Os governos não fazem nada por nós
CDU no distrito de Lisboa
Condenar o Governo e a sua política
Ilda Figueiredo, em mais um grande dia de campanha, visitou, sábado, o distrito de Lisboa. Um contacto directo, sincero, honesto, essencialmente fraterno, com trabalhadores e com as populações, afirmando e alertando para a necessidade, no dia 7 de Junho, do voto na CDU, para romper com as políticas de direita e defender os interesses nacionais.
O dia começou, logo pela manhã, em Loures, no Mercado Levante, onde a cabeça de lista da CDU ouviu as queixas dos comerciantes e de todos aqueles que por ali, com os «trocos» contados, tentavam encontrar um bom negócio. O ponto de encontro foi no Largo 4 de Outubro, um dos espaços mais emblemáticos da cidade, onde se encontravam dezenas de militantes e activista, que, empunhando as cores da CDU, distribuíam os materiais de campanha, onde se lia: «No dia 7 de Junho, CDU sem falta». «As próximas eleições são uma oportunidade para condenar o Governo PS e mais 33 anos de políticas de direita de PS, PSD e CDS-PP», lê-se nos documentos.
A marcar passo, que não podia ser lento, uma vez que o tempo é escasso, estavam os «Tarolas», do Grupo Desportivo da Lousa. «Nós gostamos de estar aqui; Para cantar para vocês; Se nos quiserem ouvir; É só pedir outra vez», cantaram, em grande sentido rítmico, dirigindo-se a Ilda Figueiredo, que, em cada uma das tendas, deixou uma mensagem de confiança: «Contra as injustiças sociais. Queremos emprego com direitos e melhores salários e reformas», defendeu a sempre reconhecida candidata.
«Nós estamos na miséria», respondeu-lhe uma senhora, acrescentando: «Os governos não fazem nada por nós, desta vez vou votar na CDU».
Aos mais jovens, que também quiseram cumprimentar a candidata, Ilda Figueiredo lembrou: «É preciso defender a escola pública de qualidade, em todos os níveis do ensino, incluindo o superior. Este injusto processo de Bolonha está a impedir que milhares de alunos continuem a estudar», criticou.
Da parte dos comerciantes, um dos problemas mais sentidos e denunciados é a actuação, às vezes inapropriada, da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). «Sabe que no Parlamento Europeu (PE) nós, a CDU, votámos contra o regulamento que permitiu que a ASAE andasse a fazer essas coisas aos pequenos e médios comerciantes e aos industriais? Agora, conseguimos que fosse aprovada uma pequena alteração ao regulamento», explicou Ilda Figueiredo, defendendo «o nosso rico património gastronómico e a nossa riqueza, que são especialidades nossas, como o queijo da Serra ou alguns enchidos». «Sem pôr em causa a saúde dos consumidores, queremos preservar o que de bom temos também em produtos regionais, que toda a vida foram produzidos com excelente qualidade pelos nossos produtores», acrescentou.

Estatuto salarial único

No final da acção, a cabeça-de-lista da CDU, numa declaração aos jornalistas, desafiou os deputados que se recandidataram ao PE a esclarecer se vão manter o ordenado ou passar a receber o salário único europeu, quase o dobro.
De acordo com o novo estatuto do deputado europeu, que o PCP votou contra, os eleitos que renovarem o mandato podem optar entre duas modalidades de salários: ou continuam a receber um ordenado igual aos deputados na Assembleia da República, na ordem dos 3815 euros, ou escolhem o salário único europeu, cerca de 7665 euros.
«Consideramos não ser correcto haver um estatuto salarial único para todos os deputados, independentemente do país de origem, porque isso não tem em conta a situação do país, além de que os salários dos trabalhadores e as reformas não são iguais em todos os países», afirmou, defendendo que «o salário do deputado no PE deve continuar a ser igual ao salário do deputado na Assembleia da República».
Sobre as recentes declarações de Marinho Pinto, bastonário da ordem dos advogados, que apelou ao «não voto», a candidata da CDU considerou que a melhor forma de mostrar o descontentamento das pessoas perante as políticas políticas de direita, seguidas pelos sucessivos governos, é «votando na CDU».

Denunciar as malfeitorias do Governo

A iniciativa de Loures contou com a presença de Paulo Piteira, candidato da CDU à Câmara Municipal. «Nós estamos a trabalhar para que a CDU tenha um bom resultado nas eleições para o PE, para a Assembleia da República e para as autarquias», frisou, ao Avante!, lembrando que a linha de trabalho da coligação, que naquele dia apresentou o seu candidato à Junta de Freguesia de Moscavide, passa, exactamente, «por denunciarmos aquilo que têm sido as malfeitorias do Governo, numa Câmara PS, que se mostra incapaz de resolver os grandes problemas do concelho». «Um bom resultado na CDU para as eleições no PE é como o código postal, é meio caminho para as eleições que vêm a seguir», salientou.

Almoço, em Sacavém, com sindicalistas
1654 postais por uma outra política

Depois de Loures, a comitiva rumou para o salão dos Bombeiros Voluntários de Sacavém, onde se realizou um almoço com dirigentes, activistas sindicais e membros de comissões de trabalhadores apoiantes da CDU.
Nesta iniciativa, que contou com a presença de Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP-IN, foram entregues a Ilda Figueiredo, 1654 postais, «porque uma outra política é possível, necessária e urgente». Presentes estiveram ainda, entre muitos outros, Paulo Raimundo, da Comissão Política do PCP, Francisco Lopes, deputado na Assembleia da República e do Secretariado da Comissão Política do PCP, e Ana Rita Carvalhais, candidata da CDU ao Parlamento Europeu.
«O ciclo eleitoral de 2009 é uma oportunidade para os trabalhadores, com o voto na CDU, de prosseguirem exigências que motivam as suas lutas», lê-se nos postais, entregues à candidata ao Parlamento Europeu (PE).
Entre as reivindicações dos trabalhadores encontram-se a valorização dos salários e das pensões, a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo, a defesa do emprego, o combate à precariedade e a revogação dos aspectos negativos do Código do Trabalho e da legislação laboral da administração pública.
«O nosso apoio à CDU faz-se todos os dias, na nossa acção e intervenção, nas empresas, nos locais de trabalho, e esse apoio deriva, fundamentalmente, da profunda identificação que existe entre aquilo que são as principais preocupações e reivindicações dos trabalhadores e as propostas da CDU para a Europa e para o País», afirmou Libério Domingues, membro da Comissão Executiva da CGTP-IN e do Comité Central do PCP, recordando que a CDU representa «a mudança política, urgente e necessária, reclamada pelos trabalhadores».
A entrega dos postais deixou Ilda Figueiredo muito sensibilizada. «Qualquer candidato, qualquer lista se sentiria muito orgulhosa por ter tal apoio do mundo do trabalho, e eu sinto», destacou, recordando que «um dos principais objectivos da CDU é defender os direitos de quem trabalha em Portugal e na União Europeia».
Sobre o desemprego que cresce todos os dias em Portugal, a candidata da CDU exigiu da União Europeia (UE) «um plano estratégico». «É preciso uma ruptura com o que se está a passar, dizer não ao Pacto de Estabilidade e à dita Estratégia de Lisboa, acabar com as liberalizações dos serviços públicos, melhorar os salários, as pensões, as reformas e os subsídios de desemprego», defendeu, prometendo levar a luta até ao voto, no dia 7 de Junho.

Combate político

Carvalho da Silva focou quatro aspectos centrais da necessidade de votar CDU. «É preciso sair desta situação de bloqueio, que é o avolumar de práticas e políticas concretas, seguidas ao longo do tempo», referiu, lembrando que «só é possível a alternativa se pusermos em evidência as causas e os responsáveis» pelo «desemprego», pela «precariedade no trabalho», pelo «aumento do défice público».
Em segundo lugar, o secretário-geral da CGTP valorizou o trabalho da CDU no PE, o que «mostra uma capacidade e um sentido enorme de responsabilidade em articular os problemas nacionais com os problemas europeus».
Depois, terceiro aspecto, Carvalho da Silva, acentuou que não há saída para a crise «se não se fizer a valorização do trabalho». «Nós encontramos na Ilda Figueiredo e nos outros eleitos da CDU a certeza de uma intervenção que procura responder, com muita eficácia, a questões que são prementes para o mundo do trabalho e para a sociedade», afirmou, acrescentando, em relação ao emprego, que «é preciso mobilizar todo o investimento, privado e público, para criar mais emprego ligado à economia real e à produção material de bens e serviços que sirvam o desenvolvimento da sociedade».
Por último, o dirigente da CGTP-IN lembrou que o recuo da Directiva do Tempo de Trabalho, só foi possível «graças às forças políticas que, de forma persistente, nunca desarmaram do combate político».

Solidariedade com os professores em luta

Ilda Figueiredo esteve, a meio da tarde, em Lisboa, onde manifestou a sua solidariedade aos mais de 80 mil professores em luta (ver páginas 20 e 21). Aos jornalistas, a candidata da CDU, que também já foi professora, demonstrou a sua preocupação com a educação no País e afirmou estar «solidária» com a luta dos professores, que considera ser «digna» da sua «própria profissão».
Seguiu-se, mais tarde, uma sessão pública, na Praça de São Pedro, em Alverca, com a presença de Beatriz Matias, da Intervenção Democrática (ID). «A CDU apresenta propostas concretas e positivas em alternativa às políticas neoliberais impostas por Bruxelas, que têm sido apoiadas pelos nossos adversários políticos, com destaque para o PS e que tão gravemente afectam a vida da generalidade dos portugueses», focou a dirigente da ID.
Ali, depois da actuação de «Zé Pinto», foram ainda apresentados os 11 cabeças de listas da CDU às juntas de freguesia do concelho de Vila Franca de Xira. Carlos Coutinho e Nuno Libório, respectivamente, candidatos à Assembleia e Câmara Municipal, também estiveram presentes na iniciativa, que contou com mais de duas centenas de pessoas.
«Com o PS e as suas políticas anti-sociais, com o Código de Trabalho e a destruição de carreiras e direitos dos funcionários públicos, instalou-se um clima de medo e de repressão dentro das empresas e contra os direitos dos trabalhadores», afirmou Nuno Libório, dando conta de que o centro de emprego local «regista o número impressionante de seis mil desempregados inscritos.
«Basta, esta política está gasta!», repetiu, várias vezes, o candidato à autarquia, frisando que com o voto na CDU «iremos derrotar este ciclo de políticas desastrosas que inviabilizam toda e qualquer esperança por uma vida melhor».
Já Ilda Figueiredo forneceu alguns argumentos para reforçar a mobilização para o voto na CDU. «Vocês lembram-se que PS e PSD tinham prometido, no ano passado, o referendo sobre o projecto do Tratado de Lisboa? E o que é que eles fizeram? Disseram que não. Tiveram medo do voto das populações. Preferiram aprová-lo na Assembleia da República, sem a consulta que tinham prometido», acusou.

PS a distribuir «cheques»

Em Cascais, no início da noite, no Teatro Gil Vicente, Ilda Figueiredo exigiu explicações a José Sócrates sobre quantos membros do Governo têm participado na campanha «a distribuir cheques e benesses» pelo País.
«Quantos é que vocês já não viram na pré-campanha e na campanha a correr aí pelo País a distribuir uns cheques ou umas benesses ou umas promessas? Era bom que o primeiro-ministro desse uma explicação sobre isto» e «como é que está a usar toda a força que tem como Governo para intervir nesta campanha eleitoral?», interrogou a cabeça de lista da CDU, num comício que contou com a presença, para além de muitas outras centenas de pessoas, de Cláudia Madeira e Ana Avoila, candidatas ao PE.
Ilda Figueiredo acusou ainda o PS, o PSD e o CDS-PP de serem os «responsáveis» pela generalidade das más políticas em Portugal. «Escondem que cerca de 93 por cento das directivas e das orientações que tem reflexo na vida económica e social do nosso País foram votadas em conjunto», sublinhou, destacando que «eles [PS, PSD e CDS-PP] querem, agora, escamotear que as causas desta grave situação estão nas políticas que eles aprovaram em Bruxelas e em Estrasburgo, e que o Governo, aqui, em Portugal, ainda as conseguiu piorar, porque mesmo tendo fundos comunitários para tentar atenuar algumas das consequências, não os soube utilizar, ou não quis».
«Foram atribuídos a Portugal, entre 2007 e 2013, mais de 21 mil milhões de euros no âmbito do quadro de apoio financeiro (QREN). Vocês sabem quanto é que foi pago? Não chegou a 900 milhões de euros, ou seja, apenas quatro por cento do QREN, quando devia ter pago, no mínimo, 33 por cento [sete mil milhões de euros]. Então, afinal, o Governo não quer dar resposta às necessidades que nós temos de investimento público?», questionou.
Por seu lado, Ana Avoila recordou «o que se passou nos últimos quatro anos». «Os trabalhadores portugueses, no dia 7 de Junho, vão ter de fazer do voto mais uma forma de luta, porque o que está em cima da mesa é uma regressão dos direitos sociais e dos direitos laborais, como nunca tinha sido visto até então», avisou, a sindicalista, frisando que, hoje, «os trabalhadores portugueses têm menos salários» - uma grande parte em lay-off, por via de um Código de Trabalho que fez a regressão dos direitos laborais - e a «maior taxa de desemprego dos últimos dez anos».
O início desta grande acção de massas ficou marcada pela actuação musical de Sebastião Antunes e Tiago Pereira. «Não dêem cabo do mundo», apela o vocalista, numa mensagem direccionada ao «capital invertebrado».

Estado autoritário

Pedro Lopes Mendonça, vereador da CDU na Câmara de Cascais, referiu que o «capital e o País atravessam uma crise de identificação de valores, onde imperam os escândalos, a corrupção e o descrédito».
«Não se defende direitos, defende-se obrigações. O Estado de direito desapareceu e foi substituído por um Estado autoritário, com um primeiro-ministro que dita as leis arrogantemente, orgulhosamente só, reflexo de uma maioria PS na Assembleia da República, detentor da verdade universal, em que, à custa da manipulação da dita estabilidade política e económica, tem contribuído para uma desestabilização de todos os sectores de actividade social, produtiva e administrativa, subordinando-se aos ditames do poder económico, nacional e europeu», afirmou.
O autarca criticou ainda as deslocalizações e o lay-off de empresas no concelho de Cascais, nomeadamente da Euronadel e da Vitrohm, e as políticas de privatização dos sectores económicos, «que têm levado a situações de ruptura, como a privatização dos transportes públicos, ao criar a Scotturb, que não serve os interesses dos utentes, explora os trabalhadores, apesar dos subsídios que recebem». Para acabar, deu ainda o exemplo do novo Hospital de Cascais, de participação público-privada, «que antes de o ser já tem um processo no Tribunal de Contas».
«Só na CDU temos candidatos com capacidade, competência e honestidade para defender os nossos interesses, sem nunca esquecer os princípios básicos que nos regem e marcam toda a diferença pelo respeito da dignidade humana», concluiu.


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