Editorial

«Levar a luta até ao voto, fazer do voto arma de luta»

PROTESTO, CONFIANÇA E LUTA

Num quadro de forte agravamento da situação económica e social a que a política de direita conduziu o País, e de intensificação cerrada da ofensiva ideológica contra o PCP, os militantes comunistas prosseguem, com confiança, a sua diversificada actividade.
E esse é, mesmo, o dado mais relevante da situação actual, tendo em conta a intervenção singular do PCP: o seu papel no combate à política de direita, em estreita ligação com os trabalhadores e os seus problemas; as suas propostas visando uma ruptura com essa política e um novo rumo para o País.
Entretanto a crise agrava-se e ameaça vir a transformar-se na mais profunda e duradoura de sempre. O Governo tem como preocupação exclusiva resolver os problemas do grande capital e salvar o capital financeiro, ignorando os grandes problemas que afectam a imensa maioria dos portugueses: medidas contra o desemprego, não há; políticas visando combater a situação dramática em que vivem milhares e milhares de famílias, não há. Bem pelo contrário: milhares e milhares de trabalhadores são confrontados todos os dias com o encerramento de empresas, o lay-off, o desemprego, a precariedade, as reduções de salários e os salários em atraso - enquanto os quatro maiores bancos privados anunciam que os lucros obtidos no primeiro trimestre subiram em relação a igual período do ano anterior, com o BCP a sextuplicar os seus lucros.
A pretexto de uma pretensa estabilidade governativa considerada indispensável, só pensam na maioria absoluta, fingindo esquecer-se de que há uma maioria absoluta em funcionamento há quatro anos e que a estabilidade daí resultante foi para o grande capital, para os grandes grupos económicos e financeiros, provocando uma dramática instabilidade na economia nacional e nas condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses. Na verdade, a única preocupação de todos esses estabilizadores é assegurar o prosseguimento da política de direita, seja com uma maioria absoluta de um só partido; seja com uma maioria absoluta pós eleitoral, na modalidade de Bloco Central, ou com a soma de todos os, directa ou indirectamente, interessados. Só não dizem – porque o tempo é de campanha eleitoral - que depois das eleições tudo será pior, tudo se agravará para os trabalhadores, o povo e o País.

A mais do que evidente provocação contra o PCP montada a propósito do 1.º de Maio; a manipulação e mistificação em torno da lei de financiamento dos partidos; as «análises» fabricadas a (des)propósito das posições do PCP; o silenciamento ou a deturpação da actividade e das propostas do Partido; o retorno a invencionices sobre pretensas «crises internas»; a vaga de «sondagens de opinião», numa clara tentativa de influenciação do voto do eleitorado, procurando desviá-lo da CDU e encaminhá-lo... para qualquer lado, tanto faz... – constituem traços essenciais de uma ofensiva que, projectando uma imagem negativa e falsa do PCP, visa evitar, no plano eleitoral, a mais do que evidente perspectiva de crescimento da CDU - um crescimento que decorre da postura do Partido face à política de direita e da sua implantação como a grande e verdadeira força alternativa e com um verdadeiro projecto alternativo a essa política, um projecto de ruptura e de mudança, de facto, rumo a Abril de novo.
E é na resposta a esta ofensiva, através da acentuação da luta e do reforço do Partido, através da crescente intervenção na batalha eleitoral, que o nosso grande colectivo partidário afirma o seu papel decisivo.

No próximo dia 23, milhares de militantes comunistas, de activistas da CDU, de homens, mulheres e jovens identificados com os objectivos da luta contra a política de direita e por uma alternativa de esquerda, desfilarão em Lisboa, do Saldanha para o Marquês de Pombal, numa Marcha que se anuncia como uma poderosa acção de protesto, de luta e de confiança na luta, que o mesmo é dizer, na força das massas em movimento. Virão de todo o País e, porque constituem o núcleo fundamental das múltiplas e importantes lutas até agora levadas à prática em todos os sectores de actividade, trarão consigo muitos dos seus companheiros de luta, independentemente das suas opções ideológicas, e até partidárias, e transportarão consigo as aspirações e anseios de todos os que têm participado nas muitas jornadas de luta até agora realizadas.
E essa será uma forma de levar a luta até ao voto e de fazer do voto, no dia 7 de Junho, uma importante arma de luta; de dar mais força à campanha eleitoral para o Parlamento Europeu, mobilizando para o voto na CDU aqueles sobre os quais recaem todos os dias as consequências nefastas da política de direita; de demonstrar que o voto na CDU é o voto que afirma a soberania e a independência nacional como parte integrante de um projecto de desenvolvimento radicado na defesa dos interesses do País, da sua produção, dos direitos e interesses dos trabalhadores; de demonstrar que o voto na CDU é o único que pode pôr fim à política de direita e abrir o caminho para uma alternativa de esquerda – e que, por isso, é o único que se projecta para lá das eleições, que conta para as lutas do dia e dos dias a seguir às eleições.
Porque, como afirmou o camarada Jerónimo de Sousa no comício de Alhandra, «seja qual for o resultado das eleições, já no próximo dia 7 de Junho, no dia seguinte lá estaremos na linha da frente e no combate contra as injustiças e a exploração, lá estaremos na luta por uma vida melhor. Mas os trabalhadores e o povo português têm de saber agora que quantos mais força e votos tiver a CDU, mais forte será a sua luta!».


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