Editorial

«A verdadeira política alternativa está no Programa de Ruptura, Patriótico e de Esquerda»

A VERDADEIRA ALTERNATIVA

Nunca é demais insistir no desmascaramento da patranha protagonizada pelo PS e pelo PSD – com o apoio descarado e cúmplice dos órgãos de informação do grande capital – em torno daquilo a que ambos chamam «alternativa», e que é a questão central das eleições legislativas que de hoje a um mês se realizarão.
PS e PSD, persistindo numa prática com décadas de existência, apresentam-se como alternativa um ao outro, ambos sabendo que assim não é e ambos sabendo que tal representação não passa de um velho estratagema com o qual têm logrado a continuidade da política de direita, praticada ora por um ora por outro, durante trinta e três anos – a política de direita que, também nunca é demais sublinhar, conduziu o País à situação dramática hoje existente.
A representação a que ambos se entregam - fingindo diferenças onde só existem semelhanças; anunciando «mudança» mas a pensar em mais do mesmo - não só não consegue esconder como evidencia as intenções assumidas por cada um deles: se o PS ganhar as eleições o que vai fazer é continuar a política de direita que afundou o País; e se for o PSD o vencedor, o que espera os portugueses é a continuação dessa mesma política de afundamento de Portugal.
Alertar para essa realidade todos os que, todos os dias, sofrem na pele as consequências terríveis da política de direita – e lembrar-lhes que os executantes dessa política têm sido sempre, ao longo dos anos, alternadamente, o PS e o PSD; demonstrar-lhes que há uma alternativa de facto a essa alternância infernal – e que eles, com o seu voto no próximo dia 27, podem ser protagonistas decisivos da mudança de rumo necessária, é tarefa essencial a levar a cabo neste mês que nos separa das eleições legislativas.

Alguns ingénuos (sinceros ou não) acusam esta visão das coisas de «sectária», «fechada», e falam das «diferenças substanciais» que, segundo eles, existiriam entre o PS e o PSD - «diferenças» que, por razões óbvias, nunca explicitam, quedando-se sempre no recurso às habituais e enganadoras frases feitas.
E é na base desses «argumentos» que dirigentes e outros propagandistas do PS desenvolvem a sua acção demagógica, através da qual, em despudorada exibição de vale-tudo, tentam enganar uma vez mais o eleitorado.
O dramatizado slogan «ou o PS ou a direita» - gritado num tom de falsete que o assemelha, ridiculamente, a qualquer coisa como ou o PS ou o caos (como se a governação PS fosse um lago de tranquilidade económica e social…) - é mais uma expressão da falsa alternativa com a qual pretendem esconder os pressupostos da única alternativa que realmente se coloca: ou a continuação da política de direita (praticada pelo PS ou pelo PSD) ou a mudança para uma política de esquerda.
E se alguma dúvida existisse sobre a inequívoca intenção do PS de, se voltar a ser governo, prosseguir a política de direita, bastaria esse foguetório eleitoralista para a anular.
Por isso, é tempo de esses ingénuos (sinceros ou não) demonstrarem o suposto erro de análise do PCP e de explicitarem de uma vez por todas a que «diferenças substanciais» se referem, que «diferenças» concretas descobrem entre a política praticada, por exemplo e para não irmos mais longe, pelos governos de António Guterres e José Sócrates e os governos de Cavaco Silva e Durão Barroso - para além, é claro, das ligeiras e cada vez mais ténues diferenças de método que de forma alguma escondem a convergência total no conteúdo e nas consequências.
A verdade é que, como há dias sublinhou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, em matéria de política governamental, PS e PSD são «farinha do mesmo saco» - o «saco» da submissão total do poder político ao poder económico; o «saco» da destruição do aparelho produtivo nacional; o «saco» do desprezo pelos direitos e interesses dos trabalhadores e da reverência absoluta aos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros; o «saco» do desemprego, do emprego precário, do lay-off, dos salários em atraso, das pensões e reformas de miséria, das brutais injustiças sociais, do agravamento sistemático das condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses; o «saco» da subserviência aos ditames do imperialismo, do envolvimento em criminosas guerras de ocupação com centenas de milhares de mortos e da venda a retalho da soberania e da independência nacional; o «saco» do desrespeito frontal pela Constituição da República Portuguesa; o «saco» do empobrecimento constante do conteúdo democrático do regime nascido da revolução de Abril.

A verdadeira política alternativa à política de direita está no Programa de Ruptura, Patriótico e de Esquerda que o PCP propõe aos trabalhadores e ao povo português: na política de desenvolvimento económico por ele preconizada, na política de criação de emprego, de justa repartição da riqueza, de justiça social.
E as eleições legislativas de 27 de Setembro podem vir a constituir um importante passo em frente na construção da alternativa política necessária à aplicação dessa política alternativa.
É necessário, para isso, que os candidatos e activistas da CDU façam chegar ao eleitorado a sua visão sobre a situação actual e as suas causas, sobre a possibilidade real de mudança – e que, assim, façam com que segmentos significativos desse eleitorado deitem para o caixote do lixo velhos preconceitos e decididamente votem nos seus próprios interesses, que o mesmo é dizer, votem em quem, todos os dias e em todas as circunstâncias, está a seu lado, a lutar pelos seus direitos e interesses.


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