Editorial

«Uma Marcha a dizer que a luta continua e que, com ela, a vitória é certa»

A FORÇA DA CONFIANÇA

Por todo o País, milhares de militantes comunistas preparam com entusiasmo a Marcha que depois de amanhã desfilará entre o Saldanha e o Marques de Pombal – Marcha de protesto contra a política de direita e as suas consequências sobre o País e o povo; Marcha de confiança na possibilidade de derrotar essa política e de a substituir por uma política de esquerda; Marcha de afirmação da disponibilidade das massas para prosseguir e intensificar a luta por esses objectivos. Por isso, Marcha que será ponto de passagem para as necessárias batalhas futuras.
Nela participarão homens, mulheres e jovens que têm estado no cerne das muitas lutas travadas nos últimos tempos. Ali estarão muitos milhares de trabalhadores, comunistas e não comunistas, a afirmar, confiantes, que sim, é possível uma vida melhor; que sim, é possível dar a volta a isto; que sim, é possível dar mais força à luta.
Sabe-se que a luta de massas – que tem sido essencial para impedir a política de direita de atingir todos os seus objectivos – é o caminho para derrotar definitivamente essa política e construir uma alternativa política e uma política alternativa. Nesse sentido, A Marcha de 23 de Maio constituirá um impulso decisivo para o desenvolvimento da luta no futuro imediato, ao mesmo tempo que dará mais força à intervenção dos apoiantes da CDU na batalha eleitoral para o Parlamento Europeu – uma batalha que se reveste, também ela, de enorme relevância, sabendo-se que quanto maior for a votação na CDU mais forte será a luta no dia seguinte às eleições e mais perto e mais ao alcance ficarão a ruptura e a mudança rumo a Abril de novo.

Que a luta de massas é decisiva, sabem-no, tão bem como os trabalhadores, os seus inimigos de classe.
Daí os esforços que têm desenvolvido na tentativa de enfraquecer ou liquidar a acção organizada dos trabalhadores. E, como sabemos, tem valido tudo, desde a fortíssima ofensiva mediática visando instalar, nos trabalhadores, a ideia da inutilidade da luta e da resignação e do conformismo – ofensiva conduzida pelo exército de analistas de serviço à política de direita; até às ameaças, chantagens e medidas repressivas no interior das empresas, muitas vezes violando leis laborais que eles próprios fizeram.
E incomoda-os e irrita-os verificar que, não obstante tudo isso, a luta não só não parou, como se intensificou e alargou, confirmando que, neste tempo marcado pelo agravamento da situação económica e social, a necessidade de intensificação e desenvolvimento da luta de massas se apresenta como questão essencial.
Com efeito, a crise – a mais grave de sempre – ameaça ser também a mais duradoura. Por efeito da política do Governo, o desemprego aumenta, atingindo os mais elevados índices registados após o 25 de Abril e incidindo brutalmente sobre os jovens; os salários reais descem – e aumenta o número de trabalhadores com salários em atraso; a exploração acentua-se; as desigualdades sociais aprofundam-se; a pobreza, a miséria e a fome alastram; as condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses agravam-se – enquanto do outro lado desta realidade, os grandes grupos económicos e financeiros aumentam os lucros e têm como exclusiva preocupação assegurar a continuação da política que conduziu o País à dramática situação actual, seja através do governo de um só partido, seja com o recurso ao chamado Bloco Central.
E só com a luta é possível alterar esta situação.

É, então, neste quadro que o PCP e os seus aliados na CDU organizam a Marcha de 23 de Maio e, plenos de confiança, vêm à rua dizer que a luta continua e que com ela a vitória é certa - ao mesmo tempo que intervêm na batalha eleitoral do Parlamento Europeu, levando por diante uma grande campanha política de massas, de contacto com todos os sectores da sociedade portuguesa, informando e esclarecendo sobre as suas razões, as suas propostas, os seus objectivos. Prática intolerável, esta, aos olhos dos que têm como único objectivo prosseguir a política de direita – e que eles penalizam à sua maneira.
Talvez nunca como actualmente, os órgãos da comunicação social dominante tenham levado tão longe a sua tradicional prática de desinformação organizada. Talvez nunca como actualmente, os seus critérios informativos tenham sido tão minuciosa e cirurgicamente aplicados. É simples: tudo o que é anticomunista tem espaço e tempo à discrição em todos os média dominantes – quanto à actividade dos comunistas e dos seus aliados, ela é silenciada, deturpada, manipulada, por vezes com o recurso a argumentos que constituem verdadeiros actos de insolência provocatória.


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