O PKK só aceita diálogo sério entre as partes
Turquia recebe líder curdo
Esperança de paz
Após um encontro do governo turco o líder do partido curdo (DIP), o dirigente histórico, Abdullah Ocalan, anunciou da prisão, onde está encerrado desde 1999, uma proposta para «uma paz durável».
Parecendo querer abrir uma nova etapa com vista à resolução da questão curda, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan recebeu, no dia 5, o líder do DTP (Partido para um Sociedade Democrática), Ahmet Turk, que, no final, se manifestou «cheio de esperança».
Nas vésperas do 25.º aniversário da luta armada, que teve início em 15 de Agosto de 1984, o líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, fez questão de incentivar a vontade de diálogo manifestada por Ancara anunciando, por sua vez, uma proposta de «roteiro» para «uma paz durável».
No entanto, à reivindicação central do PKK de reconhecimento dos direitos culturais e uma autonomia política para a minoria curda, Erdogan respondeu vagamente, admitindo a «possibilidade de uma melhor compreensão a médio e longo prazo» (Le Monde, 13.08).
Em entrevista ao mesmo diário francês (15.08), o chefe da estrutura militar do PKK, Murat Karaylian, notou que «só há duas vias possíveis para resolver o problema: o esmagamento dos curdos, método utilizado sem resultado; ou a abertura do diálogo, o que o Estado turco está a fazer. É preciso uma discussão real entre as duas partes, ora neste momento, o governo turco procura resolver a questão sozinho. Pensamos que se trata de uma manobra para enganar a comunidade internacional. Eles querem diminuir o impacto do roteiro do nosso presidente.»
No entanto, Karaylian observou que o Estado turco tem urgência em estabilizar a situação no país devido, por um lado, à eventual saída das tropas americanas do Iraque e, por outro, ao facto de a Turquia se ter tornado um corredor energético de primeira importância. «O Ocidente tem necessidade de estabilidade na região».
Sobre os objectivos que o PKK coloca no momento presente, Karaylian esclareceu que «já não somos separatistas desde há dez anos. A solução existe dentro das fronteiras actuais, mas apenas se a Turquia adoptar os padrões democráticos europeus. As duas partes devem depor armas. Ora, por enquanto, o Estado prossegue as negociações secretas com os Estados Unidos, Iraque e Irão para atacar o nosso movimento. Tudo o que queremos é sinceridade. Se a Turquia tentar utilizar os seus velhos métodos, enfrentá-la-emos militar e socialmente».

Frutos da resistência

A propósito da força militar do PKK, Murat Karaylian recordou que, «após a prisão de Ocalan, em 1999, os países ocidentais pensaram que o PKK desapareceria em seis meses. Durante dez anos as grandes potências tentaram aniquilar-nos. Sem o apoio de nenhum Estado, conseguimos resistir. Temos entre sete e oito mil homens, metade na parte iraquiana do Curdistão e metade na parte turca. Podemos facilmente aumentar este número em caso de necessidade».
Para Karaylian o balanço é claro: «Foi graças à nossa luta que os curdos redescobriram a sua identidade. Esta resistência fez evoluir o Estado turco: hoje reconhece a existência da questão curda e é possível descortinar uma solução.»
Considerando que a guerra com o PKK «tem sido um bom argumento» utilizado pela Alemanha e a França para recusar a adesão da Turquia à União Europeia, Karaylian constata que, «uma vez resolvido o problema, será mais fácil entrar na UE. Por esta razão nós apoiamos a adesão da Turquia».
Contudo, o dirigente curdo não alimenta ilusões acerca das potências europeias: «A Alemanha e a França (…) não apoiam de forma suficientemente activa uma solução do conflito». Pelo contrário, assinalou Karaylian, «desde a eleição de Nicolas Sarkozy que posição da França mudou. Há 26 dirigentes políticos curdos presos em França por “actividades terroristas”. Ao atacar as organizações curdas, num momento em que declarámos um cessar-fogo, Paris enviou uma mensagem de apoio aos que desejam que a guerra continue».


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