Incêndios devastam território

A área ardida em Portugal atingiu nos primeiros seis meses do ano valores idênticos a todo o ano de 2008, cerca de 17.200 hectares, segundo dados provisórios da Autoridade Florestal Nacional (AFN).
A área ardida até 15 de Junho mais do que quadruplicou face ao mesmo período do ano passado, quando arderam 4 251 hectares. As ocorrências também aumentaram, tendo subido 88 por cento relativamente a período idêntico do ano passado, com um total de 6981 (2 129 incêndios florestais e 4 852 fogachos).
Em número de ocorrências e de área ardida, os números deste primeiro semestre são já os mais elevados desde 1999, com excepção de 2005, quando se verificaram 10.662 ocorrências que afectaram 20.575 hectares.
Março foi o mês com o maior número de incêndios (3644) e área ardida (13.060), bem com em reacendimentos (181), correspondendo a área ardida a 76 por cento do total do ano. Vila Real, Bragança, Braga e Viseu são os distritos mais atingidos.


<i>O Caderno</i> de José Saramago

O Prémio Nobel da Literatura da Língua Portuguesa lançou, no dia 25, em Lisboa, o seu novo livro, intitulado O Caderno. A sessão foi transmitida em directo para todo o mundo através da Internet e consistiu numa conversa entre o autor e os bloguistas Isabel Coutinho e José Mário Silva sobre meio ano de actividade do blog (http://blog.josesaramago.org) onde, desde Setembro de 2008, o escritor tem divulgado os textos agora reunidos numa edição impressa.
Em Itália, onde o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, vetou a publicação do livro na editora Einaudi, de que é proprietário, o lançamento da obra está previsto para Setembro, sob a chancela da Bollati Boringhieri, e contará com a presença dos escritores Claudio Magris, Umberto Eco e Dario Fo que se solidarizaram com Saramago.
O escritor português tem feito duras críticas ao governante transalpino, a quem chama «delinquente, corrupto, um líder mafioso». Por isso Berlusconi tentou impedir a publicação do livro, mas apenas fez com que a Einaudi perdesse um autor do qual já tinha publicado cerca de 20 títulos.


Morreu o rei da <i>pop</i>

A estrela mundial da música pop, Michael Jackson, morreu no dia 25, na sua mansão de Los Angeles, devido a uma paragem cardíaca cujas causas continuam por apurar. Aos 50 anos de idade, Michael Jackson era o músico norte-americano com mais discos vendidos em todo o mundo, qualquer coisa como 750 milhões de exemplares, ao longo de uma carreira que teve como ponto culminante o álbum «Thriller» de 1982.
Envolvido num escândalo em 1993, em que foi acusado de abuso de menores, do qual se saiu graças a um acordo milionário, voltou a ser acusado das mesmas práticas em 2005 e foi sujeito a um longo julgamento que terminou com a sua absolvição.
Agora, após quatro anos de ausência dos palcos, preparava-se para iniciar uma digressão em 13 de Junho na capital britânica, para cujos concertos já tinham sido vendidos 750 mil bilhetes, no valor de 63,8 milhões de euros.


Romance inédito de Avelino Cunhal

Nenúfar no Charco é o título do romance de Avelino Cunhal, escrito e ilustrado pelo próprio em 1935, altura em que a sua publicação foi proibida pela censura fascista.
Passados 74 anos, as edições Leitor trazem finalmente esta obra à luz do dia, embora, como salientou o editor, Leonardo de Freitas, seja quase certo que a nova censura económica impedirá que este livro, à semelhança de tantos outros, chegue ao grande público através das grandes superfícies que controlam a quase totalidade do mercado livreiro.
Na sessão de lançamento realizada no dia 24, no Centro de Trabalho Vitória, em que esteve presente Eugénia Cunhal, o romance foi apresentado por Domingos Lobo que identificou influências de Dostoiévski e Tólstoi, de Zola e Victor Hugo no realismo social sempre perseguido por Avelino Cunhal tanto na literatura como no seu trabalho de pintor.
Sobre o autor, José Casanova, director do Avante!, fez questão de lembrar o papel de Avelino Cunhal na defesa dos direitos e liberdades democráticas. Neste sentido, referiu, é legítima a associação com o seu filho, Álvaro Cunhal.


Um conto de Rómulo de Carvalho

Datado de 1942, Bárbara Ruiva é um conto de Rómulo de Carvalho, a quem muitos preferem chamar António Gedeão, só agora publicado pela editora Página a Página. O original, encontrado entre os papéis do escritor depois da sua morte, permaneceu inédito porque Rómulo de Carvalho o teria desvalorizado, como se refere no aprofundado prefácio de Manuel Gusmão.
No entanto, sublinha ainda Manuel Gusmão, este conto «não é uma produção imatura nem inferior a alguns dos que integram o volume de ficções, A Poltrona e Outras Novelas, publicado em 1973». Tratando-se de «uma narrativa de uma súbita paixão (…) é um texto bem curioso, porque o acontecer dessa paixão nos é dado quase em directo».


Resumo da Semana