A repressão patronal procura travar a sindicalização
Por salários, emprego e direitos
Lutas com razão
Nas cervejarias Portugália, no Hotel Marriott, na Visteon, na EMEF, na Refer, os trabalhadores e os sindicatos da CGTP-IN rompem pressões e chantagens patronais e passam à luta por reivindicações justas.
À segurança do Porto de Lisboa e, daqui, à PSP, chegaram «informações» de que, na hora de almoço da passada quinta-feira, havia «tumultos» em Belém, junto ao «espelho de água», onde há uma década funciona mais uma das cervejarias Portugália. O embaraço dos funcionários do Porto foi testemunhado pela nossa reportagem, que ali se deslocou para acompanhar um protesto promovido pelo Sindicato da Hotelaria do Sul. Ao mesmo tempo, esta situação veio acrescentar mais um traço, na descrição do clima de repressão e intimidação que a administração é acusada de instalar entre os 500 trabalhadores das suas quase duas dezenas de estabelecimentos (onde também se incluem as duas cervejarias Trindade).
«Não são respeitados direitos inscritos no contrato colectivo de trabalho, em relação a horários, folgas, pagamentos de feriados, e a administração reage com acções repressivas contra quem protesta e organiza os trabalhadores», explicou Rodolfo Caseiro, coordenador do sindicato, notando que se trata de cervejarias recentes, muitas delas instaladas em centros comerciais, onde está a ser feito um esforço para aumentar o número de sindicalizados e eleger delegados. «A repressão é para tentar travar isto», acusou, «mas já temos nove delegados sindicais, e encontramos malta tesa, que não se deixa amedrontar, como um camarada, que teve por "castigo" ser transferido e logo se ofereceu para delegado sindical no novo local de trabalho», contou.
Um delegado sindical, que esteve suspenso por um mês, sem vencimento, participou na acção de 30 de Abril. Jorge Barreiro contou que, nos dez anos de serviço na cervejaria de Belém, nunca teve problemas, a não ser desde há cerca de um ano, «desde que entrei para o sindicato e comecei a sindicalizar outros». Actualmente, dos 50 funcionários, cerca de 90 por cento estão no sindicato. O descontentamento tem a ver com alterações nos horários e retirada de folgas, porque «reduziram o pessoal, aumentaram a carga de trabalho e querem concentrar mais gente no fim-de-semana». Em Janeiro já fizeram greve e «os que aderiram estão a sofrer represálias».
Outro delegado, na Trindade, está agora sob suspensão.
No folheto distribuído aos clientes, durante cerca de duas horas, refere-se ainda a elevada precariedade e os baixos salários, que contrastam com o prestígio da marca Portugália.
Conforme a resposta da administração a uma reunião pedida para amanhã, a distribuição de folhetos aos clientes poderá repetir-se noutros estabelecimentos e o sindicato admite mesmo promover uma acção junto à sede do grupo, na Lapa.
No dia 29, no Hotel Marriott, um dos plenários mais participados dos últimos tempos aprovou a realização de uma greve, para dias 8 e 9. Rodolfo Caseiro contou que o hotel decidiu realizar, à mesma hora do plenário, uma «iniciativa verde» de sensibilização e divulgação ambiental, «com beberete e com distribuição individual de convites» a cada funcionário. Mas os trabalhadores, na sua grande maioria, optaram pelo plenário e aprovaram a realização da luta. Em causa está a negociação do caderno reivindicativo, a que a administração respondeu com uma proposta de zero por cento de actualização salarial em 2009.

Visteon

Contra a recusa de qualquer actualização salarial, anunciada pela administração, e por um aumento mínimo de 45 euros na remuneração mensal, os trabalhadores da Visteon, em Palmela, estiveram em greve, de três horas por turno, nos dias 29 e 30 de Abril. Como também protestam contra o agravamento dos preços no refeitório, recusaram utilizá-lo e tomaram as refeições frente às instalações da fábrica de componentes para a indústria automóvel. Um dirigente do SIESI/CGTP-IN e trabalhador da empresa referiu à agência Lusa que a luta teve um índice de adesão de 60 a 70 por cento. Paulo Ribeiro lembrou ainda que, nos últimos cinco anos, aquela unidade apresentou 200 milhões de euros de resultados líquidos.

Ferroviários

Representantes dos trabalhadores da EMEF realizam hoje uma vigília, entre as 10 e as 17 horas, frente à sede da empresa, na Venda Nova, Amadora. A decisão foi tomada em plenários, há uma semana, e tem por objectivo levar a administração a respeitar o direito à negociação colectiva e honrar compromissos que assumiu. A resolução aprovada pelos trabalhadores exige ainda do Governo que justifique o aumento, de mais de 53 por cento, dos custos com os órgãos sociais da empresa, em 2008, quando os prejuízos mais do que duplicaram e a situação difícil serviu de justificação para não cumprir o que foi acordado com o SNTSF/CGTP-IN e a CT.
A Refer, no dia 29 de Abril, «recuou na sua arrogância e prepotência» e um representante da administração foi receber dos representantes dos trabalhadores uma resolução que aprovaram e foram entregar na sede da empresa. No dia 23, a uma iniciativa semelhante, a administração fez-se «substituir» pela Polícia. Agora, além de repudiar esta atitude, a resolução reafirma as reivindicações e propostas e define o dia 16 de Maio como limite para abertura de um processo de negociação. «Na falta de avanços», o sindicato decidirá outras acções de luta.


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