Exigir salários dignos, carreiras justas e emprego com direitos
Greves na TAP, na EMEF e nas alfândegas
Persistir na luta
Depois de a greve dos pilotos na TAP ter registado uma adesão de 98 por cento, e da luta de três dias dos trabalhadores das alfândegas ter deixado o país sem controlo alfandegário, estava agendada, para ontem, uma greve dos ferroviários da EMEF.
«Os pilotos não vão continuar a subsidiar os ruinosos erros estratégicos decididos pelo engenheiro Fernando Pinto, como por exemplo a VEM, no Brasil», avisou, dia 25, no segundo e último dia de greve, o Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC) através de um comunicado de balanço da greve pela reposição do poder de compra perdido nos últimos dez anos, e que registou uma adesão superior a 98 por cento.
Para o SPAC, a forte adesão demonstrou, «de forma notória», o descontentamento dos pilotos «perante a insensibilidade e a intransigência reveladas pela administração».
Apesar de o sindicato ter acusado a administração de ter violado grosseiramente a lei da greve ao tentar substituir pilotos em luta, foi impossível disfarçar as largas dezenas de voos cancelados e a incapacidade da empresa para hospedar centenas de passageiros que se viram forçados a passar a noite nos terminais, transtornos cuja responsabilidade o sindicato atribuiu exclusivamente à administração de Fernando Pinto.
Informando estar a diagnosticar a evolução das posições da administração perante as legítimas aspirações dos pilotos, o SPAC avisou que, espera um processo «longo e difícil», «atendendo às experiências recentes», porque «não é claro que a administração tenha compreendido a totalidade das implicações desta adesão».
«Os pilotos podem esperar da administração» uma «estratégia saturada e votada ao fracasso, como se demonstrou no recente conflito na PGA», reincidindo «nas usuais manobras de intimidação, agitando o espantalho dos despedimentos e do encerramento da empresa», considerou o sindicato.

Alfândegas sem controlo

O elevado índice de adesão à greve dos trabalhadores das alfândegas, nos dias 23, 24 e 25, cuja participação média, durante os três dias, superou os 75 por cento, pelo direito ao vínculo público de nomeação, carreiras especiais para todos e pela integração do suplemento aduaneiro no vencimento «demonstra que a luta foi justa e correspondeu ao sentimento de revolta que as últimas propostas do Governo provocaram em todos os funcionários das alfândegas», considerou, dia 25, num comunicado conjunto, a Frente Sindical para a Direcção-Geral das Alfândegas e Impostos para Consumo (DGAIEC).
Aquela Frente Sindical, composta pela Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública e a Comissão Nacional de Trabalhadores do sector acusou o Governo de ter feito «pressões e condicionamentos ao livre exercício do direito à greve», durante a luta.
A frente sindical revelou que os trabalhadores foram questionados, na véspera da greve, se iam ou não aderir. Os serviços mínimos foram definidos arbitrariamente, bem como a escala de trabalhadores para os cumprirem, «quando existiam outros que não estavam em greve e que os deviam cumprir».
Na Madeira, sindicato e Comissão de Trabalhadores constataram que a GNR substituiu os trabalhadores em luta.

Negociar carreiras dignas

Na EMEF, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, em concordância com as decisões saídas dos plenários dos dias 8 e 9 de Setembro, convocou uma greve de 24 horas para ontem, em resposta ao comportamento da administração relativa à negociação do Regulamento de Carreiras. Trata-se de uma negociação marcada por «sucessivos adiamentos de reuniões e de uma constante fuga à negociação», recordou o sindicato, num comunicado de 18 de Setembro. A administração só aceitou reunir no dia 30, mas para informar que não negociaria aquele regulamento por o sindicato ter agendado a luta de ontem, atitude que o SNTSF classificou de «provocatória». Também «em detrimento da paz social», a administração da EMEF avançou com um proposta de nova reunião mas para as calendas de 30 de Outubro.
«Aqueles que provocam e insultam os representantes dos trabalhadores, recusando sucessivamente as suas propostas, afirmando não haver capacidade económica» para satisfazer as justas reivindicações dos funcionários, «são os mesmos que, em 2008, se auto-aumentaram em 53 por cento», recordou o sindicato da CGTP-IN.


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