É possível alterar este estado de coisas
Razões fortes nas ruas de Vila Franca
Lutar para mudar
Em tempo de crise mais presente, como nas décadas de mais curta memória, as contas da política de direita deixam sempre os trabalhadores a perder, acusam as estruturas da CGTP-IN, mobilizando para 13 de Março.
Na zona sindical de Vila Franca de Xira (que inclui ainda os concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos e Azambuja), o desemprego, a precariedade e a dívida a trabalhadores de empresas encerradas continuam a crescer. Ao mesmo tempo, persistem os baixos salários e o seu poder de compra diminui, multiplicando as situações de pobreza.
Para denunciar esta situação e exigir mudanças políticas que a permitam alterar, as estruturas da CGTP-IN (delegação local e sindicatos) promoveram, na quarta-feira da semana passada, uma acção pública de protesto e luta, no Largo da Estação de Vila Franca. Na moção ali aprovada, os participantes reafirmaram que «tudo faremos para contribuir para uma mudança de políticas, para mudar de rumo e melhorar as condições de vida do povo português e dos nossos concelhos». No horizonte das lutas, colocaram já a grande manifestação nacional, que a CGTP-IN vai levar a cabo dia 13 de Março, em Lisboa.
Aos jornalistas foram distribuídos dois documentos, focando o arrastamento da dívida aos trabalhadores de empresas que encerraram desde há quase 20 anos (o caso mais antigo é de 1990), mas também abordando a situação actual.
As 17 empresas que fecharam até 2008 (onde surgem nomes como a Icesa, a Argibay, a Mevil, a A. Cavaco, a Avimetal, a Carluso, a Pavia ou a Viçosus) têm uma dívida de quase 6,5 milhões de euros a mais de 3400 trabalhadores.
Na caracterização social da região, é destacado o aumento do desemprego, de 14,8 por cento, segundo na comparação dos números do Instituto de Emprego e Formação Profissional, relativos a Dezembro de 2008 e o mesmo mês de 2007. Apenas num mês (de Novembro a Dezembro de 2008), o número de desempregados aumentou a um ritmo de cinco pessoas por dia.
Os 7 718 desempregados inscritos no final de 2008, nos quatro concelhos, representavam 11 por cento dos 69 809 que procuravam emprego no distrito de Lisboa; mas, considerando apenas as indústrias química e metalúrgica, a parcela de Vila Franca de Xira, Azambuja, Arruda dos Vinhos e Alenquer sobe para um quarto.
Em todos os concelhos, a média salarial fica abaixo da registada no distrito, variando entre menos 16 por cento (Vila Franca) e menos 34 por cento (Arruda). Ainda na base dos quadros de pessoal, analisados pelo Ministério do Trabalho (dados de 2007), 33 por cento dos trabalhadores estavam com vínculos laborais precários (mais 2,3 por cento que a média distrital).
De 2006 para 2007, o número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção aumentou 20,5 por cento.
Foi ainda divulgado um levantamento de duas dezenas de empresas, com problemas que preocupam os sindicatos, sejam atrasos no pagamento de salários ou recusa da sua actualização, não renovação de contratos, despedimentos colectivos, reduções de horários, aplicação de lay-off, abusos na organização de horários. Neste rol, encontramos nomes de empresas como a Cimianto, a Dura Automotive, a Impormol, a Manuel Conceição Graça, a Mundo Elevadores, a Tudor, a Budelpack, a Iberol, a Such, a Sonae Distribuição, o Intermarché, o Leclerc, o Exel e o Pingo Doce. Especial importância adquire a situação na OGMA Indústria Aeronáutica.

Torres Vedras

A União Sindical de Torres Vedras acusou sexta-feira a ACT de morosidade e falta de resposta aos pedidos de intervenção. Num total de 17 solicitações, feitas desde 2005 pela estrutura da CGTP-IN no concelho, apenas cinco tiveram resposta, contou um dirigente, citado pela Lusa. Pedro Jorge salientou que não há mais queixas porque as pessoas têm medo e sabem que, em vez de uma inspecção, o que a ACT faz é uma conversa com a entidade patronal.
Um responsável da ACT disse à agência noticiosa que foram realizadas, em Janeiro, 94 intervenções numa área que inclui os concelhos de Torres Vedras, Mafra, Lourinhã, Cadaval e Sobral de Monte Agraço.

Todos a Lisboa

A manifestação nacional, convocada pela CGTP-IN para a tarde de 13 de Março, em Lisboa, decorrerá sob o lema «Mudar de rumo, mais emprego, salários, direitos».
Estão anunciadas concentrações de trabalhadores da Administração Pública, no cruzamento das ruas Artilharia 1 e Joaquim António Aguiar (próximo das Amoreiras), e das empresas do sector privado, nas proximidades da Maternidade Alfredo da Costa (Picoas). Os manifestantes convergirão para a Praça dos Restauradores.
«Ontem em nome do défice, hoje em nome da crise, a lógica do grande patronato e do Governo é a mesma: pôr os trabalhadores a pagar e o grande patronato a lucrar» - afirma a central, no manifesto que começou a ser distribuído por todo o País, apelando à participação nesta grande acção de protesto e luta.
No documento, recorda-se que «os nove principais grupos económicos e financeiros tiveram, em 2008, mais de 4 mil milhões de euros de lucro». Entretanto, «os grandes defensores de “menos Estado social” são os primeiros, agora, na pedinchice ao Estado», o que «quer dizer que, com outros contornos, o “assalto” continua». A central reafirma que mudar de rumo «é necessário e é possível, para melhorar as condições de vida do povo português». Em vez de «mezinhas e propaganda ilusória, colocando dinheiro público em mãos que vão recompor o sector financeiro especulativo e as fortunas capitalistas, para deixar tudo na mesma», a Inter defende que se ataque «com coragem» os problemas estruturais do País.
«É hora de prosseguir e intensificar a luta nos locais de trabalho», apela a central.


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