Acção social escolar
Menos demagogia e mais apoios
Com o tema da educação em pano de fundo, o primeiro-ministro aproveitou o debate quinzenal para
novos anúncios, nomeadamente o de que o Governo apresentará em breve uma proposta no sentido do alargamento da escolaridade obrigatória, bem como de um programa de bolsas de estudo no secundário a partir do próximo ano lectivo.
E respondendo a questões colocadas pelo dirigente comunista enfatizou o alargamento no ano passado do apoio social a mais 73 mil alunos do ensino superior e da acção social escolar nos outros níveis de ensino, que terá duplicado, abrangendo hoje 500 mil alunos.
Números que não impressionaram o Secretário-geral do PCP que, já anteriormente, iniciando a sua interpelação ao chefe do Executivo, chamara a atenção para o acréscimo preocupante de crianças subalimentadas que chegam às escolas em consequência da falta de recursos de muitas famílias. Aperto financeiro que impede igualmente a aquisição de manuais escolares e outros materiais no ensino básico, enquanto no superior as dificuldades traduzem-se desde logo no próprio pagamento das propinas.
Daí que Jerónimo de Sousa tenha refreado o entusiasmo do primeiro-ministro, aconselhando-o a uma maior prudência na abordagem da situação, que, do seu ponto de vista, «exige menos demagogia e mais apoios e reforço da acção social escolar às famílias carenciadas».
E por isso o repto lançado a José Sócrates no sentido de saber se «está ou não disponível» para viabilizar os dois projectos de lei do PCP que, entre outras medidas, estabelecem o aumento dos apoios no âmbito da acção social escolar aos alunos do básico e secundário e – questão que o primeiro-ministro silenciou completamente – sobre o regime suplementar de apoio aos estudantes do ensino superior.
Afirmando que o Governo «está muito atento», garantiu que há «os instrumentos que permitam responder» a qualquer «nova situação», considerando por fim que o alargamento da acção social escolar «responde às dificuldades das famílias com as despesas escolares».
«Não venha com essa conversa. Isso não resulta», afirmou Jerónimo, dirigindo-se ao primeiro-ministro, a quem lembrou que «tendo em conta o agravamento da crise, dos 800 novos pedidos de bolsas de estudo, só 16» foram atribuídas, não abrangendo por isso «a esmagadora maioria das famílias que estão numa situação dramática».
«Não acha que neste quadro de crise o Governo deveria ter a responsabilidade de apoiar as famílias mais carenciadas, particularmente em relação ao ensino superior?», questionou Jerónimo de Sousa, insistindo em realçar a enorme importância e alcance da proposta do PCP com vista a garantir que os estudantes com membros do agregado familiar no desemprego tenham a possibilidade de continuar a estudar.


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