A dimensão dos protestos reflecte a degradação das condições de vida
Manifestações varrem Europa
Clamor pelo emprego
Várias centenas de milhares de trabalhadores participaram numa sucessão de manifestações que secundaram o apelo da CES a uma jornada europeia para exigir «prioridade ao emprego».
Mais de 350 mil trabalhadores desfilaram pelas ruas de Madrid, Bruxelas, Berlim e Praga, nos dias 14, 15 e 16, respectivamente, respondendo ao apelo da Confederação Europeia de Sindicatos à participação em massa nestas jornadas de acção.
Numa declaração divulgada no sábado, 16, o secretário-geral da CES, John Monks, considerou que «a dimensão destas euromanifestações revela a preocupação crescente dos trabalhadores face ao futuro. O mundo do capitalismo financeiro imagina, após alguns sinais tímidos de retoma, se regressará mais cedo ou mais tarde aos bons velhos hábitos, apesar de este sistema ter sofrido uma crise cardíaca. Esta gente parece esquecer igualmente que permanece sob respiração assistida dos contribuintes, os quais não permitirão mais que a avidez e o egoísmo possam provocar prejuízos que se cifram em vários biliões de euros. Precisamos urgentemente de uma regulamentação mais forte dos mercados financeiros e de um reforço da influência dos trabalhadores nos conselhos de administração. Os trabalhadores querem também programas de apoio à indústria e ao emprego, bem como medidas ambiciosas para lutar contra o desemprego crescente. É esta a mensagem lançada esta semana da rua em toda a Europa».

Mudar de políticas

A primeira das quatro grandes manifestações convocadas pela Confederação Europeia de Sindicatos teve lugar em Madrid, no dia 14, reunindo mais de 150 mil pessoas. A CGTP-IN participou neste grandioso protesto com cerca de mil trabalhadores filiados em sindicatos da central portuguesa. Também a Federação Nacional dos Professores (FENPROF) se fez representar com uma delegação na capital espanhola.
No dia seguinte, sexta-feira, 50 mil trabalhadores de outros países europeus, confluíram para Bruxelas, a capital belga. «Prioridade aos trabalhadores», «As pessoas estão primeiro, não os lucros», «Por uma Europa social, não do dinheiro e dos patrões» foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes.
No sábado, 16, pelas ruas de Berlim, a capital da Alemanha, mais de 100 mil pessoas desfilaram em protesto contra a escalada do desemprego. A quatro meses das eleições legislativas, o presidente do Partido Social-Democrata alemão, Franz Müntefering, não hesitou em se juntar aos manifestantes, apesar de o seu partido partilhar responsabilidades de governo com os conservadores democratas-cristãos.
«Estamos aqui para nos opormos ao capitalismo financeiro internacional. Hoje devemos fazer tudo para proteger o emprego», disparou Müntefering, como se os sociais-democratas nada tivessem a ver com as políticas neoliberais seguidas nas últimas duas décadas, designadamente pelos governos de Gerhard Schroeder.
Por seu lado, os sindicatos alemães exigem uma inversão de políticas que permita aumentar os salários, assegurar as reformas e reforçar as funções sociais do Estado, muitas das quais foram destruídas precisamente pelos célebres pacotes Hartz aprovados pela coligação SPD/Verdes.
No mesmo dia, reivindicações semelhantes foram ouvidas noutras cidades europeias. Em Praga, manifestaram-se cerca de 20 mil pessoas ainda no âmbito da acção convocada pela CES. Também no Luxemburgo, os sindicatos organizaram um protesto contra o desemprego e os ataques aos direitos dos trabalhadores. Neste pequeno país com apenas 480 mil habitantes, o desemprego afecta oficialmente 14 mil pessoas, 30 por cento das quais são emigrantes portugueses.

Fiat em luta

Em Turim, no Norte da Itália, perto de 15 mil operários da Fiat partiram da fábrica de Mirafiori e caminharam até à sede histórica do grupo automóvel em Lingotto, no centro da cidade. Preocupados com os projectos de fusão em curso com a Opel, os trabalhadores quiseram dar um sinal da sua determinação de lutar pelos postos de trabalho.
Segundo os sindicatos, que se baseiam em documentos internos do grupo, se a Fiat se associar à Opel, poderão encerrar a fábrica de Termini Imerese (Sicília), a Opel de Kaiserslauttern (Alemanha) e outros estabelecimentos na Grã-Bretanha e na Áustria.
Também a unidade napolitana de Pomigliano deverá ser redimensionada.


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