Editorial

«Fazer do dia 7 de Junho um dia de luta na qual o voto é a arma dos trabalhadores e do povo»

UMA CERTA MANEIRA DE LUTAR

Amanhã, os trabalhadores, respondendo ao apelo da sua central sindical de classe – a CGTP-IN – virão para a rua numa mais do que previsível grandiosa manifestação de massas: muitos e muitos milhares de homens, mulheres e jovens desfilarão pelas ruas de Lisboa, vindos de todo o País, com a consciência de que estão a utilizar uma das sua armas fundamentais e que esse é o caminho adequado para, na situação actual, defenderem os seus interesses imediatos e afirmarem a exigência da necessária mudança de rumo na política nacional.
Fá-lo-ão conscientes de que têm do seu lado uma outra poderosa arma - a Constituição da República Portuguesa - na qual estão consagrados os seus direitos e interesses fundamentais e as reivindicações essenciais da sua luta.
Fá-lo-ão conscientes, também, de que, nos dias, nas semanas, nos meses que aí vêm, a sua luta tem que prosseguir, ampliar-se e fortalecer-se: pelo direito ao trabalho com direitos e contra o desemprego que atinge um número crescente de trabalhadores; contra essa brutal violação dos direitos humanos que é a precariedade; contra o lay-off abusivo que impõe a redução da produção ao sabor dos interesses do grande patronato; contra a destruição e a deslocalização de empresas; por melhores salários e contra os salários em atraso; pela melhoria das pensões de reforma; pela revogação do antidemocrático Código do Trabalho – enfim, contra todos os malefícios gerados pela política de direita e pelo cumprimento de todos os direitos a que têm direito.
Fá-lo-ão conscientes, ainda, de que, lutando por tais objectivos, é também pela democracia que se batem: por uma democracia económica, política, social e cultural que, ao contrário da democracia burguesa hoje dominante – ao serviço exclusivo dos interesses do grande capital - tenha como primeira e permanente preocupação a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Ao mesmo tempo que davam o seu precioso contributo para o êxito desta jornada de luta, os militantes comunistas - de Norte a Sul do País, passando pelas Regiões Autónomas e pelas emigrações – levavam por diante a realização de centenas de iniciativas comemorativas do aniversário do Partido – iniciativas que prosseguirão nas próximas semanas e nas quais, como é habitual, participam muitas pessoas que, não sendo comunistas, ali vão dar os parabéns ao Partido, como amigos e simpatizantes que são.
Nuns casos, um lanche, ou um almoço, ou um jantar – a maioria das vezes confeccionados por camaradas e simpatizantes do Partido – são pretexto para em ambiente de grande fraternidade e camaradagem se assinalar o aniversário; noutros casos, é num debate ou num colóquio em que se relembram os 88 anos de história do PCP, se discutem momentos marcantes dessa longa e difícil caminhada e se carregam baterias para as lutas do presente; noutros casos, ainda, opta-se pelo comício – como aconteceu em Lisboa, na Voz do Operário, precisamente no dia 6 de Março. E à generalidade destas iniciativas, chegam notícias de novas adesões ao Partido, designadamente de jovens que, assim, passam a integrar o nosso grande colectivo partidário, tornando-o mais forte e mais interventivo.
E casos há em que a comemoração dos 88 anos de vida e de luta do PCP assumem outras e expressivas formas – como aconteceu numa organização do distrito de Setúbal, onde a comemoração foi feita através da vinda de militantes para a rua vender 300 exemplares do Avante!
Tudo isto a confirmar que, como afirmou o camarada Jerónimo de Sousa no comício de dia 6, «um Partido Comunista que não abandona os seus princípios, que não desiste da luta, que assenta a sua intervenção e acção na sua ideologia – o marxismo-leninismo – que insiste sempre e sempre na sua profunda ligação aos trabalhadores e ao povo e se identifica com as suas aspirações e reivindicações, é um Partido preparado para enfrentar os mais exigentes desafios».
Tudo isto a confirmar também que a confiança com que o colectivo partidário encara os desafios do presente, decorre da nossa maneira comunista de lutar, em que a coragem, a determinação, a fraternidade e a camaradagem se juntam numa força imbatível.

Destas comemorações, o colectivo partidário sai em melhores condições para dar resposta às muitas e complexas exigências que lhe são impostas - quer as que respeitam ao reforço do Partido e à construção da formidável obra colectiva que é a Festa do Avante!; quer as que decorrem da necessária resposta à actual situação do País: as muitas e importantes batalhas que temos pela frente, das quais emergem, destacadas, a acção visando a dinamização da luta de massas e a intervenção nas três batalhas eleitorais deste ano.
E sendo certo que todas estas três batalhas eleitorais são de extrema importância, também sabemos que as primeiras, para o Parlamento Europeu, assumem uma relevância especial. Porque, sendo as primeiras de um ciclo de três, os seus resultados terão repercussões nas que se lhes seguem. E porque constituem a primeira oportunidade para, através do voto, penalizar os verdadeiros responsáveis pela situação do País e dar mais força aos que mais e mais coerentemente se têm batido ao lado dos trabalhadores e das populações: os comunistas e os seus aliados na CDU.
Assim, é nossa tarefa essencial fazer do dia 7 de Junho um dia de luta na qual o voto é a arma dos trabalhadores e do povo, na qual a greve, a paralisação, a manifestação, o protesto assumirão a forma do voto contra a política de direita e por uma política ao serviço dos trabalhadores e do povo.


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