Editorial

«É fundamental que a luta de massas se desenvolva, amplie e intensifique»

MÃOS À OBRA!

A situação económica agrava-se a tal ritmo e em tal profundidade que quase pode dizer-se que nada do que de mau possa vir a acontecer é imprevisível – e não há orçamentos rectificativos que cheguem para resolver a situação daí decorrente.
Acresce que o primeiro-ministro José Sócrates, dando mostras de uma obsessão que roça o doentio, persiste na supervalorização cega da ruinosa política que tem vindo a praticar e repete-se na afirmação, igualmente obsessiva, de que não vai mudar o rumo dessa política. Acompanham-no e incentivam-no, nessa visão das coisas, os propagandistas de serviço à política de direita: todos atribuindo a exclusiva responsabilidade da grave situação existente à crise global do capitalismo, todos fugindo à análise dos factos concretos, ou seja: que, sem negar os reflexos da crise mundial do capitalismo na grave situação nacional – reflexos, aliás, inevitáveis, dada a integração de Portugal no sistema capitalista – essa crise limitou-se a acentuar e agravar a crise a que a política de direita já tinha conduzido o País, ao longo de longos trinta e dois anos de sucessivos governos PS/PSD e com particular incidência com o actual Governo.
Um dos habituais propagandistas de serviço ao Governo, Mário Soares, escreveu há dias que «não se pode ignorar que a crise é global e só em consequência disso é que chegou a Portugal» - pelo que, conclui, «não é da responsabilidade do governo em funções». E acrescentava: «é fácil apontar o dedo ao primeiro-ministro e gritar: “Aí está o rosto da crise!”, mas não é verdade nem é justo».
Num aspecto, tem Soares razão: na verdade, o completo e verdadeiro «rosto da crise» é composto por todos os que, nos últimos 32 anos, arremetendo numa ofensiva furiosa contra a democracia de Abril, têm vindo a aplicar esta política de direita – e entre esses encontra-se o iniciador dessa política: Mário Soares, o próprio.

É um facto, fácil de constatar, que parte grande da crise actual já cá estava antes de cá chegar a crise global. E esconder essa realidade significa, além do mais, insistir no agravamento de uma situação que, nos planos social e político, está a atingir graus máximos de injustiça, de exploração, de roubo de direitos, liberdades e garantias aos trabalhadores e aos cidadãos em geral – de uma situação em que o patronato, à boleia de crise, faz o que quer e lhe apetece e estabelece o reino do vale-tudo; de uma situação em que, em nome da crise, se tenta espalhar e tornar banal a ideia da inevitabilidade dos despedimentos e do aumento da exploração, e de que os trabalhadores deverão sujeitar-se, conformados e reconhecidos; de uma situação em que, ferindo profundamente a dignidade humana, tudo é feito para espalhar e tentar generalizar o medo – medo do presente e medo do futuro - e, com ele, a passividade, o conformismo, a resignação que tanto interessam à classe exploradora e aos que, no Governo, são os seus homens de mão.
E é neste quadro sombrio que entra em vigor o sombrio código do trabalho, autêntico instrumento ao serviço dos interesses do grande capital; perigosa expressão concreta de regressão social e civilizacional; exemplo acabado do conteúdo de classe da política do Governo PS/José Sócrates - e a que, por tudo isso, mais apropriado será designar por código do capital.

Como o PCP tem vindo a sublinhar e a demonstrar – designadamente através do vasto e importante conjunto de iniciativas integradas na campanha «sim, é possível!» - a solução para os graves e complexos problemas que flagelam Portugal e o povo português passa por uma ruptura com a política de direita e pela implementação de uma política de sentido oposto, de esquerda - não ao serviço da imensa minoria de portugueses – os senhores do grande capital – mas virada para a defesa dos interesses e dos direitos da imensa maioria dos portugueses, ou seja, daqueles que são, ao fim e ao cabo, os produtores da riqueza do País – os que trabalham e vivem do seu trabalho, os que já trabalharam e vêem recusado o direito a pensões e reformas dignas, os micro, pequenos e médios empresários vítimas dos grandes tubarões dominantes.
E para que essa ruptura se concretize, é fundamental que a luta de massas se desenvolva, amplie e intensifique – objectivo esse que constitui, no momento actual, uma das tarefas prioritárias que se colocam ao colectivo partidário comunista.
Os tempos que vivemos são tempos de luta e, por isso, de grandes exigências para o PCP e para os militantes comunistas. Porque é preciso que o Partido se reforce orgânica e interventivamente e, em simultâneo, aumente a sua influência social, eleitoral e política – e tal reforço passa por uma diversidade de linhas de intervenção, complementares e articuladas entre si, cada uma concorrendo para o êxito de todas e todas concorrendo para o êxito do objectivo global.
Nesse sentido, a acção dos militantes comunistas na preparação da grande jornada de luta de 13 de Março, reveste-se de primordial importância e constituirá um contributo precioso e indispensável para o sucesso pleno dessa iniciativa.
E assim é em relação às eleições que aí vêm: em primeiro lugar as do Parlamento Europeu – as mais importantes porque são as primeiras... – e cuja lista da CDU é encabeçada pela camarada Ilda Figueiredo.
Trata-se de uma batalha para ganhar – e que ganharemos com a intervenção e o empenhamento de todo o colectivo partidário: militantes das organizações de empresa e de local de residência; eleitos em todos os órgãos institucionais, desde as autarquias à Assembleia da República; jovens da JCP; quadros dirigentes a todos os níveis.
Mãos à obra!


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