Editorial

«Aqueles que não confiaram nos portugueses, querem agora que os portugueses confiem neles»

A TAREFA PRIORITÁRIA

Na intervenção de abertura das Jornadas Parlamentares do PCP, realizadas em Aveiro – no decorrer das quais, os deputados comunistas estiveram em contacto directo com trabalhadores e populações do distrito - o secretário-geral do Partido debruçou-se sobre um dos temas centrais em debate: a destruição do aparelho produtivo nacional, causa essencial do atraso do país e do empobrecimento dos portugueses.
Sublinhando tratar-se de um processo desenvolvido ao longo das últimas três décadas pelos partidos da política de direita – e que o Governo PS/José Sócrates levou mais longe do que qualquer dos seus antecessores - Jerónimo de Sousa acentuou que nessa destruição está «a mancha mais negra da política de direita de sucessivos governos», a qual, juntamente com a injusta distribuição do rendimento nacional, faz de Portugal o país mais desigual da União Europeia; e que é dessa destruição que decorrem as causas da desastrosa situação do País: grave recessão económica com uma queda acentuada do produto nacional, encerramento de milhares de empresas, paragens na produção, avanço galopante do desemprego, salários e subsídios em atraso, agravamento da precariedade e quebras nos salários e remunerações dos trabalhadores.
Assim, procurar justificar a crise existente como uma decorrência inevitável da crise global do capitalismo – como faz o Governo – não é mais do que uma fuga às responsabilidades, um sacudir a água do capote em relação às consequências de uma política que, porque ao serviço exclusivo dos interesses do grande capital, constitui um verdadeiro flagelo para os trabalhadores, o povo e o País.
Tudo isto a confirmar a necessidade imperiosa de uma ruptura com essa política de direita que conduziu o País a esta situação – e da sua substituição por uma política que, no imediato, leve por diante as medidas necessárias para atenuar os efeitos brutais da crise sobre a imensa maioria dos portugueses, e que reponha Portugal nos caminhos de Abril.

Tal objectivo coloca ao colectivo partidário comunista um vasto conjunto de tarefas, do qual emergem: a batalha pelo reforço do Partido – sempre necessária, não obstante os resultados positivos alcançados; o esforço visando o prosseguimento e a intensificação da luta de massas – condição primeira para derrotar a política de direita e impor uma alternativa de esquerda; a intervenção nas três batalhas que integram o ciclo eleitoral deste ano, levando por diante amplas campanhas de esclarecimento e mobilização para o voto na CDU.
No que respeita à luta de massas, é indispensável dar continuidade às recentes movimentações efectuadas – a poderosa manifestação de 13 de Março, a acção dos jovens trabalhadores e a significativa manifestação dos agricultores.
E, como sempre, o contributo dos militantes comunistas nessa matéria apresenta-se não só necessário mas indispensável.
Daí a importância da sua intervenção na preparação das duas grandes acções de massas que aí vêm, a começar pelas comemorações do 35.º aniversário do 25 de Abril e a jornada de luta do 1º de Maio.
Quanto ao reforço do Partido, é justo realçar os avanços alcançados na sequência da aplicação de medidas e orientações definidas pelo XVIII Congresso – e que se expressam numa crescente capacidade de intervenção das organizações e no reforço da sua ligação às massas trabalhadoras e às populações.
Também em matéria de enriquecimento da vida colectiva e democrática do Partido, importa sublinhar as muitas assembleias das organizações que têm vindo a ser realizadas, com destaque, na última semana, para a VIII Assembleia da Organização Regional de Castelo Branco, subordinada ao lema «É possível desenvolver o Distrito de Castelo Branco com o PCP mais forte», e com a mais elevada participação de delegados de sempre.
E é também visando o reforço do Partido, e com generalizado entusiasmo, que o colectivo partidário leva por diante a preparação da Marcha protesto, ruptura e confiança, marcada para o dia 23 de Maio, em Lisboa.

No que diz respeito às batalhas eleitorais, elas constituem uma oportunidade soberana para que os portugueses, utilizando o voto como arma de defesa dos seus interesses, condenem a política nacional e a política europeia do Governo, reforçando em votos e em mandatos a CDU – única força cujo reforço pode pôr termo a essa política.
Apresentada a lista da CDU para o Parlamento Europeu, estas eleições são, desde já, a tarefa prioritária no plano eleitoral, uma tarefa que passa pelo amplo esclarecimento sobre as razões e as vantagens do voto na CDU. Trata-se, afinal, do voto em quem tem provas dadas de um trabalho ímpar, em quantidade e em qualidade, quer no Parlamento Europeu quer em Portugal; do voto em quem dá garantias de o utilizar ao serviço dos interesses de Portugal e dos portugueses; do voto sério em gente séria e de palavra.
Relembrando todo o processo ligado ao Tratado de Lisboa – para o qual o PS e o PSD prometeram, e depois proibiram, o referendo – o camarada Jerónimo de Sousa sublinhou incisivamente a hipocrisia «desses partidos, que não deixaram que os portugueses se pronunciassem sobre o Tratado de Lisboa», que tiveram medo do voto popular e por isso o proibiram - e que «vêm agora, com eleições à porta, pedir aos portugueses que votem neles, porque querem eleger deputados ao Parlamento Europeu» - ou seja: «Aqueles que não confiaram nos portugueses, querem agora que os portugueses confiem neles».
Por isso é necessário, e é de justiça, que o eleitorado lhes dê, nas próximas eleições, a resposta que merecem.


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