Os «beneficiados» no fim da lista
Os trabalhadores da Administração Pública portuguesa «têm os salários mais baixos da zona euro», reafirmou segunda-feira a Frente Comum de Sindicatos, numa nota em que voltou a salientar que os dados objectivos contrariam, sem margem para dúvidas, a tese de que aqueles seriam «beneficiados».
Passadas as eleições para o Parlamento Europeu – em cujos resultados a estrutura mais representativa dos trabalhadores dos vários sectores da Administração Pública vê um recuo de 11 por cento do conjunto dos partidos da política de direita -, «regressa o ataque aos trabalhadores da AP, tendo em vista condicionar o voto dos portugueses» nos próximos actos eleitorais.
A Frente Comum lembra que, «recorrentemente, quando o Governo e o grande capital pretendem retirar direitos aos trabalhadores e diminuir os seus salários reais, vêm à baila, na comunicação social, os pretensos benefícios dos trabalhadores da Administração Pública» e, desta vez, a actualização salarial de 2,9 por cento, no final de 2008.
Contrapõe a Frente Comum de Sindicatos que:
- desde o ano 2000, os trabalhadores perderam de 7,2 a 10,4 por cento dos seus salários reais, pelo que os 2,9 por cento apenas diminuem minimamente essa perda;
- durante a última década, os trabalhadores da AP foram os mais penalizados na perda dos salários reais;
- o salário médio da AP portuguesa é o mais baixo da zona euro;
- com a possibilidade de despedimentos sem justa causa, foi criada na Administração Pública uma instabilidade que, além de fazer parte do ataque aos trabalhadores, «põe em causa a isenção, independência e eficácia da prestação dos serviços públicos, partidarizando-os e degradando-os, para assim poder justificar a sua inconstitucional privatização».


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