Desemprego dispara em Portugal

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego disparou 23,8 por cento em Março, face ao mesmo mês de 2008.
De acordo com os dados divulgados, no dia 23, pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), o número de inscritos no final de Março elevava-se a 481.131, ou seja mais 93.105 indivíduos do que há um ano.
Em relação a Fevereiro, verificou-se um aumento de 3,2 por cento, com mais 14.832 desempregados registados. O flagelo social afecta a generalidade da população activa, incluindo os estratos com níveis de habilitação superior. Assim, os dados do IEFP mostram 40.960 licenciados inscritos em busca de emprego, isto é, mais 10,1 por cento do que há um ano.
Os operários e trabalhadores da indústria extractiva e construção civil foram os mais atingidos, observando-se uma subida do desemprego de 84,2 por cento num ano. Seguem-se os operários da metalurgia com mais 46 por cento de desempregados no espaço de um ano. O emprego precário foi a principal causa da perda do emprego, sendo responsável por 38,8 por cento das inscrições efectuadas em Março.
O desemprego afecta todas as regiões do País, mas o Algarve surge pelo quinto mês com o maior aumento, registando em Março uma subida de 55,2 por cento relativamente a 2008. Por outro lado, o Norte é a região com maior número de desempregados (208.023 inscritos, 43 por cento do total), seguindo-se a Região de Lisboa e Vale do Tejo com 143.003 inscritos.


Miguel Serrano homenageado

A Câmara Municipal de Moura e o Sindicato dos Jornalistas homenagearam, no dia 23, o jornalista, escritor e militante comunista Miguel Serrano, falecido em 24 de Julho de 1996. A iniciativa inseriu-se na Feira do Livro, organizada pela autarquia, e, para além de lembrar «um filho de Moura», visou igualmente «homenagear os homens e mulheres ligados à cultura que nos tempos da ditadura remavam contra a corrente e todos os que agora escrevem em liberdade», refere uma nota do município.
No âmbito da evocação, foi lançado o livro Seara Resgatada, uma colectânea de textos escritos por Miguel Serrano, na década de 50, no jornal A Planície. A Obra foi apresentada por Correia da Fonseca, crítico de televisão e colaborador regular do nosso jornal.
Miguel Serrano nasceu em Moura, em 17 de Maio de 1922. Iniciou a sua carreira no jornalismo como colaborador do Jornal de Moura, e funda, nos anos 50, o jornal A Planície.
Em Lisboa, ingressou no jornal A República, do qual foi chefe de redacção até finais de 1974. Foi sub-chefe de redacção do Diário de Notícias e director da revista Vida Rural e, em 1976, foi um dos fundadores do matutino O Diário, onde exerceu os cargos de chefe de redacção e coordenador do suplemento cultural.
Escritor, com vários livros publicados, reformou-se em 1990, regressando ao Alentejo para exercer, em Beja, o cargo de director-adjunto do Diário do Alentejo. Em 1994, integra o grupo de fundadores do jornal ABC de Algés, quinzenário regional e cultural.


Território Inimigo

Território Inimigo é o título do novo livro de Domingos Lobo, publicado recentemente pelas Edições Cosmos. Romancista, contista, dramaturgo, poeta e ensaísta, o autor de Os Navios Negreiros Não Sobem o Cuando (1993), um importante relato sobre a guerra colonial em África, brinda-nos agora com uma colectânea de contos centrados sobre quadros da actualidade, grande parte dos quais recuperados de As Lágrimas dos Vivos, livro editado em 2005. Uma reflexão que tem como fio condutor a liberdade. «Não a liberdade estereotipada, formal que a retórica institucional impõe», mas aquela que «só se alcança no respeito pelo “outro”, com o “outro”», lê-se na apresentação da presente edição.


Novo livro de Miguel Urbano

O novo livro do escritor e jornalista Miguel Urbano Rodrigues, Meditação Descontínua Sobre o Envelhecimento, foi apresentado em Coimbra, dia 25, pelo médico Jorge Seabra, numa sessão realizada na Casa Municipal da Cultura.
Nesta obra, o autor volta a reflectir sobre os grandes acontecimentos do século XX. Partindo da crítica ao mito do homem novo, Miguel Urbano aborda as causas das derrotas e fracassos do socialismo que conduziram à actual crise de civilização.
Porém, como se refere no prólogo, «este livro não é um ensaio», mas «uma meditação muito pessoal, sem objectividade (...) com contornos quase autobiográficos».


Joana Campeoa

Da autoria de Joseia Matos Mira, Joana Campeoa é um romance histórico sobre a vida de Mariana Janeiro, costureira de Baleizão e destacada lutadora antifascista. Neste livro, a autora conta-nos como o exemplo de Mariana influenciou o seu próprio destino, e remete-nos para episódios heróicos das lutas do operariado agrícola no Alentejo dos anos 50, «nos tempos em que a voz de um era a voz de todos, porque a miséria e a injustiça os unia».
Mulher coragem, militante comunista, Mariana foi uma das muitas vítimas da repressão fascista, sendo várias vezes presa e torturada pela PIDE, que lhe queimou os olhos com fósforos, cegando-a e deixando-lhe mazelas para o resto da vida. «Vejo-a de espada imaginária em punho, ela que me deu a vida, hora a hora, dia a dia, e parece que todos, quase todos te esqueceram, Campeoa, e alguns até te caluniaram», anota Joseia Matos Mira, nesta obra publicada pelas Edições Leitor.


Resumo da Semana