Encontro Nacional do PCP sobre Eleições
Uma grande campanha de massas
«Mais força à CDU para uma vida melhor» foi o lema do Encontro Nacional do PCP que se realizou, sábado, em Almada. Esta iniciativa, que contou com a participação de mais de 1100 comunistas, teve como objectivo central preparar a intervenção do PCP nos próximos actos eleitorais para o Parlamento Europeu, Assembleia da República e autarquias locais. A encerrar os trabalhos, Jerónimo de Sousa acusou o Governo de terminar o mandato «sem cumprir nenhum dos grandes objectivos económicos e sociais que anunciou ao País». O Secretário-geral do PCP salientou ainda que a CDU é a única «força» cujo o reforço eleitoral e político «pode pôr fim à alternância e abrir portas à construção de uma alternativa política».
O Encontro Nacional do PCP, que se realizou durante todo o dia na Academia Almadense, contou com cerca de 50 intervenções, que abordaram temas como a luta de massas e o reforço da organização e intervenção do Partido, a emigração, a desertificação do interior do País, a crise económica e social, a agricultura, o trabalho da CDU nas autarquias, a ruptura com a política de direita e os três actos eleitorais que vão ocorrer este ano.
«A luta por uma nova política é inseparável do reforço eleitoral da CDU e da afirmação do PCP e do seu percurso e valores, dos elementos distintivos que a projectam como factor de mudança e de alternativa», disse, no início da iniciativa, Jorge Cordeiro, da Comissão Política, apelando à «energia», «dedicação» e «empenhamento» de todos os militantes comunistas e activistas da CDU e das forças que a integram – «milhares de homens e mulheres sem partido que aspiram a uma vida melhor» – para as campanhas eleitorais que se avizinham, «assente no contacto directo e no convencimento, pessoa a pessoa, no esclarecimento e na mobilização de todos quantos marcam presença com a sua luta e protesto na oposição à política do Governo».
Apelo que os jovens comunistas prometeram levar até às últimas instâncias. «Vamos desenvolver uma campanha com inúmeras iniciativas a nível local, regional e nacional, de contacto com os jovens onde eles se encontram, nos locais de trabalho, nas escolas e nos locais de concentração juvenil», sublinhou Catarina Pereira, da Direcção Nacional da JCP.
Miguel Casanova, da Organização Regional de Setúbal, salientou de igual forma a necessidade e a importância do reforço do PCP nas empresas e locais de trabalho. «Nem sempre a influência social se traduz em votos, mas só com o reforço orgânico do Partido é possível criar melhores condições para aumentar a nossa base de apoio», afirmou o militante comunista, apelando à participação de todos os trabalhadores na manifestação nacional de dia 13 de Março, convocada pela CGTP-IN.
Lutas onde os professores têm participado activamente. «É verdade que a luta dos professores não evitou que a prepotente e obstinada maioria do PS tivesse avançado com políticas que desvalorizam a escola pública, mas evitou, apesar de tudo, que a dimensão do ataque e as suas consequências tivessem sido ainda mais graves. Como conseguiu, também, que os portugueses compreendessem que o espectáculo mediático produzido em torno da Educação é por norma fogo de vista e tem, como principal intensão, desviar a atenção da opinião pública dos verdadeiros resultados da desastrosa política educativa que tem sido levada por diante», acusou Mário Nogueira, dirigente sindical.
Também os agricultores sentem na pele as políticas levadas a cabo pelos sucessivos governos de direita. Em causa, segundo Maria Alberta Santos, da Organização Regional do Vila Real, estão as «medidas agro-ambientais», o «corte da electricidade verde», a «reestruturação do Ministério da Agricultura», o «atraso do pagamento dos subsídios aos agricultores», a «falta de controlo dos custos das rações, adubos e combustíveis», entre muitos outros problemas.

Mobilizar as populações

No Algarve sopram ventos de esperança e de luta, com a intervenção e a influência do PCP a aumentar na região. «Estamos hoje mais preparados para enfrentar as batalhas eleitorais que se avizinham», referiu Tiago Jacinto, da Direcção de Organização Regional do Algarve, lembrando que «os comunistas têm tido um papel determinante na denúncia dos problemas e na mobilização para a busca das soluções».
«É preciso mobilizar as populações para lutarem pelos seus direitos, levá-las para a rua, inseri-las nos movimentos de massas e fazê-las compreender que a luta organizada é o único caminho possível para fazer alterar o rumo do País», disse ainda.
Por seu lado, numa intervenção mais centrada no poder local, Francisco Santos, presidente da Câmara Municipal de Beja, salientou que o projecto autárquico da CDU «é o resultado de uma forma de exercício do poder participada, discutida, ponderada, com mais de 30 anos de experiência, para a qual contribuíram muitos milhares de comunistas e outros democratas, quase todos anónimos, mas dedicados à causa superior da elevação da qualidade de vida das populações».
«O trabalho dos comunistas e seus aliados nas autarquias, em maioria mas também em minoria, é uma componente importante da acção geral do Partido, uma frente de luta que abre novas vias de aproximação às massas», afirmou, frisando que, em comparação com 2005, «hoje temos condições para conquistar mais mandatos e votos».
Antes da intervenção de Jerónimo de Sousa (páginas 16, 17 e 18), foi aprovada, por unanimidade e aclamação, a Declaração do Encontro (paginas 10 e 11), documento que reafirma, perante o País, que só o reforço do PCP e da CDU poderá garantir «um caminho de esperança e de uma vida melhor».
No final, com as bandeiras vermelhas a agitar-se e os punhos a cerrar-se, em mais um momento de força e de confiança, cantou-se a o «Avante camarada», «A Internacional» e «A Portuguesa». Os participantes saíram da Academia Almadense confiantes de que «Sim, é possível uma vida melhor!».


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