Governo e INAC não regulam um sector exclusivamente público
CT do Handling da TAP responsabiliza a administração
Fernando Pinto mentiu e muito
Publicamente e por via de um comunicado, a Comissão de Trabalhadores da Sociedade Portuguesa de Handling, do Grupo TAP acusou o administrador de ter proferido um rol de mentiras na entrevista televisiva que deu da semana passada.
Manifestando total solidariedade com todas as formas de luta decretadas pelas organizações
sindicais e aceites pelos trabalhadores, a Comissão de Trabalhadores da Sociedade Portuguesa de Handling, SPdH, acusa mesmo Fernando Pinto de ser «mentiroso», designadamente por ter afirmado que, em 2008, na Groundforce, houve aumentos de 3 por cento.
Ao contrário do que afirmou o administrador proveniente da falida companhia de bandeira brasileira Varig, no ano passado, os trabalhadores da SPdH «abdicaram de aumentos salariais em 2008, em prol da viabilidade da empresa», informou a CT.
Tendo o administrador assumido que a SPdH cobra preços abaixo do custo dos serviços que presta, a CT também se manifestou indignada com o Governo e o INAC, por não regularem «um sector onde existem apenas duas empresas de capitais exclusivamente públicos».
Sobre a ameaça de greve anunciada na SPdH, para Setembro, a CT considera que Fernando Pinto devia antes era «pedir desculpa pela sua gestão e pela aposta na precarização dos contratos daqueles que permitiram à empresa ganhar 816 mil euros em 2008». sobre uma enunciada pelo administrador «politização da greve em ano de eleições», a CT pergunta porque é que Fernando Pinto não referiu «a politização da sua gestão, em ano de eleições, quando a administração já assumiu que, se dela dependesse, a SPdH já estaria fechada, mas o Governo não deixa, pelo menos até às legislativas».
Quanto a ter considerado que a greve «é uma declaração de guerra», a CT considera que «declaração de guerra» tem sido a provocada por sucessivas administrações, desde 2003, contra os trabalhadores, através de «constantes ameaças de falência/insolvência e da instabilidade laboral».
Considerando que «o problema real na SPdH (Groundforce) é Fernando Pinto», a CT justifica a acusação recordando como o administrador «começou por privatizar o handling para poder apresentar lucros em 2003», opção que agora considera ter sido um «erro de gestão», embora esteja, mesmo assim, a «insistir no erro, querendo a todo o custo encontrar “clientes” para essa compra», através da participação de um consórcio bancário para adquirir a Globália, «que nunca teve assento na administração nem sequer participação nos prejuízos», acusou a CT, recordando como, há cerca de três meses, Fernando Pinto afirmou pretender vender integralmente ou “às fatias” a SPdH, embora, na entrevista televisiva da semana passada tenha referido já não ter intenção de a vender, «em ano de eleições», acrescentou a CT.

Privatização adiada

O administrador é também acusado de ter omitido, na referida entrevista, a redução do capital social da SPdH, em Abril, de 8 milhões para 500 mil euros, «num claro prenúncio do que se está a congeminar» para depois das eleições, numa empresa que reduziu o tarifário em cerca de 20 por cento, nos últimos cinco anos, e perdeu uma quota de mercado de cerca de 15 por cento.
O comunicado de quatro páginas da CT revela muitas mais inverdades proferidas pelo administrador naquela entrevista, incluindo os dados que enunciou relativos aos prejuízos acumulados e reais previstos para este ano pela própria empresa e até os relativos ao número de trabalhadores no handling, que são cerca de 2300 efectivos, 300 contratados e cerca de 300 subcontratados, e não os 2000 enunciados por Fernando Pinto
A CT também rejeita liminarmente a anunciada intenção de eliminar 50 por cento dos postos de trabalho na escala de Faro, adaptando trabalhadores «à margem do Acordo de Empresa» que, para a CT, «deve ser cumprido incondicionalmente».
Quanto à Portugália (PGA) o administrador «esqueceu-se de dizer que só com as greves é que foi possível chegar-se a um entendimento» do qual resultou um aumento salarial de 19 por cento para os trabalhadores de bordo e a assinatura de um Acordo de Empresa.

Salários imorais

«Imorais e estratosféricos» é como a Comissão de Trabalhadores da TAP classificou, num comunicado de dia 13, os salários atribuídos aos administradores da companhia aérea nacional de bandeira. A tomada de posição complementada por quadros com as grelhas salariais dos administradores surge depois de, no dia 5, a administração ter emitido uma «informação flash TAP» onde constam, segundo a CT, alguns dos «privilégios» dos administradores relativos a cartões de crédito, combustível, ajudas para alojamento e outras.
A estes dados onde é revelado o vencimento de 420 mil euros mensais de Fernando Pinto, a CT acrescentou mais alguns dados omissos naquela informação, como uma referida «excursão de trabalho de algumas dezenas de quadros a Belo Horizonte, onde estiveram uma semana, com tudo pago».
Salientando que o desempenho operacional da TAP é, actualmente, dos melhores de sempre», a CT considera que os «catastróficos» resultados de 2008 devem-se à estratégia da gestão na compra da empresa brasileira de manutenção de aeronaves VEM, à aquisição da Portugália quando esta estava à beira da falência, a péssima gestão da SPdH e ao «aumento desmesurado da oferta, impossível de ser compensado pela procura», medidas que foram agravadas com o encarecimento do combustível.


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