cada vez mais letra morta para o poder dominante; em que a comunicação social, propriedade dos grandes grupos económicos e financeiros, desenvolve uma poderosa ofensiva ideológica visando vender a política de direita e a perda de direitos fundamentais como coisas necessárias e inevitáveis.
Neste tempo, também, em que os comunistas, o seu Partido e o seu jornal assumem as suas responsabilidades históricas e ocupam a primeira fila da luta em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, conscientes de que a luta de massas, pelo seu papel crucial – porque determinante e decisivo – se apresenta como caminho certo e indispensável para pôr termo à política de direita e para impor a necessária ruptura de esquerda
E conscientes, por isso, da importância da manifestação convocada pela CGTP-IN para 13 de Março, que certamente será um ponto alto da luta, trazendo a Lisboa a grande massa de descontentes com a política do Governo.
Conscientes de que contribuir empenhadamente para o êxito pleno desta grande jornada de luta é, hoje, tarefa primordial de todo o colectivo partidário.


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