«Travar a batalha das autárquicas com a mesma convicção e confiança»
OBJECTIVOS ALCANÇADOS
O Comité Central do PCP, analisou os resultados das legislativas e a batalha que se segue: a das autárquicas.
Realçando o facto de terem sido alcançados os principais objectivos definidos – mais votos, mais deputados, maior percentagem para a CDU e perda da maioria absoluta para o PS - o CC sublinhou a relevância de esses resultados darem continuidade ao crescimento sustentado da CDU nas sucessivas eleições dos últimos anos. Isto, não obstante os habituais tratos de polé – desta vez agravados - a que a impressionante campanha da CDU foi submetida por parte dos média dominantes.
Por tudo isso, o aumento da expressão eleitoral da CDU – inequivocamente identificado com um projecto de ruptura e de mudança para o País - reveste-se de inegável significado e constitui um poderoso estímulo para o desenvolvimento da luta contra a política de direita e por uma nova politica, de esquerda, que inicie a resolução dos muitos e graves problemas criados por trinta e três anos de governos PS e PSD, com ou sem CDS/PP atrelado.
Não surpreende, por isso, os esforços desesperados levados a cabo pelos analistas do costume, logo na noite de domingo, no sentido da desvalorização dos resultados da CDU, ignorando a subida de facto verificada e disparando conclusões previamente tiradas, onde marcaram presença, pela enésima vez, as velhas profecias sobre o «definhamento» e a «morte» do PCP – que de tão repetidas se transformaram já no estribilho da cantiga do ódio de classe entoada por esse coro de velhos marretas.
E para, de alguma forma, compensarem a situação de cangalheiros frustrados que é a sua, gastaram a reserva de foguetes a festejar a passagem da CDU para quinta força eleitoral, fazendo desse facto medida de avaliação exclusiva dos resultados da CDU – fugindo como gatos sobre brasas à constatação do essencial: é que tal facto não resultou da perda de votos da CDU para qualquer das outras forças.

A acentuada quebra eleitoral do PS – que a falsa euforia da noite das eleições não conseguiu esconder – traduzida na derrota e na perda da maioria absoluta e de mais de meio milhão de votos, naquele que foi o seu pior resultado eleitoral nos últimos quinze anos, expressa de forma insofismável uma forte condenação da política de direita que o Governo de José Sócrates tem vindo a praticar – condenação que é reforçada se a esse resultado associarmos o obtido pelo outro partido da política de direita: o PSD.
Na génese desta derrota do PS está, ocupando lugar destacado, a luta desenvolvida pelos trabalhadores ao longo dos últimos quatro anos - luta conquistada a pulso, vencendo a ofensiva ideológica de pregação do desânimo, da capitulação, da aceitação passiva das «inevitabilidades», e superando ameaças, chantagens e represálias que, pelas proporções atingidas e pelo seu conteúdo antidemocrático, constituíram verdadeiros atentados aos direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos; luta para a qual o PCP, o colectivo partidário comunista, deu um contributo fundamental e decisivo.
Crucial no combate à política do Governo nos últimos quatro anos, a luta de massas afirma-se como o caminho certo para dar resposta à situação pós-eleitoral, sejam quais forem os desenvolvimentos que vierem a verificar-se – sendo certo que a condenação política que os resultados eleitorais do PS traduzem, não é em si garantia de que a política de direita será abandonada, mas sendo certo, igualmente, que a insistência e o prosseguimento nessa mesma política anunciado pelo PS, encontrará, depois destas eleições, maiores obstáculos e dificuldades e uma ainda mais forte resistência.
Na verdade, a perda da maioria absoluta pelo PS constitui um factor da maior relevância que cria novas e melhores condições para o desenvolvimento da luta pela ruptura e pela mudança.

Tema de debate no Comité Central foi também a campanha para as próximas autárquicas.
Passando de uma batalha eleitoral para outra, com a mesma convicção e a mesma confiança, os activistas da CDU levam por diante uma campanha intensa e participada e na qual contam com trunfos e argumentos relevantes. A começar pelas listas apresentadas, as quais, pela sua amplitude unitária e pela forte ligação dos seus candidatos aos problemas locais, asseguram desde logo, no futuro, a continuação do notável trabalho até aqui desenvolvido pelos eleitos da CDU. De sublinhar que a CDU concorre a 301 municípios e a 2275 freguesias – o maior número de listas apresentado desde 1989 – envolvendo nessas listas cerca de 40 mil candidatos, 40% dos quais são cidadãos independentes, assim se confirmando como um espaço democrático, aberto e plural.
Mas os candidatos da CDU dispõem de um outro argumento de peso: eles são portadores de um projecto autárquico singular no nosso País, um projecto construído a partir de múltiplas e diversificadas experiências no plano do Poder Local, tendo como trave mestra um conceito de exercício do poder que vê na participação a sua linha básica fundamental e define a realização dos interesses das populações como objectivo único a alcançar.
Para além, naturalmente, do argumento poderoso que é o trabalho, a honestidade e a competência - imagem de marca dos eleitos da CDU, comprovada por uma imensa e qualificada obra feita ali onde estamos em maioria e por uma intervenção construtiva ali onde somos minoritários.
As autárquicas, perspectivando um reforço da implantação da CDU no poder local, constituirão nova oportunidade para confirmar o continuado crescimento eleitoral da CDU e a reafirmação do seu papel insubstituível na construção de uma alternativa de esquerda.


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