Sistema informático sob suspeita

O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, João Palma, em declarações ao jornal i, denunciou anomalias no sistema informático Citius que faz a gestão dos processos judiciais, afirmando que «há estranhos a entrar no sistema», e que processos em segredo de Justiça são sistematicamente violados.
João Palma, diz que «não é possível quantificar ou identificar» essas interferências» pois os estranhos entram e saem «sem deixar rasto».
Solicitado a comentar as palavras de João Palma, o gabinete do ministro da Justiça, Alberto Costa, rejeitou pronunciar-se sobre «afirmações vagas, infundadas e não provadas».
Apesar de se avolumarem as críticas e as acusações de que «algo está a falhar» – partilhadas pela Associação Sindical de Juízes e pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais – o Ministério garante que são feitas «verificações periódicas de segurança e funcionalidade» do programa.
Não deixa de ser curioso, no entanto, que o Governo tenha encomendado um estudo à empresa de auditoria KPMG sobre o desempenho do Citius «a expensas dos contribuintes», e que ainda não tenham sido divulgadas as respectivas conclusões, alegadamente já na posse do Ministério.


<i>Artistas Unidos</i> vencem <b>Festlip</b>

A companhia de teatro lisboeta Artistas Unidos conquistou o prémio revelação do Festival de Teatro da Língua Portuguesa (Festlip), no Rio de Janeiro, com o espectáculo «Uma solidão demasiado ruidosa».
A peça – um monólogo do escritor checo Bohumil Hrabal dirigido e encenado por António Simão – estreou no Centro Cultural de Belém em 1997, foi reposta em 2007 na Cadeia das Mónicas e tem sido apresentada em digressão desde essa altura.
O Feslip, que segundo a Lusa já integra o calendário cultural carioca, recebeu nesta sua segunda edição, realizada de 2 a 12 de Julho, onze espectáculos teatrais de seis países lusófonos, todos com entrada livre, e homenageou o escritor moçambicano Mia Couto.
Ao todo estiveram em palco cerca de 80 profissionais de teatro de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal, sendo que cada país esteve representado por duas companhias, à excepção da Guiné-Bissau, que fez a sua estreia no Festlip com uma montagem do Grupo do Teatro do Oprimido, criado no país pelo recém-falecido dramaturgo Augusto Boal.


<i>Santo Amador e a Revolução</i>

«Se uma palavra se desprende de livros como o de João Ramos é a palavra ternura. Ternura pela terra onde nasceu, paixão e respeito para com os antepassados. Veneração para com a militância, coragem e firmeza dos que ajudaram a libertar o Alentejo. Daí também a importância de concretizar este livro. Em especial pelo seu contributo para a história do 25 de Abril em Santo amador e no concelho de Moura». As palavras são de Santiago Macias, no prefácio ao livro de João Ramos, Santo Amador e a Revolução, recém editado pela Cooperativa Cultural Alentejana (CCA).
O autor, enfermeiro de profissão, é um filho da terra, onde nasceu em 1972. Com uma predilecção especial pelo estudo da história local, João Ramos dedica-se há anos a essa investigação. Este livro surge desse gosto, associado a uma grande ligação afectiva com o período revolucionário pós 25 de Abril, esperando o autor que, com ele, cada leitor «possa revisitar as suas recordações e, nas mais fraternas, encontrar razões para se orgulhar de ter feito parte de uma das mais belas histórias da História de Portugal».


Caso BPN tem novos arguidos

Arlindo Carvalho, ex-ministro da Saúde de Cavaco Silva e ex-dirigente do PSD, e dois administradores da sociedade de gestão e exploração imobiliária Pousa Flores foram constituídos arguidos no âmbito do «caso BPN», relacionado com gestão danosa e compra ruinosa de empresas, terrenos e acções sobrevalorizados através de crédito concedido pelo BPN. Eleva-se assim para cinco o número de arguidos neste processo; os outros dois são Oliveira e Costa, ex-presidente da instituição bancária, preso preventivamente desde 20 de Novembro de 2009, e Dias Loureiro, ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que detinha o banco.
Segundo informa a agência Lusa, a empresa Pousa Flores – à qual o ex-ministro da Saúde tem ligações – comprou activos ao grupo Ricardo Oliveira, com crédito do BPN, no valor de cerca de 75 milhões de euros, de 2005 a 2007, numa operação em que o banco assumiu o compromisso de comprar esses activos, o que terá prejudicado financeiramente a instituição bancária.
Arlindo Carvalho começou a ser ouvido na segunda-feira, 20, no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC).


Resumo da Semana