Editorial

«Uma viragem só possível com o reforço da CDU – e que seria impossível sem esse reforço»

O VOTO PARA A VIRAGEM À ESQUERDA

A três dias das eleições, e avaliando as campanhas eleitorais realizadas e as posições assumidas pelas diversas forças em presença, um dado se impõe de forma inequívoca: o voto na CDU é aquele que, de facto, mais contribui para a derrota da política de direita e o que mais claramente afirma uma política alternativa, de esquerda, capaz de dar resposta aos problemas dos trabalhadores, do povo e do País.
Na verdade, e como se esperava, esta campanha confirmou sem margem para dúvidas que os partidos que há 33 anos governam o País – PS e PSD, de quando em vez com o CDS/PP - o que têm para oferecer é, como sublinhou Jerónimo de Sousa no impressionante comício do Palácio de Cristal, «a continuação da ofensiva contra os direitos sociais e laborais dos trabalhadores e do povo, contra os salários e reformas, contra os serviços públicos que deveriam garantir o bem-estar do povo», é, ao fim e ao cabo, a continuação da política que conduziu Portugal à situação dramática em que se encontra.
Que eles finjam o contrário, não surpreende: é o que têm feito ao longo de décadas, sempre assobiando para o lado em relação às responsabilidades de ambos no agravamento da situação; sempre ocultando o papel de ambos na condução da política de direita; sempre prometendo «mudanças» - e sempre seguindo o mesmo caminho de flagelação brutal da economia nacional e dos interesses e direitos dos trabalhadores e das populações.
A «alternativa» de que ambos se dizem portadores é, também ela, o habitual mais do mesmo, a velha farsa com a qual pretendem uma vez mais levar a água ao moinho da política de direita.
Daí que o agitar do papão da direita por parte do PS, tentando com isso caçar votos de esquerda, surja uma vez mais como um estratagema rasteiro que, à semelhança do que tem acontecido em eleições anteriores, outra coisa não pretende do que levar ao engano milhares de eleitores, caçando-lhes o voto em nome da esquerda para depois o ir utilizar na aplicação da política de direita. Trata-se de uma manobra baixa, de profundo desrespeito pelo eleitorado de esquerda, e a que é necessário dar, desta vez, a resposta merecida.

Assim, o que está em jogo no dia 27, não é escolher entre PS e PSD, entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, que o mesmo é dizer entre a fome a vontade de comer. A escolha, a verdadeira alternativa, é entre a continuação da política de direita e uma nova política, de esquerda, ao serviço dos interesses de Portugal e dos portugueses e inspirada nos ideais de Abril.
É entre uma e outra das situações acima enunciadas que se situa o voto no BE: voto de protesto que pode aliviar passageiramente, quem a ele recorra, dos males provocados pela política do Governo PS/Sócrates, mas que não ataca as causas essenciais desses males, porque não é um inequívoco voto na ruptura com a política de direita - e muito menos é um voto na luta que contra essa política é necessário prosseguir logo no dia 28. Luta que é difícil. Que exige elevada consciência de classe. Que implica determinação, persistência e coragem. E que não dá pretexto aos foguetórios mediáticos de que é feita a prática do BE.
Não é por acaso, aliás, que mais uma vez nesta campanha eleitoral os órgãos da comunicação social dominante – todos: quer os que são propriedade do grande capital, quer os que, devendo ser públicos, são de facto servidores exclusivos da política de direita – colocaram o seu tempo, o seu espaço e as suas simpatias ao serviço da propaganda do BE.
E também não é obra do acaso a hostilidade manifestada pelos mesmos média em relação à campanha da CDU.

Na intervenção proferida no comício do Palácio de Cristal – comício que tantas dores de cabeça deu aos que, nesses média, tinham a tarefa de o esconder dos olhos e do conhecimento de quem lá não esteve… – o Secretário-geral do PCP, disse, a terminar: «Daqui partimos para uma última semana de campanha decisiva para confirmar e ampliar a CDU como a grande força de alternativa necessária ao País e a uma nova política».
E esse objectivo está presente nos milhares de activistas da CDU, aos quais se coloca a importante tarefa de, nestes últimos dias de campanha, fazer chegar a mais e mais eleitores a demonstração de que o voto na CDU é o voto de facto útil – e nenhum é mais útil do que ele – para todos quantos desejam pôr termo a 33 anos de política de direita e anseiam por uma viragem à esquerda na política nacional. Uma viragem que ficará tanto mais perto quanto mais votos, mais deputados e mais força o eleitorado der à CDU. Uma viragem que só será possível com o reforço da CDU – e que seria impossível sem esse reforço.
O resultado eleitoral da CDU está ainda em construção – e assim será, sublinhe-se, até à contagem do último voto, na noite de domingo.
No entanto, a ampla receptividade das massas às propostas apresentadas justifica a firme convicção de que a CDU aumentará a sua votação e o número dos seus deputados na Assembleia de República.
E repetimos o que aqui escrevemos nas vésperas das eleições para o Parlamento Europeu: na segunda-feira, sejam quais forem os resultados obtidos, a luta continua.
Luta que tem como primeira etapa a batalha das autárquicas de 11 de Março – nas quais certamente veremos compensado o trabalho, a honestidade e a competência que caracterizam a prática dos eleitos da CDU no Poder Local.
E luta pela ruptura com a política de direita e por uma alternativa de esquerda – que será tanto mais forte e eficaz quanto mais elevado for o número de homens, mulheres e jovens a optar pela CDU.


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