A greve forçou ao agendamento da negociação
Greve por carreiras e direitos
Enfermeiros disseram «basta!»
Com uma adesão à greve acima dos 77 por cento, nos hospitais, e quase total nos centros de saúde e nas unidades de saúde familiar, os enfermeiros garantem que continuarão a lutar pelas carreiras e os direitos.
«Valeu a pena, vamos continuar a luta» foi a forma como o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses se congratulou com os resultados da greve nacional, no dia 20, que forçaram a ministra, Ana Jorge, a agendar uma reunião, cujo adiamento sucessivo provocou esta luta que, mantendo-se a intransigência da tutela, prosseguirá em Março.
O Ministério da Saúde tinha adiado, por quatro vezes, desde 29 de Dezembro, o envio da contraproposta relativa às carreiras de enfermagem, tendo deixado passar o prazo de 6 de Janeiro, para a apresentação da sua contraproposta global para a revisão das carreiras médicas e de enfermagem. Só a greve nacional forçou o agendamento, para 5 de Março.
Alertando para a grave degradação das condições de trabalho nos serviços públicos de saúde, os enfermeiros reivindicaram um único instrumento legal que se aplique a todos, independentemente do vínculo laboral. Reivindicam, igualmente, uma carreira com uma única categoria que responda à aquisição de competências durante a vida profissional, a manutenção da categoria e das funções dos chefes enfermeiros e supervisores, e a reposição do poder de compra ao nível dos restantes licenciados do País.

Uma grande resposta

Na madrugada da greve, o SEP já tinha detectado uma adesão global de 81,5 por cento, com maior incidência nos internamentos e a quase total adesão dos enfermeiros nos centros de saúde e nas unidades de saúde familiar.

Em Lisboa, já era conhecida a adesão de 87,7 por cento, na Maternidade Alfredo da Costa, à semelhança do Hospital do Outão, em Setúbal, com 89,65 por cento, e do Garcia de Orta, em Almada, com 81.
No Hospital de S. José atingiu os 93 por cento. Entre os 90 e os 97 por cento foram as participações em Vila Franca de Xira, no Montijo, no Barreiro e em Santiago do Cacém.
No Porto, a adesão rondou os 85 por cento, tendo superado os 90, nos hospitais centrais de S. João e de Gaia, na unidade local de saúde de Matosinhos e no Hospital Padre Américo, em Penafiel.
No distrito de Coimbra, onde a adesão durante a noite ultrapassou os 70 por cento, em todos os estabelecimentos, a adesão foi total no Instituto Português de Oncologia, e quase total no Hospital da Figueira da Foz e no dos Covões. Também no Hospital de Peniche, a adesão foi de cem por cento.
No Alentejo, aderiram todos os enfermeiros do turno da madrugada, no Hospital de Elvas. No de Évora rondou os 82 por cento, enquanto em Portalegre a adesão superou os 75 por cento e situou-se acima dos 75 por cento nos hospitais de Beja e Serpa.
No Algarve, o Hospital de Faro registou 88 por cento e o do Barlavento superou os 80 por cento. Nas urgências de Albufeira, Loulé e Vila real de Santo António, nenhum enfermeiro trabalhou.
Na Madeira e nos Açores, a greve foi cumprida a 78 por cento, durante a noite, e na totalidade nos centros de saúde de São Vicente e do Estreito de Câmara de Lobos.
Nos Açores, as mais altas adesões ocorreram no Hospital de Espírito Santo, em Ponta Delgada, com 89 por cento, e nos centros de saúde, encerrados, da Graciosa e da Ribeira Grande, na Terceira.


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