Incidentes nas Olaias

A Frente Anti-Racista responsabilizou o Governo e o Ministério da Administração Interna pelos incidentes ocorridos no dia 8 no Bairro Portugal Novo, Olaias, em Lisboa, considerando que ignoram as verdadeiras causas que estão na base do conflito, ou seja, as contínuas formas de exclusão social e gueto a que estão sujeitas as comunidades étnicas ali residentes.
Lamentando «profundamente os incidentes», a Frente Anti-Racista refere em comunicado que por trás de tais acontecimentos estão graves problemas de natureza social nos mais variados planos, nomeadamente «no campo laboral, da educação, da saúde, da habitação, da cultura», bem como no capítulo «dos direitos humanos, cívicos e políticos».
E lembra que as causas que estão na origem das «situações de gueto e degradação», como é o caso deste bairro, à semelhança de muitos outros nas grandes áreas urbanas, não são um facto novo, pelo contrário, são de há muito «sobejamente conhecidas», como neles conhecidos são «os conflitos e a existência de tráficos ilegais».
Depois de sublinhar que as causas não se resolvem nem podem ser iludidas com «campanhas de propaganda» nem com «galas mediáticas», a Frente Anti-Racista chama a atenção para a necessidade de erradicar as «causas reais da exclusão social», lembrando que os problemas «não se resolvem, na sua essência, pelo recurso sistemático às forças policiais».


Pelo passe social no Metro Sul do Tejo

Uma petição com 4200 assinaturas a reclamar a admissão do passe social no Metro Sul do Tejo (MST) foi entregue no dia 9 na Assembleia da República. A iniciativa foi da comissão de utentes daquele transporte público que a lançou em Novembro passado e «rapidamente» obteve aquele número com o objectivo da sua entrega naquele mesmo mês. Só não o foi devido à promessa, aquando a inauguração do MST, feita pelo ministro dos Transportes Mário Lino de que iria receber os utentes, o que não veio a verificar-se, segundo declarações à Lusa de Luísa Ramos, representante daquele movimento de utentes.
«Chegámos a Fevereiro, o Governo não responde e as coisas continuam na mesma», explicou, justificando a decisão de proceder à entrega da petição no Parlamento.
Os moradores da Margem Sul pagam uma tarifa extra de nove euros no passe social para terem acesso ao metro, a somar aos 52,50 euros do passe «L123».


Prossegue aventura de Genuíno Madruga

O velejador açoriano Genuíno Madruga aportou no dia 5 à Ilha Santa Helena, Atlântico Sul, cumprindo mais uma etapa da sua segunda viagem solitária de circum-navegação.
O pescador, natural da Ilha do Pico, está agora a menos de 3 500 milhas de concluir este seu projecto de dar pela segunda vez a volta ao mundo, o que deverá acontecer dentro de aproximadamente dois meses, segundo os seus cálculos.
Depois de ter partido dos Açores no dia 25 de Agosto de 2007, a bordo do seu veleiro «Hemingway», Genuíno Madruga fez escalas em Cabo Verde, Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Ilha de Páscoa, Polinésia Francesa, Samoa, Fiji, Austrália, Timor, Indonésia, Maurícias e África do Sul.
Primeiro açoriano e segundo português a cometer a proeza de dar a volta ao mundo em veleiro solitário, Madruga apelidou a aventura de «Desafio do Cabo Horn», nela incluindo a travessia do mítico promontório chileno, o extremo sul da América Latina, conhecido pela sua extrema perigosidade devido às correntes, ondulação e ventos fortes.


Lisboa perde população

A capital do País perdeu nos últimos 50 anos 300 000 habitantes, embora o número de habitações neste período tenha multiplicado por cinco. Segundo dados recentemente revelados pela autarquia, Lisboa viu reduzida a sua população para cerca de meio milhão de pessoas, quando o seu número em 1960 se situava nos 800 000. Sintomático é ainda o facto de a população residente em Lisboa ser quase duas vezes mais envelhecida em comparação com a da região em que se insere e com o resto do País.
As estimativas apontam ainda para a existência actual de 60 mil casas devolutas, quando o seu número em 2001 era de cerca de 40 mil.
Entre 1997 e 2007, ainda segundo dados da Câmara Municipal, as verbas por esta gastas em políticas de habitação e reabilitação atingiram 1 135 milhões de euros, com resultados certamente muito aquém dos esperados se pensarmos que só entre 1991 e 2001, de acordo com dados do INE, Lisboa perdeu 100 000 habitantes, estimando-se que esta perda esteja a ocorrer ao ritmo médio de 10 000 habitantes por ano.


Clubes com salários em atraso

Quatro clubes da Liga, entre os quais o Leixões, e cinco da Liga de Honra têm salários em atraso para com os seus jogadores, situação que Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores, atribui à «amoralidade que grassa no futebol».
Os atletas do Estrela da Amadora vivem a situação mais dramática, com seis meses de ordenados em falta, apesar de dois terem sido pagos através do fundo de garantia salarial do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol e de no dia 5 terem recebido parte de outro salário.
O Vitória de Setúbal e o Leixões, ambos com três meses em falta, e o Belenenses, com dois, completam a lista de clubes do escalão principal que estão em situação de incumprimento.
Joaquim Evangelista, em declarações à Lusa, afirma que «o diagnóstico está feito» e deixa uma advertência: «a bolha vai rebentar e afectar vários clubes», pois «este quadro competitivo não tem futuro».


Resumo da Semana