• Domingos Mealha

Espaço Central
Trazer Abril para as eleições
Os 35 anos da revolução de Abril e as eleições legislativas e autárquicas deste ano destacaram-se, entre os temas que preencheram o Espaço Central da Festa. Numa das muito conhecidas fotografias de 1974, com um grupo de populares a celebrar a revolução, num tanque, o cano do canhão recebeu um ramo de cravos vivos, a sair da imagem monocolor: uma maneira de mostrar que o PCP e a CDU propõem «Abril de Novo», trazendo à actualidade política e às batalhas eleitorais tudo o nesta expressão se encerra: o fascismo que é necessário combater permanentemente, a experiência da revolução portuguesa, o caminho de progresso e justiça que é urgente retomar.
No caminho que ia da praça principal da Festa - onde decorreu sexta-feira o comício de abertura e onde se refrescaram, nestes três dias, muitas crianças e adultos - em direcção à Cidade da Juventude, ao Porto e ao Palco 25 de Abril, o Espaço Central chamava a atenção pelo vermelho das suas paredes.
Duas amplas entradas convidavam os visitantes. Do lado da Praça Central, uma maqueta mostrava o que lá estava dentro, enquanto uma «praça vermelha» abria portas para as exposições que abordavam a actual situação do País, acusando os responsáveis por mais de 33 anos de política de direita e explicando a alternativa proposta pelo PCP e pela CDU, lembrando o papel dos comunistas na resistência ao fascismo, na revolução e na defesa das conquistas populares de Abril. Os painéis exibiam imagens e vasta informação fundamentada, convivendo com documentos históricos (fossem os cartazes da primeira campanha eleitoral, fosse o prelo, em funcionamento, com camaradas a imprimirem folhas do Avante! do tempo da clandestinidade). Do lado da Juventude e do Porto, acedia-se à aprazível esplanada do Café da Amizade, mas muitos não resistiam ao apelo da entrada para o pavilhão que albergava a Bienal de Artes Plásticas.
Ao longo do Espaço Central, com muita sombra, bancos de madeira e relva resistente, os visitantes iam sendo surpreendidos pelo som da Comunic (a rádio do PCP na Internet, que emitiu em directo, com reportagens e entrevistas); por ecrãs onde passavam vídeos sobre a luta dos comunistas e as suas razões; pelos computadores e demonstrações de software livre, no espaço das tecnologias de informação e comunicação; pelo uso que alguns deram a certos painéis (como o que apresentava, entre outros recortes, a notícia da demissão do ministro Pinho); por uma instalação com figuras laranja e rosa a espalharem pelo mapa de Portugal os malefícios da sua política; por alguma intervenção mais acalorada num dos espaços de debate... e até pela possibilidade de conversar com dirigentes e deputados do Partido, numa área dedicada a um convite que muitos aceitaram: «adere ao PCP».


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: