Muito número, pouco rigor
Sondagens e pressões
O papel que em regra tem sido destinado às sondagens no nosso País – não a de se constituirem como um factor de avaliação e conhecimento de atitudes ou opções políticas e eleitorais, mas sim a de serem instrumentalizadas para as formatar ou condicionar – exige que sejam lidas e vistas, desde logo pela larga massa de militantes, com o valor relativo e as intenções que as acompanha.
No sobe e desce das sondagens convém fixar a nossa leitura tendo como ponto de partida que o que há que comparar são os resultados obtidos nas últimas eleições, e não os resultados da última sondagem; que o papel que nos cabe é, não o de analistas de extrapolações eleitorais, mas sim o de activos construtores de uma expressão eleitoral que mais uma vez desminta nas urnas presságios negativos que as sondagens veiculem.

Comparar o que é comparável

7.57% nas Legislativas de 2005 e 9.46% nas Europeias de 2004. São estes os valores de referência a partir dos quais a leitura dos resultados a obter pela CDU nas eleições de 2009 deve ser feita.
O que importa decisivamente é o reforço da expressão eleitoral da CDU, do número de portugueses que confiam e engrossam a corrente dos que exigem uma mudança na vida política nacional, dos que vêem na CDU a mais consequente e decisiva força capaz de impor uma ruptura com a política de direita. E não as eventuais trocas ou drenagem de votos entre outros ditadas quase sempre por razões de conjuntura ou opções mais descomprometidas de uma real vontade de mudança que vá para lá das caras e protagonistas.

Com toda a confiança
7 de Junho, CDU, sem falta


A nossa disputa é, não com as sondagens ou com quaisquer outros partidos, mas sim com os eleitores, para ganhar mais e mais homens e mulheres para, com o seu voto na CDU, darem mais força à defesa dos interesses dos trabalhadores e do País.
Estamos nestas eleições com a confiança de quem se apresenta para crescer e reforçar, de quem sente no dia a dia um largo apoio às nossas propostas e ao nosso projecto. É com este sentido de olhar em frente e não para quem está ou vem atrás que nos apresentamos a estas eleições.
E sobretudo convém fixar a nossa leitura tendo como ponto de partida que o que há que comparar são os resultados obtidos nas últimas eleições, e não os resultados de sondagens.
Recordemos o que se passou em 2006, aquando da candidatura do Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, às eleições presidenciais.
Semana após semana, dia após dia, os portugueses foram submetidos a uma operação de condicionamento construída na base da projecção diária de sondagens marcadas por uma deliberada desvalorização do valor estimado da candidatura de Jerónimo de Sousa e de valorização de outros. Dia após dia, ao longo de dez persistentes dias, Louçã apareceu nesta sondagem sempre acima de Jerónimo de Sousa. As previsões foram corrigidas no dia das eleições pelo voto dos portugueses, na expressão dos resultados eleitorais: Jerónimo de Sousa – 8.6%; Francisco Louçã – 5.3%.

Os palpites da Marktest e de Luís Queiró

Perante a falência absoluta destas «sondagens» o presidente da Marktest veio a público não para admitir eventuais erros, mas para responsabilizar os eleitores! Anote-se a explicação:
«Ainda assim, alguns vêm agora dizer que Cavaco e Louçã foram sobrestimados e Jerónimo de Sousa subestimado: Em vez de criticarem as sondagens, deveriam procurar as razões para que os entrevistados se tenham pronunciado dessa maneira» – Luís Queiró, presidente do Grupo Marktest (DN, 13/02/06)

Três insondáveis mistérios

Em 2009, com novas eleições à porta, constatamos, face à recente sondagem da Universidade Católica, estar perante três insondáveis mistérios:
1.º – O mesmo resultado para europeias e legislativas.
À luz de um resultado para as europeias, que no caso da CDU é desde 1989, a sondagem apresenta um diferencial de 1 a 2 pontos percentuais acima do das legislativas.
2.º – Um registo de estimativa para a CDU ao arrepio dos anteriores estudos da empresa.
O resultado projectado é dois pontos percentuais mais baixo do da média das seis últimas sondagens feitas pela mesma empresa, e três pontos abaixo do de 14/12/08. Culpa é dos inquiridos na não distinção da pergunta sobre dois actos diversos; decisão de tomar como votantes os que inquiridos em casa dão opinião sem terem a mínima disposição de pôr os pés nas assembleias de voto; ou instrumento de pressão sobre os eleitores?!
3.º – Um sentido de quebra da CDU sem correspondência com estudos de outras empresas.
A observação de outros estudo recentes (exemplo dos da Eurosondagem que nos últimos 4 meses revelam em cinco estudos a CDU a subir ou estabilizada em valores superiores ao obtido nas últimas legislativas) torna difícil perceber a projecção agora pressagiada para a CDU.

Quadro anexo


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